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Internacional Adolescente
entra no colégio onde estudou
A chacina deixa pais e autoridades com a desconfortável sensação de impotência. Vasculhar a vida do assassino para dar um sentido ao crime absurdo muitas vezes é uma busca vã. Kretschmer tinha amigos, família abastada e estudava em uma escola profissionalizante. Era exímio no tênis de mesa. É fato que adorava Counter Strike, um videogame violento, mas isso não explica nada. "Tim não jogava mais no computador nem via mais televisão do que eu ou qualquer outro de meus amigos", afirmou um de seus ex-colegas à revista alemã Der Spiegel. Seu único sinal de alerta foi um surto depressivo, no ano passado. Provavelmente não por coincidência, uma de suas vítimas trabalhava na clínica psiquiátrica em que ele fizera o tratamento. O problema não é o excesso de armas, como nos Estados Unidos. A legislação alemã restringe com rigor a posse de armas de fogo. A Beretta 9 milímetros usada pelo adolescente pertencia a seu pai, frequen-tador de um dos inúmeros clubes de tiro na Alemanha rural. Em sua casa havia dezesseis armas guardadas em um cofre, e Kretschmer usou a única disponível, deixada em uma gaveta no quarto do pai. O crime brutal ressoou pela Europa, que sempre viu ataques às escolas como típicos dos Estados Unidos. Já não é assim. Foi depois do massacre na escola Columbine, há dez anos, em que dois adolescentes americanos vestidos de preto assassinaram treze colegas antes de cometer suicídio, que crimes parecidos se tornaram mais frequentes na Europa. A Finlândia já contabiliza dois e a Alemanha viveu agora o terceiro. Uma explicação seria o efeito imitação. "Esse é um crime de alto impacto, que pode levar pessoas com perturbações psicológicas a imitá-lo", diz o psiquiatra forense José Geraldo Taborda, de Porto Alegre. "O problema é que quase nada pode ser feito para contê-lo."
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