A força
dos anos
Pesquisas
indicam que a musculação é mais
importante para os idosos que a caminhada
Fotos Rogério Voltan
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| O
psiquiatra Machado (à esq.) e seus colegas
de malhação: 110 quilos |
Primeiro,
a má notícia, que, mesmo não sendo nova,
preserva a capacidade de arrancar lamentos profundos. A partir
dos 20 e poucos anos de idade, o corpo humano já começa
a se deteriorar. A cada década, o peso aumenta cerca
de 4%, a massa muscular reduz-se 5% e a perda de massa óssea
pode bater em 17%. Uma pessoa sedentária chega aos
80 anos com metade da força muscular que tinha aos
30. Resultado prático: quedas e fraturas constantes,
dificuldade para andar, levantar, sentar, vestir-se. A boa
notícia, que é também uma novidade: tudo
isso pode ser abrandado e já se sabe qual a melhor
fórmula para tanto. A solução é
a musculação.
Os pesquisadores da medicina do esporte concluíram
que os exercícios de força são a atividade
física que mais benefícios traz para a vida
dos idosos. "Ninguém nega que as caminhadas e braçadas
na piscina, os exercícios aeróbicos, façam
bem, mas, para quem tem acima de 60 anos, o mais importante
é a reversão da perda muscular e o ganho de
força. Portanto, o prioritário é a musculação",
afirma a médica Sandra Matsudo, diretora do Centro
de Estudos do Laboratório de Aptidão Física
de São Caetano do Sul (Celafiscs). Estudos mostram
que, após quatro semanas de treino, um idoso pode melhorar
sua força muscular em até 220%. O psiquiatra
aposentado Helio Cordeiro Machado, de 70 anos, decidiu fazer
musculação porque já não andava
em razão de duas hérnias de disco. "Três
meses depois de iniciar os exercícios, minha dor diminuiu
90% e voltei a andar sem dificuldade", conta o malhador convicto,
que hoje ergue 110 quilos com as pernas, cinco vezes mais
do que conseguia há um ano.
Perda de massa muscular e de massa óssea no nível
propiciado pelo avanço da idade prejudica as atividades
mais comezinhas do dia-a-dia, como andar, comer, subir escada
ou tomar banho. Esses problemas podem ser sanados com mais
eficiência pela musculação. "Pesquisas
mostram que pessoas que envelheceram praticando atividades
aeróbicas chegaram à velhice com o mesmo nível
de massa muscular que um sedentário", diz José
Maria Santarem, fisiatra da Universidade de São Paulo.
"O estado geral de saúde deles, porém, era melhor",
ressalva.
E a saúde de quem pratica musculação?
Está aí a principal novidade dos centros de
pesquisas. A musculação também melhora
o estado geral do organismo e ajuda a evitar a ocorrência
de doenças, como as cardiovasculares as grandes
vantagens das atividades aeróbicas. Além disso,
diminui o porcentual de gordura no corpo em nível próximo
ao obtido com as caminhadas e corridas. Em matéria
de condicionamento físico, os efeitos positivos ainda
pendem para o lado dos aeróbicos. "Existe uma briga
nos meios científicos entre os defensores dos aeróbicos
e os da musculação. A conclusão mais
sensata é que o melhor é a junção
dos dois", aconselha o fisiatra Vagner Raso, do Celafiscs.
Mas, então, qual fazer mais? "Como a pergunta é
recorrente, o Colégio Americano de Medicina do Esporte
definiu uma lista de prioridades para os idosos", responde
Raso. "Em primeiro lugar, os exercícios de força,
em segundo os de flexibilidade e, em seguida, os aeróbicos."
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