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Edição 2104

18 de março de 2009
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Sociedade
O tropeço do gigolô suíço

O chantagista que se infiltrou na alta sociedade
europeia e tentou arrancar 290 milhões de euros
da dona da BMW pega seis anos de prisão

Fotos Thomas Loanes/AFP e Oliver Lang/AFP

Golpe baixo
Sgarbi (à dir.) e Susanne: vídeo com cenas tórridas de sexo gravadas clandestinamente num hotel de Munique


Charmoso, culto, bem-educado e aparentando menos que seus 44 anos, o advogado suíço Helg Sgarbi não encontrou dificuldade para se infiltrar na alta sociedade europeia nos últimos anos. Também lhe foi fácil seduzir um punhado de mulheres milionárias e bem casadas, para depois chantageá-las com vídeos gravados clandestinamente que os mostravam em cenas de sexo. Sgarbi aplicou seu golpe com sucesso em duas mulheres e embolsou 2,4 milhões de euros. Até que escolheu a vítima errada – a mulher mais rica da Alemanha, Susanne Klatten, 46 anos, a principal acionista do império automobilístico BMW e dona de uma fortuna estimada em 10 bilhões de dólares. Diante da tentativa de chantagem, Susanne o denunciou à polícia. Na semana passada, Sgarbi, que ganhou da imprensa alemã o apelido de "gigolô suíço", foi condenado a seis anos de prisão por um tribunal de Munique. Na corte, ele admitiu prontamente que extorquia suas amantes, e pediu desculpas a elas.

Ao se aproximar de suas vítimas, Sgarbi inventava histórias fantasiosas, sempre destinadas a despertar uma ponta de compaixão. Numa delas, dizia ter nascido no Rio de Janeiro, de uma gravidez indesejada, e fora abandonado pelos pais aos 16 anos. À dona da BMW ele disse ser agente do serviço secreto suíço, sempre às voltas com missões arriscadas. Sgarbi e Susanne Klatten se conheceram em julho de 2007 num spa de luxo nos Alpes austríacos. Após dois meses de relacionamento, ele a convenceu a lhe emprestar 7 milhões de euros. O dinheiro se destinaria a um chefão da Máfia cuja filha ele afirmava ter atropelado nos Estados Unidos. Pouco depois, Sgarbi propôs a Susanne que abandonasse a família – o marido e três filhos – para iniciarem uma vida em comum. Como primeira providência, ela deveria abrir uma conta conjunta com ele no valor de 290 milhões de euros. Desconfiada, ela rompeu o relacionamento. Nesse ponto, começaram as chantagens com um vídeo gravado em um quarto de hotel em Munique.

O chantagista foi preso em janeiro do ano passado, no local combinado para que Susanne lhe entregasse os 14 milhões de euros que ele exigia para não divulgar a fita. Desde então, Sgarbi permanece preso na Alemanha. Até hoje, a polícia conseguiu recuperar 1,7 milhão de euros amealhados por ele com seus golpes. Agora, tenta descobrir onde está o resto do dinheiro. A resposta pode estar com Ernano Barretta, o italia-no responsável pela gravação dos ví-deos clandestinos e que foi preso junto com Sgarbi. Barretta, um ex-mecânico que chegou a fundar uma seita religiosa e hoje tem um hotel na costa do Adriático, foi extraditado para a Itália, onde permanece em prisão domiciliar. O gigolô suíço não tem mais a quem enganar.



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