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Divertimento
Ao sabor do vento Velejar
ficou mais fácil e barato. Hoje, 2,5 milhões de brasileiros
praticam o iatismo como forma de lazer 
Tiago Cordeiro
Marco Antonio Rezende  |
| A família Ferraz na Baía de Guanabara: "Nem é preciso
competir" | O Brasil sempre faz bonito nas competições
internacionais de iatismo. Entre outras proezas, o país conquistou seis
medalhas de ouro em Olimpíadas e o velejador paulista Robert Scheidt é
oito vezes campeão mundial na categoria Laser. Mas a maioria dos brasileiros
sempre enxergou o iatismo como um capricho de gente rica o suficiente para comprar
um barco considerado um símbolo de luxo e se associar a um
clube especializado para ancorá-lo. Essa concepção do esporte
vem mudando. O último recenseamento dos praticantes de iatismo no Brasil,
recém-concluído pela Federação Brasileira de Vela
e Motor, revelou que eles já são 2,5 milhões, contra 1 milhão
em 2000. No mesmo período, o número de velejadores que participam
de competições oficiais de vela nos fins de semana saltou de 10.000
para 20.000. As explicações
para essa súbita paixão dos brasileiros pelos barcos a vela são
basicamente econômicas. Os preços dos barcos esportivos fabricados
no Brasil, em termos relativos, vêm caindo nos últimos anos. Segundo
dados da indústria naval, a produção de veleiros e lanchas
no país, impulsionada pela exportação, cresceu 11% ao ano
entre 1997 e 2004, o que barateou o produto no mercado interno. Um veleiro Laser,
categoria que conta com mais praticantes, custa menos que um carro popular (veja
o quadro). Além disso, não é mais preciso
desembolsar um dinheirão (em média 15.000 reais) para se tornar
sócio de um iate clube. Muitos clubes criaram a figura do sócio-tripulante,
que paga 400 reais por mês para deixar o barco ancorado em suas dependências.
Há uma opção ainda mais em conta para guardar o barco. As
escolas de iatismo elas já são 300 no país
abrigam os veleiros de seus ex-alunos por 150 reais mensais. Para aprender a velejar
um barco pequeno, é suficiente fazer um curso de doze horas, que custa
em média 400 reais.
Edison Vara  |
| O gaúcho Ramiro: inspiração em Robert Scheidt |
"A vela é um estilo de
vida, uma forma de entrar em contato com a natureza, e para apreciá-la
nem é preciso competir", diz a estudante carioca Flavia Ferraz, de 23 anos,
que todo fim de semana de sol passeia de veleiro pela Baía de Guanabara
junto com as duas irmãs e os pais, Eduardo e Aneli Tisi Ferraz, ele, médico,
e ela, fonoaudióloga. Outra fonte de incentivo ao iatismo no Brasil são
os velejadores aventureiros. O paulista Amyr Klink e os catarinenses da família
Schürmann, que já deram voltas ao mundo em embarcações
a vela, fazem sucesso em terra firme com livros e palestras para empresas. "Barcos
com mais de um tripulante são ótimos para melhorar o relacionamento
entre os funcionários. Muitos problemas vêm à tona quando
o grupo está no mar, disputando uma regata", diz o navegador David Schürmann.
"Foi a influência dos grandes velejadores brasileiros, como Robert Scheidt,
que me fez voltar a velejar", diz o estudante gaúcho Ramiro Queirolo, de
21 anos. Ele começou a praticar iatismo aos 9, mas parou alguns meses depois.
Em 2005, retomou a atividade e já está participando de competições
no Rio Guaíba, em Porto Alegre.
Segundo o censo da Federação de Vela e Motor, a maioria dos velejadores
brasileiros é composta de homens entre 20 e 35 anos. Mas as mulheres, que
há cinco anos respondiam por apenas 10% dos adeptos do esporte, hoje são
25%. No mesmo período, o número de crianças e adolescentes
que participaram de torneios aumentou 30%. Recentemente, a psicóloga paulista
Adriana Ferrari, de 32 anos, responsável pelo treinamento de novos funcionários
de uma empresa em São Paulo, levou-os a participar de duas regatas em Ilhabela,
no litoral paulista. A proposta era fazer a integração dos empregados,
mas Adriana acabou ficando empolgada com o esporte. "Velejar é muito melhor
do que eu imaginava", ela diz. E, nos últimos tempos, está ficando
cada vez mais fácil. |