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Saúde
Quando a mente se ausenta
Um grande levantamento prevê
que os casos
de demência quadruplicarão na América Latina

Giuliana Bergamo
A revista científica The
Lancet, uma prestigiosa publicação médica
inglesa, divulgou recentemente o mais completo estudo sobre o futuro
da demência no mundo. O trabalho, coordenado pela Federação
Internacional de Alzheimer, prevê um cenário alarmante.
Segundo os cálculos dos especialistas, dentro de trinta anos
cerca de 80 milhões de pessoas sofrerão desse mal
– número três vezes maior que o atual. O aumento da
quantidade de casos deve ocorrer sobretudo nos países em
desenvolvimento, como o Brasil. Nessas regiões dá-se
uma combinação explosiva: o aumento da expectativa
de vida e a falta de controle dos fatores de risco para a doença.
Na América Latina, haverá 9 milhões de
pessoas com demência, quatro vezes mais do que hoje. Na Europa,
o número dobrará. "A fórmula para evitar que
essa projeção se concretize é investir em prevenção",
diz o psiquiatra Sergio Hototian, do Instituto de Psiquiatria da
Universidade de São Paulo.
A demência é um
problema para o qual não existe cura. Os medicamentos disponíveis
atualmente, como a memantina, apenas estabilizam ou, no máximo,
retardam o avanço da doença. O conhecimento científico
também deixa lacunas quanto às causas exatas desse
mal. Sabe-se que para o seu surgimento contribuem todos aqueles
fatores que comprometem de alguma maneira os vasos sanguíneos
que irrigam o cérebro. Nesse rol, entra até o tabagismo
(veja o quadro abaixo). A demência, cuja forma mais
conhecida é ocasionada pela doença de Alzheimer, caracteriza-se
por falta de memória, perda da capacidade de planejamento
e de sociabilidade. Nos estágios mais avançados, ela
isola o indivíduo por completo. Muitos pacientes esquecem
o próprio nome e deixam de reconhecer-se ao espelho. É
a solidão mais absoluta – a interior. Trata-se de uma doença
diferente da loucura, embora ambas exibam alguns sintomas comuns.
"O controle da saúde vascular é essencial para a prevenção
da demência, ainda que isso não seja suficiente para
evitá-la", diz o neurologista Paulo Bertolucci, professor
da Universidade Federal de São Paulo.

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