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A voz se cala

Rádio do governo americano
fechará serviço em português



A Voz da América produz programas em 54 idiomas e estima seus ouvintes em 91 milhões. Com programas em 43 línguas, a BBC, de Londres, tem 153 milhões de ouvintes

O Brasil está prestes a ouvir o último som da Guerra Fria. Às vésperas de completar quarenta anos de transmissões diárias, o serviço brasileiro da Voz da América será desativado até agosto. O motivo do encerramento é o mesmo que levou o governo dos Estados Unidos a criá-lo, em 1941, durante a II Guerra: a necessidade de conquistar corações e ouvintes em países considerados essenciais para a diplomacia americana. Os recursos poupados com o fim do serviço brasileiro e de outros nove, quase todos em antigas repúblicas soviéticas, vão alimentar cinco novos serviços em língua árabe para serem ouvidos em lugares nos quais os Estados Unidos são vistos como vilão.

As transmissões em português do Brasil já tinham sofrido uma série de golpes. O primeiro foi o fim da Guerra Fria, que tornou obsoleta a propaganda ideológica gerada em Washington. Outro foi a aposentadoria dos aparelhos de rádio de ondas curtas, transformados em peça de museu pelo avanço tecnológico das transmissões por satélite. Desde 1994, quando cessaram as emissões por ondas curtas, 45 emissoras nacionais veiculavam os boletins gerados em Washington, além do editorial que espelha a opinião do governo americano. Quando o rádio de ondas curtas era um instrumento eficaz de informação e propaganda, o serviço brasileiro da Voz da América tinha público fiel – ainda que lhe faltasse a credibilidade que o jornalismo independente concede à BBC, rádio estatal inglesa. A equipe da Voz da América contava com vinte jornalistas, mantinha correspondentes na Europa e rivalizava com a Rádio Moscou. Agora são apenas nove jornalistas, entre eles o veterano locutor José Roberto Dias Leme, que participou da primeira transmissão. Todos serão demitidos.

 

   
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