Edição 1939 . 18 de janeiro de 2006

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Saúde
Quando a mente se ausenta

Um grande levantamento prevê que os casos
de demência quadruplicarão na América Latina


Giuliana Bergamo

A revista científica The Lancet, uma prestigiosa publicação médica inglesa, divulgou recentemente o mais completo estudo sobre o futuro da demência no mundo. O trabalho, coordenado pela Federação Internacional de Alzheimer, prevê um cenário alarmante. Segundo os cálculos dos especialistas, dentro de trinta anos cerca de 80 milhões de pessoas sofrerão desse mal – número três vezes maior que o atual. O aumento da quantidade de casos deve ocorrer sobretudo nos países em desenvolvimento, como o Brasil. Nessas regiões dá-se uma combinação explosiva: o aumento da expectativa de vida e a falta de controle dos fatores de risco para a doença. Na América Latina, haverá 9 milhões de pessoas com demência, quatro vezes mais do que hoje. Na Europa, o número dobrará. "A fórmula para evitar que essa projeção se concretize é investir em prevenção", diz o psiquiatra Sergio Hototian, do Instituto de Psiquiatria da Universidade de São Paulo.

A demência é um problema para o qual não existe cura. Os medicamentos disponíveis atualmente, como a memantina, apenas estabilizam ou, no máximo, retardam o avanço da doença. O conhecimento científico também deixa lacunas quanto às causas exatas desse mal. Sabe-se que para o seu surgimento contribuem todos aqueles fatores que comprometem de alguma maneira os vasos sanguíneos que irrigam o cérebro. Nesse rol, entra até o tabagismo (veja o quadro abaixo). A demência, cuja forma mais conhecida é ocasionada pela doença de Alzheimer, caracteriza-se por falta de memória, perda da capacidade de planejamento e de sociabilidade. Nos estágios mais avançados, ela isola o indivíduo por completo. Muitos pacientes esquecem o próprio nome e deixam de reconhecer-se ao espelho. É a solidão mais absoluta – a interior. Trata-se de uma doença diferente da loucura, embora ambas exibam alguns sintomas comuns. "O controle da saúde vascular é essencial para a prevenção da demência, ainda que isso não seja suficiente para evitá-la", diz o neurologista Paulo Bertolucci, professor da Universidade Federal de São Paulo.

 

 
 
 
 
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