Uma arma
a mais
Novo
remédio contra o
vírus HPV
chega em
breve ao Brasil
Anna
Paula Buchalla
O
câncer de colo do útero é uma das doenças
que mais vitimam as mulheres ao redor do mundo. Os médicos
descobriram nos anos 70 que, na esmagadora maioria das vezes,
ele é detonado pelo vírus HPV, transmitido principalmente
por meio de relações sexuais. Para se ter uma
idéia da gravidade do problema, estima-se que uma em
cada três brasileiras entre 20 e 29 anos esteja contaminada
pelo microrganismo. Os sintomas iniciais da infecção
são manchas esbranquiçadas ou verrugas na região
genital. Deixadas a seu próprio curso, algumas lesões
evoluem até formar um tumor. Uma das mais novas armas
contra o HPV será lançada no Brasil até
o final deste mês. É o Wartec, um remédio
em forma de creme para ser aplicado diretamente nas lesões
causadas pelo vírus. Sua taxa de sucesso é alta:
em muitas pacientes as feridas simplesmente desaparecem, sem
que seja preciso recorrer a cauterização, cirurgia
ou aplicação de ácidos, procedimentos
que só podem ser realizados em consultórios.
O medicamento, aprovado em 1997 nos Estados Unidos, tem por
base uma substância chamada podofilotoxina, que se mostrou
mais efetiva do que a podofilina, também muito usada
nos casos de HPV. Ambas agem como esfoliantes -- removem o
tecido atingido e, conseqüentemente, a lesão.
Além de eficientíssima, a podofilotoxina é
menos tóxica. Para quem apresenta feridas pequenas,
os médicos costumam prescrever dois ciclos de três
dias de aplicação de Wartec, com intervalo de
quatro dias entre eles. O tratamento padrão custa o
equivalente a 45 reais.
Quase
a totalidade das mulheres com histórico de câncer
de colo de útero têm ou tiveram HPV. Mas isso
não significa que toda paciente contaminada apresenta
o risco de desenvolver um tumor. O HPV é, na verdade,
uma família de vírus composta de uma centena
de tipos, com grau de agressividade variável. Os dois
mais perigosos são os de números 16 e 18. Em
um organismo debilitado do ponto de vista imunológico,
eles encontram o ambiente propício para dar origem
a complicações. Dada a sua multiplicidade, é
muito difícil chegar a uma vacina que dê conta
de todos os HPVs. Mas os cientistas andam otimistas. "Os primeiros
resultados de uma vacina em teste em diversos países,
inclusive no Brasil, foram positivos em relação
a determinados tipos do vírus", afirma a pesquisadora
Luisa Lina Villa, do Instituto Ludwig de Pesquisas sobre o
Câncer, de São Paulo, que participa do estudo.
Acredita-se que as conclusões quanto à eficácia
dessa vacina serão conhecidas nos próximos cinco
anos.
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