Os xiitas da
dieta
Livro
de médico americano diz que
obsessão por
comida natural pode chegar a ser uma doença
Fábio
de Oliveira
O exagero
em dietas naturalistas pode revelar sintomas de uma doença,
batizada de "ortorexia nervosa", segundo o médico americano
Steven Bratman, autor de um livro sobre o tema lançado recentemente
nos Estados Unidos. Ele descreve o portador como alguém que
é muito preocupado com os hábitos alimentares e dedica
grande parte do tempo a planejar, comprar, preparar e fazer refeições.
Além disso, dispõe de um autocontrole rigoroso para
não se render diante de uma tentação, como
um bom Big Mac ou uma suculenta macarronada. Sem falar que se sente
superior a quem se esbalda nas impurezas de um espesso filé
ao ponto ou de um sorvete afogado em calda de chocolate. A pessoa
acaba por adotar comportamentos nutricionais cada vez mais restritivos,
até se isolando socialmente, explica Steven Bratman, em Health
Food Junkies (algo como Viciados em Comida Saudável).
Ele
próprio foi um natureba militante que se livrou da tirania
do regime. Uma de suas idéias centrais é que dietas
como a macrobiótica e as que propõem a exclusividade
de folhas, legumes e frutas podem fazer do indivíduo um candidato
à ortorexia, neologismo baseado no grego, em que orthós
significa "correto" e "verdadeiro", e oréxis quer
dizer apetite. A psiquiatra Angélica de Medeiros Claudino,
da Universidade Federal de São Paulo, acredita que o comportamento
realmente pode ir além do folclore que se costuma fazer de
alguns personagens mais exacerbados: "No perfil desse tipo de personalidade
obsessiva, há uma preocupação com a perfeição,
com a rigidez, com as normas e as regras. Nesse sentido, entraria
a alimentação que é considerada correta e saudável",
diz ela. De acordo com o psiquiatra Adriano Segal, da Universidade
de São Paulo, as dietas que restringem grupos alimentares
não têm nenhum embasamento científico. "Parte-se
de uma premissa não comprovada, faz-se um raciocínio
lógico, e tudo parece verdade", ele critica. Nesse caso,
o indivíduo pode colocar a saúde em risco devido à
grande perda de peso e componentes nutritivos. Segal acha cedo classificar
esses casos como doença, mas admite que "a ortorexia pode
ser um sintoma complexo em algumas doenças, ou um subtipo
de transtorno alimentar já existente".
Mesmo
entre vegetarianos, há aqueles que criticam a postura mais
radical, como o nutricionista George Guimarães, de São
Paulo. Especialista em nutrição clínica e vegetariana,
ele admite que muitos adeptos passam pela fase desagradável
de convencer todo mundo a entrar para sua turma. Isso gera conflitos,
e a pessoa se arrisca a ficar falando sozinha. "A dieta pode se
tornar patológica quando há o isolamento social, mas
existe a possibilidade de o indivíduo freqüentar grupos
que não discriminem sua opção alimentar. Há
ambientes em que até o vegetariano chato acaba sendo ouvido",
acredita Guimarães.
Para
quem está em dúvida quanto ao grau de envolvimento
com a ortorexia, Bratman convida a realizar um teste simples de
avaliação e ensina os passos básicos para o
ortoréxico escapar da armadilha, uma jornada a ser feita
junto com profissionais de saúde, a família e os amigos.
Alguns deles:
.Reconhecer
a existência do problema em si mesmo, parar de pensar o tempo
todo em alimentos saudáveis e encarar a ortorexia como um
mal e não uma virtude.
.Identificar
as razões que o levaram a se tornar obsessivo, como a ilusão
de que tinha segurança total, inclusive alimentar, ou de
que usava o pequeno mundo da comida para se convencer de que sua
vida inteira está sob controle.
.Ir
devagar na tentativa de voltar a comer como uma pessoa moderada.
As refeições devem ser razoavelmente saudáveis,
pois, ao tentar comer fast food, o indivíduo pode se sentir
excessivamente culpado. Ou seja, o meio-termo é bem-vindo.
.A
ajuda de um psicoterapeuta pode ser necessária se aqueles
pensamentos de superioridade em relação aos que não
se alimentam como o ortoréxico persistirem.
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Teste: a doença do naturalismo radical
Avaliação
Se você respondeu sim a duas ou três dessas questões,
tem pelo menos uma queda para a ortorexia.
Quatro
pontos ou mais significa que você está em perigo.
E,
se a resposta foi sim a todas as perguntas, você precisa
de ajuda. Você não tem uma vida, tem um menu.
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Saiba
mais
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