No ar,
com estilo
Empresa
aérea do bilionário Warren Buffett
fatura alto vendendo horas de vôo
em jatos executivos
Fotos divulgação
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Os
passageiros sentem-se mesmo nos céus. Com capacidade
para 189 passageiros, o Boeing 737 foi remodelado para levar
apenas dezoito privilegiados. Há uma sala de reuniões
a bordo, dois dormitórios, um deles com banheiro anexo,
outros dois banheiros, um deles com chuveiro, e sala de estar.
Estão disponíveis oito linhas telefônicas,
equipamento para teleconferência e não há
dificuldade para a troca de e-mails. O serviço de bordo
é de acordo com o gosto dos passageiros e pode incluir
desde o melhor champanhe até pratos da cozinha vietnamita.
O chão é forrado com carpetes de alta qualidade.
De quebra, o avião tem autonomia para voar do Rio de
Janeiro a Londres sem escala. Esse Boeing 737, numa versão
chamada de Boeing Business Jet (BBJ), é o carro-chefe
da frota de 340 aeronaves da Executive Jet, a empresa aérea
que comprou 30% dos jatos executivos vendidos no mundo desde
1996. Encomendou 787 aparelhos nos últimos cinco anos,
o que significa um megainvestimento de 14 bilhões de
dólares. Entre os 447 aviões ainda por receber
estão 29 BBJs, iguaizinhos ao descrito acima.
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| Um
Boeing Business Jet decorado para a Executive Jet: sala
de jantar espaçosa e dois dormitórios
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A
Executive Jet tem mais duas particularidades de destaque.
A primeira: não vende passagens no balcão, como
as outras companhias aéreas. A segunda: pertence ao
americano Warren Buffett, investidor com fama de ter o toque
de Midas, aquele rei da Frígia que transformava em
ouro tudo que tocava. Como o dom o impedia de se alimentar,
Midas, o da mitologia, morreu de fome. Buffett, que nasceu
pobre, transformou-se no quarto homem mais rico do planeta.
Ele pagou 725 milhões de dólares pela Executive
Jet em 1998. De lá para cá, o faturamento da
empresa cresce 35% ao ano. O segredo do sucesso é o
programa de time-sharing batizado de NetJets. Nesse
sistema, o freguês compra o direito de utilizar um determinado
número de horas de vôo por ano. A única
condição é o aeroporto de partida, que
deve estar localizado nos Estados Unidos, na Europa ou no
Oriente Médio. A empresa compromete-se a colocar num
prazo entre quatro e seis horas um avião à disposição
em qualquer um dos 5.000 aeroportos
nos quais atua. O bilionário Bill Gates, dono da Microsoft,
utiliza-se do serviço com o desprendimento de quem
chama um táxi. Outras celebridades, como o número
1 do golfe, Tiger Woods, o ator Arnold Schwarzenegger e os
tenistas Andre Agassi e Pete Sampras, também aderiram
ao programa. Três em cada dez das maiores companhias
americanas são associadas ao NetJets, incluindo a General
Electric.
A ousadia do empreendimento tem tudo a ver com o estilo Buffett.
Ele comprou sua primeira ação aos 11 anos, obteve
lucro de 5 dólares e, desde então, nunca mais
parou de encher o cofrinho. Sua estratégia não
é nenhum mistério: ele compra ações
em baixa e vende na alta. Surpreende que fórmula tão
simples só dê certo com ele. Aos 70 anos, Buffett
é dono de 28 bilhões de dólares e tem
hábitos estranhos para um bilionário. Vive na
casa que comprou por 30.000 dólares
há quarenta anos, dirige o próprio carro e já
avisou que deixará apenas 3 milhões de dólares
como herança para cada um dos três filhos. Quer
com isso incentivar o espírito empreendedor da prole.
Dono da Geico, uma das maiores empresas de seguros dos Estados
Unidos, e de parcelas significativas das ações
da Coca-Cola, Gillette, American Express e do jornal The
Washington Post, ele ficou na contramão dos investidores
endinheirados ao desconfiar das empresas de internet. "Não
coloco meu dinheiro naquilo que não entendo", dizia.
Hoje, com as ações dessas empresas em baixa,
está rindo sozinho.
A Executive Jet fez no ano passado 250 000 viagens para 92
países, inclusive o Brasil. Nos próximos três
anos, pretende começar a operar na América do
Sul e na Ásia. A taxa fixa no padrão Boeing
da NetJets custa 6,1 milhões de dólares. O cliente
ainda paga 900.000 dólares
a cada 100 horas voadas. A opção mais barata
é a do Cessna Citation S/II, para sete passageiros.
Custa 800.000 dólares, com
o adicional de 230.000 dólares
a cada 100 horas de vôo. Não é muito dinheiro
para o presidente de uma grande companhia, que precisa deslocar-se
com freqüência com sua equipe. Buffett costuma
confrontar os clientes em potencial com um cálculo
aritmético. Um jatinho para oito pessoas, como o Raytheon
Hawker 800 XP, do qual a Executive Jet tem 33 exemplares,
custa 12 milhões de dólares. O proprietário
tem de arcar com pesados custos de manutenção,
hangar, seguros, pilotos e combustível. Se voar de
cinqüenta a 400 horas por ano pela Executive Jet, vai
poupar dinheiro. "Não faz sentido investir um grande
volume de capital em um avião se você pode ter
o mesmo serviço por muito menos", diz Buffett. Partindo
do Midas moderno, é um raciocínio para ser levado
em conta.
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