|
Economia O governo tenta aliviar os efeitos da crise sobre trabalhadores e empresas, mas sem atacar os problemas estruturais da economia
Nesse contexto, destaca-se o reforço do papel dos bancos públicos, e em particular do BNDES, como emprestador de último recurso para as empresas. O quadro abaixo mostra que o ritmo de crescimento do crédito estatal mais que dobrou em 2008, enquanto os bancos privados pisaram no freio. Em um panorama de retração geral do crédito, em especial das linhas externas, é saudável que as empresas possam recorrer ao BNDES e a outros cofres estatais. Mas é preciso ter a clareza de que se trata de um remendo de emergência cujos benefícios são acessíveis apenas a empresas de grande porte. As pequenas e médias empresas, que criam mais de 60% de todos os empregos formais no Brasil, continuam sem crédito. Está-se longe da normalização que reabrirá o caminho para a captação de recursos no mercado de ações. "As gigantes brasileiras, que se capitalizavam por oferta pública de ações ou no mercado externo, migraram para o mercado interno e passaram a ter prioridade nos bancos", diz o economista Bruno Rocha, da consultoria Tendências. Os bancos comerciais, intermediários das empresas menores em operações junto ao BNDES, continuam avessos à aprovação de projetos, em decorrência do cenário de incerteza global. Para o economista Carlos Langoni, diretor do Centro de Economia Mundial da Fundação Getulio Vargas, além de aumentar a oferta de crédito em instituições oficiais, o governo deveria atacar mais vigorosamente os desarranjos estruturais. Só assim haveria incentivo real e durável para a retomada de investimentos. Uma reforma tributária que reduza a brutal carga de impostos que vigora no Brasil seria mais saudável e efetiva que o aumento circunstancial do crédito oficial. O mesmo raciocínio vale para a melhoria dos marcos regulatórios dos setores de infraestrutura, principalmente energia, saneamento, petróleo e gás. Com ações assim, o Brasil poderia retomar o crescimento em bases mais sólidas e, ao mesmo tempo, escapar da leviana noção em voga segundo a qual economia agora é assunto de estado e não mais do mercado.
|
|
VEJA | Veja São Paulo | Veja Rio | Expediente | Fale conosco | Anuncie | Newsletter | ![]() |
|