Edição 1939 . 18 de janeiro de 2006

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Divertimento
Ao sabor do vento

Velejar ficou mais fácil e barato. Hoje,
2,5 milhões de brasileiros praticam
o iatismo como forma de lazer


Tiago Cordeiro


Marco Antonio Rezende
A família Ferraz na Baía de Guanabara: "Nem é preciso competir"


NESTA REPORTAGEM
Quadro: Para todos os bolsos

EXCLUSIVO ON-LINE
Perfis de quem pratica iatismo

O Brasil sempre faz bonito nas competições internacionais de iatismo. Entre outras proezas, o país conquistou seis medalhas de ouro em Olimpíadas e o velejador paulista Robert Scheidt é oito vezes campeão mundial na categoria Laser. Mas a maioria dos brasileiros sempre enxergou o iatismo como um capricho de gente rica o suficiente para comprar um barco – considerado um símbolo de luxo – e se associar a um clube especializado para ancorá-lo. Essa concepção do esporte vem mudando. O último recenseamento dos praticantes de iatismo no Brasil, recém-concluído pela Federação Brasileira de Vela e Motor, revelou que eles já são 2,5 milhões, contra 1 milhão em 2000. No mesmo período, o número de velejadores que participam de competições oficiais de vela nos fins de semana saltou de 10.000 para 20.000.

As explicações para essa súbita paixão dos brasileiros pelos barcos a vela são basicamente econômicas. Os preços dos barcos esportivos fabricados no Brasil, em termos relativos, vêm caindo nos últimos anos. Segundo dados da indústria naval, a produção de veleiros e lanchas no país, impulsionada pela exportação, cresceu 11% ao ano entre 1997 e 2004, o que barateou o produto no mercado interno. Um veleiro Laser, categoria que conta com mais praticantes, custa menos que um carro popular (veja o quadro). Além disso, não é mais preciso desembolsar um dinheirão (em média 15.000 reais) para se tornar sócio de um iate clube. Muitos clubes criaram a figura do sócio-tripulante, que paga 400 reais por mês para deixar o barco ancorado em suas dependências. Há uma opção ainda mais em conta para guardar o barco. As escolas de iatismo – elas já são 300 no país – abrigam os veleiros de seus ex-alunos por 150 reais mensais. Para aprender a velejar um barco pequeno, é suficiente fazer um curso de doze horas, que custa em média 400 reais.

Edison Vara
O gaúcho Ramiro: inspiração em Robert Scheidt


"A vela é um estilo de vida, uma forma de entrar em contato com a natureza, e para apreciá-la nem é preciso competir", diz a estudante carioca Flavia Ferraz, de 23 anos, que todo fim de semana de sol passeia de veleiro pela Baía de Guanabara junto com as duas irmãs e os pais, Eduardo e Aneli Tisi Ferraz, ele, médico, e ela, fonoaudióloga. Outra fonte de incentivo ao iatismo no Brasil são os velejadores aventureiros. O paulista Amyr Klink e os catarinenses da família Schürmann, que já deram voltas ao mundo em embarcações a vela, fazem sucesso em terra firme com livros e palestras para empresas. "Barcos com mais de um tripulante são ótimos para melhorar o relacionamento entre os funcionários. Muitos problemas vêm à tona quando o grupo está no mar, disputando uma regata", diz o navegador David Schürmann. "Foi a influência dos grandes velejadores brasileiros, como Robert Scheidt, que me fez voltar a velejar", diz o estudante gaúcho Ramiro Queirolo, de 21 anos. Ele começou a praticar iatismo aos 9, mas parou alguns meses depois. Em 2005, retomou a atividade e já está participando de competições no Rio Guaíba, em Porto Alegre.

Segundo o censo da Federação de Vela e Motor, a maioria dos velejadores brasileiros é composta de homens entre 20 e 35 anos. Mas as mulheres, que há cinco anos respondiam por apenas 10% dos adeptos do esporte, hoje são 25%. No mesmo período, o número de crianças e adolescentes que participaram de torneios aumentou 30%. Recentemente, a psicóloga paulista Adriana Ferrari, de 32 anos, responsável pelo treinamento de novos funcionários de uma empresa em São Paulo, levou-os a participar de duas regatas em Ilhabela, no litoral paulista. A proposta era fazer a integração dos empregados, mas Adriana acabou ficando empolgada com o esporte. "Velejar é muito melhor do que eu imaginava", ela diz. E, nos últimos tempos, está ficando cada vez mais fácil.

 
 
 
 
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