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18 de fevereiro de 2009
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Brasil
A ÉTICA DO ARMÁRIO

O corregedor perde o posto, mantém o mandato e mostra que,
no Congresso, algumas coisas só devem ser feitas às escondidas


Diego Escosteguy

Fotos Andre Dusek/AE
DESLIZE O deputado Edmar Moreira só se deu mal porque quis assumir um posto de destaque

Na Câmara, todo mundo conhece o deputado Edmar Moreira, do Democratas de Minas Gerais. Em Brasília desde 1991, ele cumpre seu quarto mandato. Há dez anos sabe-se que o deputado é dono de um castelo avaliado em 25 milhões de reais e, em 2006, descobriu-se que ele tocou o apito do trem da absolvição dos mensaleiros no Conselho de Ética. Até o dia 2 deste mês, seus colegas aprovavam a tal ponto esse currículo que o elegeram corregedor da Câmara. Logo após assumir o posto, ele demonstrou por que era admirado: "Acusações contra deputados devem ser tratadas na Justiça, que é o foro competente para isso". Moreira, frise-se, limitou-se a expressar em público o que a maioria dos deputados pensa em privado. A sinceridade e a impudência das suas palavras chocaram até mesmo quem está acostumado a esperar pouco da Câmara. Houve manifestações de indignação que acabaram forçando uma encenação controlada: os democratas ameaçaram pedir o mandato de Edmar e o presidente da Câmara, Michel Temer, prometeu fortalecer a corregedoria. Subitamente, ninguém sabia mais quem era o deputado Edmar Moreira. Na semana passada, diante da pressão da opinião pública, ele renunciou ao cargo de corregedor e pediu a desfiliação do Democratas – e vai seguir a vida como nobre deputado, com seu castelo e seus processos.

NOVO CORREGEDOR
O deputado ACM Neto promete ser rigoroso com desvios.
Será mesmo?

O caso reforça mais uma vez que o Parlamento é capaz de tolerar todo tipo de ilegalidade e abuso, desde que feitos discretamente, na moita – afinal, se o público souber, o castelo poderá cair. E, obedecendo à lei da camaradagem, se cair, cairá somente pela metade: o infrator perderá a sinecura, mas manterá o mandato. Correm esse risco os parlamentares que, a exemplo de Edmar Moreira, topam assumir cargos na direção do Congresso e, assim, permanecer sob o escrutínio da imprensa. Foi assim com senadores como Renan Calheiros e Jader Barbalho, ambos do PMDB, inconvenientes para presidir o Senado, mas nem tanto para continuar representando os eleitores. O que explica a força desse corporativismo sem limites, que consegue superar o clamor da opinião pública e manter os parlamentares constantemente alheios aos valores éticos mais elementares, como a integridade e a probidade? "Moreira foi eleito pelo favor, por ter ajudado na absolvição dos mensaleiros, e teve o mandato também salvo pela prática do favor. O favor é o único meio de mediação de poder na classe política", diz a filósofa Maria Sylvia de Carvalho Franco, da Unicamp. Alguns parlamentares debocham da plateia porque sabem que se manterão no poder, porque sabem que a plateia deixa.



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