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Sociedade O
chantagista que se infiltrou na alta sociedade
Ao se aproximar de suas vítimas, Sgarbi inventava histórias fantasiosas, sempre destinadas a despertar uma ponta de compaixão. Numa delas, dizia ter nascido no Rio de Janeiro, de uma gravidez indesejada, e fora abandonado pelos pais aos 16 anos. À dona da BMW ele disse ser agente do serviço secreto suíço, sempre às voltas com missões arriscadas. Sgarbi e Susanne Klatten se conheceram em julho de 2007 num spa de luxo nos Alpes austríacos. Após dois meses de relacionamento, ele a convenceu a lhe emprestar 7 milhões de euros. O dinheiro se destinaria a um chefão da Máfia cuja filha ele afirmava ter atropelado nos Estados Unidos. Pouco depois, Sgarbi propôs a Susanne que abandonasse a família o marido e três filhos para iniciarem uma vida em comum. Como primeira providência, ela deveria abrir uma conta conjunta com ele no valor de 290 milhões de euros. Desconfiada, ela rompeu o relacionamento. Nesse ponto, começaram as chantagens com um vídeo gravado em um quarto de hotel em Munique. O chantagista foi preso em janeiro do ano passado, no local combinado para que Susanne lhe entregasse os 14 milhões de euros que ele exigia para não divulgar a fita. Desde então, Sgarbi permanece preso na Alemanha. Até hoje, a polícia conseguiu recuperar 1,7 milhão de euros amealhados por ele com seus golpes. Agora, tenta descobrir onde está o resto do dinheiro. A resposta pode estar com Ernano Barretta, o italia-no responsável pela gravação dos ví-deos clandestinos e que foi preso junto com Sgarbi. Barretta, um ex-mecânico que chegou a fundar uma seita religiosa e hoje tem um hotel na costa do Adriático, foi extraditado para a Itália, onde permanece em prisão domiciliar. O gigolô suíço não tem mais a quem enganar.
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