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Aventura
Duelo de mulheres nas alturas
Duas alpinistas disputam quem atinge
primeiro os catorze picos mais altos

Ruth Costas
Divulgação
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| Pasaban na subida do K2: pés congelados
pelo frio de 40 graus negativos e duas falanges amputadas |
Há tantos alpinistas nas
encostas das montanhas que, para um deles sobressair, é preciso
inventar novos desafios. No momento, duas atletas estão empenhadas
numa disputa inédita: qual delas será a primeira mulher
a completar a escalada dos catorze picos mais altos do mundo, todos
acima de 8.000 metros. A espanhola Edurne Pasaban, de 32 anos, e
a austríaca Gerlinde Kaltenbrunner, de 35, têm duas
motivações. A primeira é bater o recorde feminino
de alpinismo. Cada uma já fez oito dessas escaladas. Antes
delas, apenas a polonesa Wanda Rutkiewicz havia conseguido tal marca.
A alpinista, no entanto, morreu na tentativa de subir a nona montanha,
em 1992. Como Edurne e Gerlinde planejam subir dois picos por ano,
é possível que dentro de três anos uma delas
ou ambas iguale o feito do italiano Reinhold Messner,
o primeiro alpinista a atingir os catorze cumes mais altos, na década
de 80. A segunda motivação é a realização
pessoal. Como é próprio dos alpinistas, o prazer está
em alcançar, depois de superar provações físicas
extremas, lugares inatingíveis para a esmagadora maioria
da humanidade.
Fotos divulgação
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gação
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EDURNE PASABAN
A espanhola escolhe as rotas mais seguras para os cumes.
Costuma escalar com grupos grandes, acompanhada por uma equipe
de TV |
GERLINDE KALTENBRUNNER
A austríaca é uma purista: escala em grupos
pequenos, escolhe caminhos difíceis e não utiliza
tubos de oxigênio |
Gerlinde e Edurne conhecem bem
os riscos que correm. Os catorze picos mais altos fazem parte do
Himalaia, na Ásia, e recebem, por boas razões, a pecha
de montanhas assassinas. No mais perigoso deles, o Monte Annapurna,
a taxa de sobrevivência é de seis em cada dez alpinistas
que tentam a escalada. No ano passado, Gerlinde precisou interromper
a escalada do Everest, o pico mais alto do mundo, para socorrer
um colega acometido por um edema cerebral causado pelo ar rarefeito.
A 8.000 metros de altitude, a concentração de oxigênio
no ar é 70% menor do que no nível do mar. Em 2004,
em uma expedição ao K2, a segunda montanha mais alta,
as botas reforçadas não foram suficientes para proteger
os pés de Edurne do congelamento num ambiente de 40 graus
negativos. O resultado foi a necessidade de amputar uma falange
de cada pé.
No alpinismo, homens e mulheres
competem em igualdade de condições. "As mulheres têm
em geral menos força física, mas não há
diferença no que se refere à resistência ao
frio e à altitude", diz o brasileiro Eduardo Vinhaes, da
comissão médica da União Internacional das
Associações de Alpinismo. "Desde que vi fotos do K2
pela primeira vez, quando tinha 16 anos, não consigo mais
me libertar da sina de escalar as montanhas mais altas que existem",
disse Gerlinde a VEJA. A austríaca é uma purista do
esporte: ela prefere subir por rotas pouco exploradas, em grupos
pequenos e sem os tubos de oxigênio que auxiliam a respiração
nos pontos mais elevados. Já Edurne se fez acompanhar por
equipes de televisão e um grande aparato logístico
em suas últimas cinco escaladas. Apesar de a disputa estar
sendo acompanhada pelos alpinistas e pela imprensa como um duelo
particular entre as duas, elas recusam-se a admitir a rivalidade.
Juram, mas ninguém acredita, que se trata apenas de coincidência
de objetivos.
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