A bela
era feia
Esculturas
recém-descobertas põem em xeque
mito da beleza irresistível de Cleópatra
A
beleza de Cleópatra já era motivo de controvérsia
durante seu reinado no Egito, há 21 séculos.
Os romanos fofocavam sobre os misteriosos encantos da mulher
que conquistara, um depois do outro, Júlio César
e Marco Antônio, os mais poderosos generais da época.
Durante séculos, o rumor de que teria nariz avantajado
alimentou especulações acaloradas sobre seus
atributos físicos. Nos anos 60, finalmente, a atriz
Elizabeth Taylor, no auge de sua beleza, consolidou a imagem
que o mundo moderno tem de Cleópatra. Uma grande exposição
no Museu Britânico, em Londres, está novamente
revirando o mito. O motivo são dez estatuetas, a maioria
delas retirada recentemente do Porto de Alexandria, no Egito.
As peças retratam Cleópatra como uma mulher
baixinha, roliça e com dentes nada atraentes. E confirmam
o tão afamado narigão. Foi a partir dessas informações
que o jornal inglês The Sunday Times produziu
o retrato pouco lisonjeiro da rainha do Egito.
Cleópatra pôde ser identificada pelo adorno com
três cobras suspensas, símbolo do poder dos Ptolomeus,
a dinastia grega que governou o Egito por 300 anos. O conhecimento
sobre a rainha que se suicidou aos 39 anos, em 30 a.C., aumentou
bastante nos últimos três anos devido às
pesquisas arqueológicas nas ruínas de seu palácio,
hoje sob as águas do Porto de Alexandria. A exposição
no Museu Britânico é a maior já realizada
sobre ela, com mosaicos, estatuetas, moedas e jóias
recolhidas em várias coleções. O problema
é que cada peça a mostra diferente, quase sempre
de forma idealizada. O que se vê é uma mulher
bela e de traços finos. A exceção são
as dez estatuetas, que podem ser as únicas fiéis
à realidade. Sabe-se que Cleópatra tinha grande
cuidado com a aparência. Banhava-se com leite de cabra
para manter a pele macia e usava maquiagem pesada. Falava
nove línguas e tinha voz melodiosa. Como todo mundo
na época, raspava os pêlos do corpo para evitar
piolho e usava peruca. A ambição e o charme
de Cleópatra tiveram forte impacto na política
romana num período crucial. Ela tornou-se o símbolo
romântico da mulher fatal da Antiguidade. Depois do
assassinato de Júlio César, com quem teve um
filho, casou-se com Marco Antônio, e teve mais três
filhos. Quando as legiões de Otaviano esmagaram as
forças combinadas de Marco Antônio e Cleópatra,
ambos preferiram a morte à rendição humilhante.
Otaviano, que depois se tornaria o imperador Augusto, mandou
destruir todos os monumentos em homenagem à rainha,
aumentando a incerteza sobre sua real aparência. Por
amor a Cleópatra, Júlio César enfrentou
a ira do Senado romano. A seu lado, Marco Antônio morreu
numa guerra civil. Teriam feito isso por uma feiosa?
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