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Carta
ao leitor
Abre-se
uma clareira
AP
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| Greenspan:
o ogro do realismo previu tempos melhores |
O presidente do banco central americano, Alan Greenspan, em seu
pronunciamento mais otimista dos últimos anos, diagnosticou
que a economia de seu país passa por um momento de "crescimento
robusto e sustentado". Como o realismo de Greenspan sempre tende
para o pessimismo, há bons motivos para acreditar que sua
visão animadora de agora seja mesmo o prenúncio de
que a locomotiva americana vai de novo puxar o crescimento econômico
do planeta. As implicações de uma retomada nos Estados
Unidos são muito positivas para o mundo. Há algum
tempo, a economia americana, a asiática e a européia
funcionam como um sistema interligado. Portanto, é previsível
que depois de anos de crescimento medíocre a economia mundial
acelere o ritmo, aumentando a capacidade de importar e retomando
o gosto pela exportação de capitais.
Para
o Brasil, em especial, a perspectiva real de aquecimento econômico
planetário abre uma nova janela de oportunidades. Está-se
de novo diante de uma daquelas clareiras de tranqüilidade no
campo externo tão necessárias para que o país
tome fôlego. Essa trégua precisa ser aproveitada com
agilidade, pois, como se sabe, muitas vezes a economia teima em
comportar-se diferentemente do que foi previsto. O Brasil tem tudo
para, desta vez, explorar melhor a chance. Os sinais disso são
claros. No campo externo, já se foi o tempo em que a economia
brasileira era confundida com a da América Latina, deixando-se
contaminar especialmente pelas infelicidades da Argentina. Agora,
enquanto o vizinho perdeu o crédito e enfrenta pressão
dos países ricos para honrar sua dívida externa, o
Brasil vem tomando dinheiro e pagando taxas mais baixas a cada negociação.
No campo interno, o governo dissipou as dúvidas sobre seu
compromisso com as regras consagradas da condução
financeira do país.
O
que falta? Falta livrar-se dos planos mirabolantes e da idéia
de que é preciso um ministério para resolver cada
problema do país. Os exemplos mundiais bem-sucedidos de boa
governança apontam para o rumo contrário. Os países
que mais avançam estão cuidando de simplificar a burocracia,
melhorar o quadro regulatório, reduzir o custo da intermediação
financeira e aliviar o peso do Estado sobre as costas do setor privado.
É assim que eles estão atraindo a atenção
de donos do dinheiro em busca de onde investir. O Brasil deveria
fazer o mesmo.
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