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Família
A
tirania adolescente
Fotos Pedro Rubens
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Até
poucas décadas atrás, os pais educavam seus filhos
com base numa regra simples: cabia a eles exercer sua ascendência
sobre a prole de maneira inquestionável, pois como
diziam os avós dos adultos de hoje criança
não tinha direito nem querer. Muita coisa mudou desde então.
Com a revolução comportamental dos anos 60, a difusão
dos métodos pedagógicos modernos e a popularização
da psicologia, a liberdade passou a dar o tom nas relações
entre pais e filhos. A tal ponto que hoje se vive o oposto da rigidez
que pontificava antes disso: em muitos lares, os pais é que
se sentem desorientados e os filhos, na ausência de quem estabeleça
limites à sua conduta, assumiram o papel de tiranos. Trata-se
de uma bomba-relógio que começa a ser gestada cedo,
mas cujos efeitos se agudizam na adolescência. É nesse
período que os pais se sentem mais confusos sobre seu papel.
A questão se tornou tão séria que uma tendência
que representa um certo refluxo na maneira de pensar a educação
dos jovens vem ganhando cada vez mais força. "Chegamos a
uma situação-limite. Está na hora de os pais
recuperarem sua auto-estima e sua autoridade", diz a educadora carioca
Tania Zagury, uma das mais conhecidas autoras da área. Em
seu novo livro, Os Direitos dos Pais (Record; 206 páginas;
25 reais), ela defende que práticas que andavam esquecidas
na educação dos filhos sejam resgatadas, em nome do
futuro do próprio jovem e da sociedade.
Até
meados dos anos 60, as regras dentro de casa eram impostas implacavelmente
aos jovens. Hoje, é prática corrente estabelecê-las
de comum acordo entre pais e filhos. Antes, os pais davam broncas,
punham os filhos de castigo e cortavam regalias porque era assim
que as coisas funcionavam, e ponto final. Hoje, cada sanção
precisa ser acompanhada de boas justificativas e haja suor
e lábia para dar 200 explicações. Um dos motivos
disso é que os jovens atuais são muito bem informados.
Outro dado é que eles nasceram num ambiente já bastante
marcado pela educação liberal seus próprios
pais gozaram de boa dose de liberdade quando adolescentes. Nessas
condições, é natural que estabelecer limites
de conduta se transforme numa tarefa difícil. O que Tania
defende não é uma volta à educação
rígida de antigamente, e sim a busca de um ponto de equilíbrio
que se perdeu em algum momento entre o fim dos anos 70 e a atualidade.
Tania Zagury
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PAIS
E AUTORIDADE
A educadora Tania Zagury: "Muitos pais acham que
dar tudo de mão beijada aos filhos é uma maneira
de fazê-los felizes, o que não é verdade"
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É certo que as metodologias pedagógicas modernas
novidades surgidas nas primeiras décadas do século
XX e que ganharam popularidade no Brasil sobretudo a partir dos
anos 70 representaram um avanço em relação
ao passado. As idéias de teóricos como a médica
italiana Maria Montessori e o psicólogo suíço
Jean Piaget fizeram com que, nas escolas e, por tabela, no ambiente
doméstico, se passasse a respeitar a individualidade do jovem
e se enfatizasse sua liberdade. Nos últimos anos, com a confirmação
dessas teorias educacionais à luz das descobertas da neurologia,
os ensinamentos de Piaget, em particular, vêm sendo ainda
mais valorizados. Sua metodologia, o construtivismo, preconiza que
o aprendizado não é algo que se impõe de fora:
é a própria criança quem constrói seu
conhecimento. O problema é que a vulgarização
do construtivismo e de outras teorias do gênero deu margem
a interpretações equivocadas. Formou-se um caldo de
cultura, por assim dizer, em que flutuam fragmentos teóricos
da psicologia moderna. Os pais utilizam esses fragmentos fora de
seu contexto adequado e muitas vezes com exagero. "Houve uma leitura
muito equivocada de certos avanços modernos", afirma o educador
Celso Antunes, autor de quatro dezenas de livros sobre o assunto.
À idéia de que a liberdade é a melhor resposta
em todas as situações, somam-se culpas cultivadas
pelos pais. Por trabalhar e passar pouco tempo com os filhos, é
comum que um casal se torne permissivo com os desejos dos jovens
para compensar essa ausência.
Às
vezes não é o uso indevido da psicologia moderna nem
a culpa que causam o estrago: é o desejo de fugir da tarefa
difícil que é educar um adolescente. Alguns pais usam
a falta de tempo como subterfúgio. Outra rota de fuga é
aquilo que os educadores convencionaram chamar de "medicalização"
da adolescência: ao menor sinal de que alguma coisa está
fora dos eixos, os pais correm para um consultório, em vez
de tomar eles próprios as rédeas da situação.
É claro que existem situações que pedem o apoio
de um médico. Do ponto de vista biológico, nenhuma
época da vida é marcada por tantas mudanças.
A Organização Mundial da Saúde estabelece que
a adolescência compreende a faixa etária entre 10 e
19 anos. É nessa fase que se adquirem 25% da estatura final
e 50% do peso total. Nesse processo, meninos e meninas experimentam
uma verdadeira explosão hormonal. Entre 11 e 12 anos, acontece
a primeira menstruação as garotas ficam mais
irritadiças e o humor oscila muito. A cintura afina, os quadris
alargam e, por volta dos 15 anos, os seios ganham formas definitivas.
O primeiro sinal de que a puberdade chegou para os meninos é
o aumento de tamanho dos testículos. Mãos e pés
crescem desproporcionalmente ao tronco e surgem os primeiros pêlos
pubianos. A voz começa a engrossar e, por volta dos 14 anos,
o rosto ganha uma barba rala. Do ponto de vista emocional, o adolescente
é um vulcão. Ele ainda não sabe o que quer
ser, mas tem certeza dos modelos em que não gostaria de se
espelhar: os adultos que o circundam, em especial os pais. Nas diversas
subfases que se sucedem na adolescência, ele alterna momentos
de agressividade, egocentrismo, insegurança e completa falta
de senso de perigo. Até duas décadas atrás,
acreditava-se que a causa do comportamento impulsivo do adolescente
era simplesmente a ebulição hormonal própria
do processo de crescimento. Com os novos conhecimentos sobre o funcionamento
do cérebro, refinou-se essa explicação: a raiz
de toda essa instabilidade estaria no fato de a adolescência
ser um período de muitas mudanças cerebrais. Pesquisas
recentes mostram que nessa fase se formam novas conexões
neuronais, principalmente em áreas do cérebro ligadas
às emoções.
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Por
causa desses fatos todos, existem hoje médicos especializados
no atendimento aos adolescentes, os hebiatras (o nome é uma
referência a Hebe, a deusa da juventude na mitologia grega).
A especialidade, que começou a ganhar corpo na década
de 50, nos Estados Unidos e na Inglaterra, foi reconhecida pela
Associação Médica Brasileira há seis
anos. Crescimento, nutrição e sexualidade são
alguns dos aspectos enfocados pelos hebiatras. Mal orientados, muitos
garotos recorrem à musculação para ganhar um
corpo perfeito, mas o exagero pode atrapalhar o crescimento. As
meninas, influenciadas pelos modelos de beleza do momento, muitas
vezes partem para dietas radicais e ficam sujeitas a distúrbios
alimentares graves, como a anorexia e a bulimia. Um hebiatra pode
ajudar os adolescentes em questões específicas. Há
pais, no entanto, que encaminham os filhos para o consultório
médico por motivos banais como uma crise de insolência
na escola. "No fundo, o que eles procuram é se livrar do
problema. Querem uma justificativa externa para o mau comportamento
dos filhos e têm a falsa idéia de que dois comprimidos
por dia resolvem qualquer problema", afirma o psiquiatra Francisco
Assumpção, da Universidade de São Paulo. Mesmo
doenças como a bulimia ou a anorexia podem ter seu surgimento
relacionado à omissão dos pais. Com medo de parecerem
repressores, muitos fazem vista grossa à recusa de seus filhos
em comer.
Acreditar que a escola possa assumir sozinha o papel de educar os
adolescentes é uma saída pela tangente bastante comum.
A permissividade chegou a um ponto em que os próprios colégios
estão tendo de chamar a atenção dos pais para
seus deveres. Nos últimos tempos, um dos colégios
mais liberais de São Paulo viu-se obrigado a retomar práticas
tidas como ultrapassadas para colocar os alunos e seus pais
na linha. Ao perceber que muitos estudantes saudáveis
conseguiam dispensa das aulas de educação física
graças a atestados obtidos com a conivência dos pais,
a direção da instituição estabeleceu
que quem decide sobre a concessão ou não da licença
é só o médico da escola. Resultado: desde que
a regra foi adotada, nenhum aluno conseguiu escapar da educação
física. Outra medida foi reeditar a exigência do uniforme,
já que o pessoal andava se vestindo como se estivesse num
clube: as meninas apareciam de top e blusas decotadas e os garotos,
de camiseta regata, chinelo e bermudão.
As
conseqüências da omissão dos pais na educação
podem ser graves. Dados do Ministério da Saúde mostram
que mais de 20% das garotas entre 13 e 19 anos já enfrentaram
uma gravidez precoce. Por outro lado, uma pesquisa recente revelou
que um em cada quatro estudantes do ensino fundamental e médio
da rede pública brasileira já experimentou algum tipo
de droga, além do cigarro e das bebidas alcoólicas.
Em apenas uma década, a idade do primeiro contato com esse
tipo de substância caiu dos 14 para os 11 anos. Mesmo que
não ocorram desastres, as conseqüências para o
futuro podem ser sérias. Jovens educados de maneira negligente
correm o risco de se tornar adultos infelizes e desajustados. A
falta de limites faz com que muitas vezes essas pessoas se revelem
inaptas para lidar com os reveses e frustrações naturais
da vida. Elas têm dificuldades para se relacionar em ambientes
marcados por hierarquias (como o trabalho) e, em muitos casos, não
conseguem nem mesmo se emancipar tanto do ponto de vista
emocional quanto do financeiro. "Muitos pais acham que dar tudo
de mão beijada para os filhos é uma maneira de fazê-los
felizes, o que não é verdade. Quando saem do ninho,
esses jovens se sentem atraiçoados pela vida, pois não
desenvolveram defesas para enfrentar o mundo", diz Tania. É
certo que, com força de vontade, um adulto pode superar esses
problemas. Mas uma boa educação na infância
e adolescência o pouparia dessas dificuldades.
É
claro que boa parte dos pais percebe que muita coisa vai mal na
educação de seus filhos. Eles não querem fugir
de suas responsabilidades nem delegá-las a outros. Prova
disso é que a demanda por aconselhamento deu origem a um
filão lucrativo no mercado editorial de auto-ajuda. Os principais
representantes do ramo no país são a própria
Tania Zagury e o psiquiatra paulista Içami Tiba. A eles somam-se
autores estrangeiros como o inglês Steve Biddulph, cujo manual
Criando Meninos se tornou um campeão de vendas nas
livrarias. Desde 1985, Tania lançou dez livros, que totalizam
mais de 300.000 exemplares vendidos.
Faz cerca de oito palestras por mês, com cachê médio
de 2.000 reais. Tiba, por sua vez, também
tem dez obras publicadas na área e já dobrou a marca
de 1 milhão de exemplares comercializados seu mais
recente lançamento, Quem Ama, Educa!, figura na lista
de mais vendidos de VEJA há 58 semanas. Desde o fim dos anos
80, tanto Tania quanto Tiba vêm batendo na tecla de que é
preciso resgatar a autoridade dos pais na educação
dos adolescentes.
Em Os Direitos dos Pais, Tania Zagury trabalha com dois conceitos.
O primeiro se refere ao fato de que, por mais que se fale nos direitos
sagrados das crianças e dos adolescentes, não se pode
perder de vista que a cada direito corresponde um dever. "Perdeu-se
a noção de reciprocidade", diz ela. Os pais são
obrigados a bancar a melhor educação escolar para
os filhos? Então estes últimos também terão
sua contrapartida: devem esforçar-se para passar de ano.
O filho ganhou um carro ao entrar na faculdade, mas logo em seguida
desistiu do curso sem mais nem menos? Então não será
uma injustiça ele perder sua regalia de andar motorizado.
Os pais precisam aceitar a idéia de que ao tomar esse tipo
de atitude não vão fragilizar seus filhos muito
pelo contrário.
O outro conceito de que trata a autora é aquele explicitado
no subtítulo de seu livro, Construindo Cidadãos
em Períodos de Crise. Os pais precisam, com urgência,
ter seu papel regulador revalorizado, para que possam desempenhar
sem culpa nem constrangimento a função
de moldar seus filhos para ser verdadeiros cidadãos. "O mundo
que estamos construindo será constituído de indivíduos
semelhantes àqueles que estamos criando em nossos lares.
Portanto, é bom não pensarmos somente no prazer imediato
de nossos filhos e adotarmos uma postura sociológica, pensando
no global da sociedade", escreve Tania. No livro, ela ensina que
uma ótima oportunidade para transmitir valores é o
momento em que os pais vêem TV com os filhos. "Os pais não
devem desperdiçar nenhuma deixa para estimular o espírito
crítico dos adolescentes", diz Tania.
Um adolescente típico carrega sempre na ponta da língua
munição para atacar os pais quando estes tentam colocá-lo
na linha: chama-os de "caretas", repressores e por aí afora.
Ele vive encastelado em seu quarto uma fortaleza indevassável,
em que os pais comumente têm sua entrada vetada. Uma pesquisa
da MTV revelou que o quarto de um adolescente brasileiro de classe
média ou alta é equipadíssimo: a maioria possui
aparelho de som, metade tem TV e um quarto deles, computador. O
conselho da autora é que se enfrente essa resistência:
se os pais chegarem à conclusão de que há algo
estranho acontecendo como, por exemplo, o envolvimento do
jovem com drogas , eles têm o direito, sim, de entrar
em seu quarto sem autorização e até remexer
em seus pertences (veja
quadro). Tania também tranqüiliza aqueles
pais que não sabem onde se enfiar quando o filho comunica
que a namorada vai dormir com ele em casa ou vice-versa um
tipo de comportamento tolerado por 25% das famílias. "Se
os pais se sentirem constrangidos com a situação,
não precisam aceitar só porque os pais dos amigos
do filho o permitem. Eles têm todo o direito de dizer um não
bem redondo", diz Tania. Antes, os pais não falavam sobre
sexo com os filhos. Às vezes lhes passavam manuais sobre
o tema escritos por religiosos, alertando-os para os perigos da
masturbação (uma evidente bobagem) e a necessidade
de manter a virgindade das moças. Outros entregavam o garoto
adolescente aos cuidados de uma profissional do sexo. Hoje, a conversa
sobre o tema costuma ser aberta e sem ranço religioso
os adolescentes é que passaram a fugir dessas ocasiões,
por considerá-las uma chatice. Tania sugere que eles sejam
obrigados a ouvir o que os pais têm a dizer, ainda que façam
birra. Todos esses enfrentamentos são difíceis, mas
não há outro jeito. A título de se colocarem
como "amigos" dos filhos, muitos pais acabam sendo cúmplices
de erros que em nada contribuem para a formação deles.
Nunca custa lembrar: a função do pai não é
ser amigo e confidente para isso, os adolescentes têm
suas turmas. Papel de pai é ser pai.
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O
Antigo Egito já reclamava deles
Os conflitos que marcam a adolescência sempre
existiram e sempre vão existir. A história
da cultura e das artes mostra que traços como
a impulsividade, a inquietação, a rebeldia
e o sentimento de que se pode mudar o mundo são
constantes nessa fase da vida embora a resposta
a eles tenha variado muito. De todas as características
dos adolescentes, a rebeldia é, de longe, a que
mais recebeu atenção. Cinco mil anos atrás,
um egípcio exasperado mandou inscrever em sua
tumba as seguintes palavras: "Os jovens já não
respeitam os mais velhos. Eles se tornaram impertinentes
e perderam toda a noção de comedimento".
Na Grécia, onde o tema da educação
ocupou os melhores cérebros, o filósofo
Sócrates refletiu longamente sobre o desdém
que os adolescentes mostravam pela autoridade. Essas
reprimendas aos rebeldes ecoaram pelos séculos
sem interrupção. As coisas começaram
a mudar com os românticos, no século XIX,
mas só no século XX se operou uma transformação
de alcance universal. A rebeldia adolescente tornou-se
algo a ser compreendido e até exaltado.
Formas de cultura popular como o cinema e o rock se
alimentaram dessa idéia. Juventude Transviada,
de 1955, é um marco nessa virada. A fita glamorizou
o inconformismo e produziu um ícone: o ator James
Dean. Na música pop, o terreno foi desbravado
pelo roqueiro Elvis Presley, mas foi nos Rolling Stones
que a rebeldia adolescente encontrou sua melhor personificação.
Os integrantes da banda eram tudo o que os pais dos
anos 60 odiavam. O último passo nesse caminho
foi a mercantilização da rebeldia: hoje,
ídolos como Eminem ou Britney Spears nem precisam
ser rebeldes, basta que pareçam ser.
As imagens mais complexas da adolescência foram
captadas na literatura. Romeu e Julieta, de Shakespeare,
é um dos mais belos textos já escritos
sobre o tema. No centro da história está
um amor que arrebata o corpo e o espírito dos
protagonistas, e ao qual eles se entregam de modo incondicional.
Quando um padre tenta despertar a razão de Romeu,
sua resposta é que ninguém tão
velho poderia entender o estado em que ele se encontrava.
Shakespeare reconhece a beleza desse enlevo, mas não
deixa de zombar da intensidade de um personagem que
hoje chamaríamos de "aborrescente". O mais célebre
romance adolescente do século XX é O
Apanhador no Campo de Centeio. Escrito em 1951 pelo
americano J.D. Salinger, o livro conta a história
de Holden Caulfield, um garoto de 16 anos que foge do
colégio num feriado para encontrar seu lugar
no mundo e tentar perder a virgindade. Caulfield lança
um olhar crítico sobre o cosmo, e se angustia
com a "falsidade" de tudo. A explosão da adolescência
já resultou em obras-primas. Basta lembrar de
Arthur Rimbaud (1854-1891). Até os 21 anos ele
escreveu versos que estão entre os mais perfeitos
da língua francesa. Depois, calou-se para sempre.
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Com reportagem de
Anna Paula Buchalla
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