Edição 1841 . 18 de fevereiro de 2004

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CINEMA

Confidence – O Golpe Perfeito (Confidence, Estados Unidos/Canadá/Alemanha, 2003. Em cartaz a partir de sexta-feira) – Jake (Edward Burns) e sua trupe são golpistas consumados. O que não significa que não cometam erros – como roubar o senhor King (Dustin Hoffman), um gângster notoriamente vingativo, ou recrutar uma desconhecida (Rachel Weisz) para um golpe arriscado com o qual pagarão a King a quantia devida. Existe também a possibilidade, claro, de que nem tudo isso seja fruto de erro. Como Jake explica em sua narração, o tipo de crime que ele pratica requer o intelecto de um enxadrista, capaz de antever todos os movimentos de uma partida antes mesmo que ela tenha começado. Dirigido com mão firme e criatividade por James Foley, Confidence tem justamente na frieza – do roteiro e dos personagens – seu ponto mais envolvente.

 

LIVROS

Família, de Natalia Ginzburg (tradução de Joana Angélica D'Ávila Melo; José Olympio Editora; 142 páginas; 24 reais) – A escritora italiana Natalia Ginzburg (1916-1991) dedicou boa parte de sua obra a criticar, a partir de uma perspectiva essencialmente intimista, códigos de conduta rígidos que observava entre seus conterrâneos. Os dois contos de Família, lançado originalmente em 1977, tratam da solidão. No primeiro, um arquiteto e uma tradutora, namorados de adolescência, encontram-se na tentativa de recuperar o amor passado. Burguesia, o conto seguinte, mostra o drama da viúva Ilaria, que ganha de presente um gato siamês e pensa que o animal irá aplacar sua solidão. Um prenúncio de decepção pesa sobre as duas histórias. Leia trecho do livro.

Homens, de Marilia Pacheco Fiorillo (Editora Arx; 120 páginas; 22 reais) – Para quem deseja entender o que se passa na cabeça das mulheres, a estréia literária de Marilia Pacheco Fiorillo, colaboradora de VEJA, é uma aula deliciosa. Lançado originalmente em 1994, Homens apresenta três histórias em que as mulheres testam suas fórmulas de sedução. No primeiro conto, uma aluna de caratê conquista o professor, "um homem de verdade", e não um insípido espécime da classe dos "sensíveis". O charme da narrativa está na maneira como são descritas as estratégias adotadas pela heroína, já que o tal professor é do tipo estóico-oriental e fala pouquíssimas palavras em português. O segundo conto narra uma história de amizade que termina em sexo. O último transcorre em ritmo de fábula para mostrar uma princesa e uma mulher de fechar o comércio às voltas com um monstro e um asno.

 
Juan Esteves
D'Avila: estudo sobre o papel das elites  

Dona Veridiana, de Luiz Felipe D'Avila (A Girafa; 471 páginas; 56 reais) – Qual o papel das elites na condução de um país? Essa pergunta está no centro do livro de Luiz Felipe D'Avila, que é cientista político, jornalista e diretor da Editora Abril. Em vez de abordar o seu tema num ensaio teórico, o autor achou melhor fazê-lo narrando a trajetória da família paulista Silva Prado, que esteve entre as mais influentes do país do começo do século XIX ao começo do século XX. A heroína dessa saga é dona Veridiana (1825-1910), que por mais de três décadas exerceu o comando de um núcleo familiar que contava com empresários, estadistas e intelectuais de sucesso. Veridiana conduziu negócios e foi mecenas das artes e da cultura. Era uma mulher que não se curvava às convenções. Separou-se do marido em meados da década de 1870, para escândalo da sociedade paulista. Aos filhos, contudo, dedicou imensos cuidados, educando-os para que zelassem pelos interesses dos Prado e, ao mesmo tempo, fossem capazes de exercer papéis de destaque na vida pública. "Veridiana", escreve D'Avila, "intervinha de forma enérgica na vida dos filhos quando eles davam sinais de que pretendiam trocar o papel de líderes na comunidade pela reclusão confortável da vida privada". Segundo o autor, a matriarca tinha no mais alto teor o sentido de missão e liderança cívica que caracteriza as boas elites – e é isso que a torna uma figura exemplar.

DVDs

Warner Bros
Turista: o sentido de estar vivo


O Turista Acidental
(The Accidental Tourist, Estados Unidos, 1988. Warner) – Escrever guias de viagem para quem odeia viajar é o ofício de Macon Leary (William Hurt), um homem cuja incomunicabilidade se agravou ao ponto do mutismo desde a morte de seu filho. Separado da mulher (Kathleen Turner), Macon assiste, atônito, aos esforços da treinadora de cães Muriel (Geena Davis) para entrar em sua vida. Nem ele quer abrir espaço para um relacionamento, nem ela, menos instruída e sofisticada, parece ser a candidata ideal. O ideal, entretanto, tem muito pouco a ver com o sentido de estar vivo, é o que argumenta esse filme do tempo em que Lawrence Kasdan era um cineasta a ser apreciado, e não o diretor de O Apanhador de Sonhos.

Greatest: the DVD, Duran Duran (EMI) – Poucos se beneficiaram tanto da indústria do videoclipe quanto os ingleses do Duran Duran. Surgido nos anos 80, num momento em que as gravadoras gastavam fortunas para criar clipes, eles usaram e abusaram do recurso, filmando em locais exóticos da África e da Ásia e fazendo pose ao lado de modelos exuberantes. Musicalmente, o Duran Duran não chegava a fazer feio: combinava o lado chique de grupos como Roxy Music com a música funk. Greatest traz os principais clipes gravados entre os anos 80 e 90 – como o da balada Save a Prayer –, além das versões sem censura dos vídeos de Girls on Film e The Chauffeur, proibidas em diversos países porque muito eróticas.

 

DISCOS

Santa Música, Erasmo Carlos (Indie Records) – Parceiros de longa data, Roberto e Erasmo Carlos têm seguido caminhos distintos nos últimos anos. Roberto chora de saudade da mulher, Maria Rita, morta em 1999, e recheia seus discos com odes à amada. Erasmo experimenta novos parceiros, como Marisa Monte e Roberto Frejat, e mantém-se fiel a sua imagem de roqueiro. O resultado artístico dos discos de Erasmo tem superado o dos lançamentos sorumbáticos de Roberto. Santa Música foi composto inteiramente por Erasmo e vai do funk às canções românticas, passando pelo rock'n'roll. O destaque do disco é a dançante Tim, homenagem do Tremendão ao cantor e amigo Tim Maia.

Power to Believe, King Crimson (BMG) – Robert Fripp, guitarrista e líder do King Crimson, costuma dizer que "faz música para a cabeça, não para os pés". Traduzindo, suas composições possuem harmonias tão ricas que parecem ter sido criadas após um longo cálculo matemático. O King Crimson surgiu na Inglaterra, em 1969, e passou por diversas formações – a atual inclui, além de Fripp, o cantor e guitarrista Adrian Belew. Ex-integrante das bandas de Frank Zappa e David Bowie, Belew atua como contraponto das experimentações sonoras de Robert Fripp. É ele quem tempera as intrincadas faixas instrumentais de Power to Believe com baladas (Eyes Wide Open) e rocks para encher a pista (Happy with What You Have to Be Happy With).

 

 

Fontes: São Paulo: Cultura, Laselva, Saraiva, Livraria da Vila, Fnac, Nobel, Siciliano; Rio: Saraiva, Nobel, Laselva, Sodiler, Siciliano, Argumento, Travessa; Porto Alegre: Saraiva, Nobel, Livraria Ed. Porto Alegre, Siciliano, Livrarias Porto; Brasília: Sodiler, Nobel, Siciliano, Saraiva, Livraria Leitura; Recife: Sodiler, Nobel, Saraiva, Siciliano; Natal: Nobel, Sodiler; Florianópolis: Siciliano, Livrarias Catarinense; Goiânia: Siciliano, Nobel, Saraiva; Fortaleza: Siciliano, Laselva, Nobel; Salvador: Siciliano; Curitiba: Siciliano, Saraiva, Livrarias Curitiba; Belo Horizonte: Siciliano, Nobel, Leitura; Maceió: Sodiler, Nobel; Belém: Nobel, Laselva.
 
 
 
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