Faxina
na ópera
De
caixa baixo e público envelhecido, as
companhias européias buscam alternativas
A
reforma demorou quatro anos e custou 300 milhões de
dólares. Ao ser reaberto em noite de gala há
cinco meses, com a presença da rainha Elizabeth II,
o Royal Opera House de Londres estava irreconhecível.
A reforma não apenas mudou bastante a fachada do teatro
centenário mas também ampliou o espaço
dedicado aos patrocinadores nos programas e nas instalações.
Até uma galeria foi batizada com o nome de um investidor
cubano-americano que doou 17 milhões ao projeto. Além
dos espetáculos tradicionais, o palco do Opera House
agora abriga companhias desconhecidas e experimentais. Na
hora do almoço, concertos gratuitos atraem jovens de
jeans e tênis. A nova estratégia do Royal Opera
House pode ser resumida em uma palavra: sobrevivência.
De Veneza a Berlim, as casas de ópera lutam para não
fechar as portas. Os teatros precisam de reforma, o público
está envelhecendo e chovem acusações
de elitismo. Não ajuda o excesso de salas de espetáculos.
Em Berlim, são três; em Paris, duas. O mais desesperador
é a total dependência do dinheiro público,
que anda minguado. O Estado cobre 40% das despesas do Royal
Opera House, 60% da Ópera de Paris e 80% da de Berlim.
Com um corte previsto na ajuda oficial, a Ópera de
Berlim já demitiu músicos e reduziu o número
de espetáculos. Nessas circunstâncias, aumentar
o preço do ingresso é puro suicídio.
A solução do Royal Opera House foi tentar copiar
o modelo americano. Nos Estados Unidos, a prática de
captar recursos na iniciativa privada é regra, não
exceção. Apenas 1% do orçamento do Metropolitan
Opera, de Nova York, vem dos cofres públicos. Outra
tentativa é a popularização. Destruído
por um incêndio em 1996, La Fenice passou a apresentar
suas óperas num estacionamento da periferia de Veneza,
reunindo multidões que nunca tinham pisado num teatro.
Na França, espetáculos em Paris conseguiram
reduzir a idade média do público de 49 anos
em 1997 para 45 em 1999. É um começo.
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