Edição 1841 . 18 de fevereiro de 2004

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Carta ao leitor
Abre-se uma clareira

AP
Greenspan: o ogro do realismo previu tempos melhores


O presidente do banco central americano, Alan Greenspan, em seu pronunciamento mais otimista dos últimos anos, diagnosticou que a economia de seu país passa por um momento de "crescimento robusto e sustentado". Como o realismo de Greenspan sempre tende para o pessimismo, há bons motivos para acreditar que sua visão animadora de agora seja mesmo o prenúncio de que a locomotiva americana vai de novo puxar o crescimento econômico do planeta. As implicações de uma retomada nos Estados Unidos são muito positivas para o mundo. Há algum tempo, a economia americana, a asiática e a européia funcionam como um sistema interligado. Portanto, é previsível que depois de anos de crescimento medíocre a economia mundial acelere o ritmo, aumentando a capacidade de importar e retomando o gosto pela exportação de capitais.

Para o Brasil, em especial, a perspectiva real de aquecimento econômico planetário abre uma nova janela de oportunidades. Está-se de novo diante de uma daquelas clareiras de tranqüilidade no campo externo tão necessárias para que o país tome fôlego. Essa trégua precisa ser aproveitada com agilidade, pois, como se sabe, muitas vezes a economia teima em comportar-se diferentemente do que foi previsto. O Brasil tem tudo para, desta vez, explorar melhor a chance. Os sinais disso são claros. No campo externo, já se foi o tempo em que a economia brasileira era confundida com a da América Latina, deixando-se contaminar especialmente pelas infelicidades da Argentina. Agora, enquanto o vizinho perdeu o crédito e enfrenta pressão dos países ricos para honrar sua dívida externa, o Brasil vem tomando dinheiro e pagando taxas mais baixas a cada negociação. No campo interno, o governo dissipou as dúvidas sobre seu compromisso com as regras consagradas da condução financeira do país.

O que falta? Falta livrar-se dos planos mirabolantes e da idéia de que é preciso um ministério para resolver cada problema do país. Os exemplos mundiais bem-sucedidos de boa governança apontam para o rumo contrário. Os países que mais avançam estão cuidando de simplificar a burocracia, melhorar o quadro regulatório, reduzir o custo da intermediação financeira e aliviar o peso do Estado sobre as costas do setor privado. É assim que eles estão atraindo a atenção de donos do dinheiro em busca de onde investir. O Brasil deveria fazer o mesmo.

 
 
 
 
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