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Ambiente
A poluição que vem da mata
Uma pesquisa descobre que as plantas
produzem um dos gases do efeito estufa

Okky de Souza
A luta contra o aquecimento global, fenômeno
que já elevou a temperatura média da Terra em quase
1 grau e ameaça provocar uma série de desastres naturais
em meados deste século, precisará levar em conta a
partir de agora uma descoberta desconcertante da ciência.
Na semana passada, o Instituto Max Planck, da Alemanha, divulgou
uma pesquisa que demonstra que as plantas produzem quantidades elevadas
de gás metano, justamente um dos vilões do aquecimento
do planeta. Até hoje se pensava que, em seu ciclo de vida,
as plantas emitissem apenas oxigênio. O metano, assim como
o dióxido de carbono, o óxido nitroso e os fluorcarbonetos,
gases tóxicos produzidos em sua maior parte pela atividade
humana, concentra-se em quantidades cada vez maiores na atmosfera,
impedindo que o calor dos raios solares que chegam à Terra
se disperse adequadamente. O resultado é o chamado efeito
estufa. A descoberta dos cientistas alemães mostra que as
grandes florestas tropicais, celebradas como pulmões do planeta,
na verdade podem dar sua cota de contribuição para
o aquecimento global. "Essa é uma descoberta extremamente
relevante", diz o geofísico Paulo Artaxo, da Universidade
de São Paulo. "Resta saber se os resultados obtidos em laboratório
pelos cientistas vão se confirmar na imensa biodiversidade
das florestas", ele completa.
A nova pesquisa pode explicar duas questões
que têm intrigado a ciência. Primeiro, por que os satélites
de pesquisa costumam detectar sinais de metano sobre as grandes
florestas do mundo. Nunca se imaginou que o gás pudesse ser
produzido em grandes quantidades pela própria floresta. Segundo,
por que a concentração de metano na atmosfera tem
crescido a um ritmo gradativamente menor nos últimos dez
anos, enquanto a dos demais gases tóxicos cresce em ritmo
acelerado. A explicação, segundo a pesquisa, está
nos desmatamentos a que as grandes florestas inclusive a
Amazônica têm sido submetidas. Com menos árvores,
as florestas produzem menos metano. Embora a concentração
de metano na atmosfera seja bem menor que a de dióxido de
carbono, ele é capaz de reter 21 vezes mais calor. Evidentemente,
a descoberta de que as plantas produzem um gás tóxico
não faz delas vilãs. Se o mundo vegetal desaparecesse,
levaria junto toda a vida na Terra. "Plantar árvores continua
sendo uma boa idéia, entre outras coisas porque as plantas
absorvem o gás carbônico, o que é importantíssimo
para as espécies", observa o biólogo Yadvinder Malhi,
da Universidade de Oxford, na Inglaterra. "A nova pesquisa mostra
apenas que os benefícios proporcionados pelas plantas podem
ser um pouquinho menores do que se julgava", ele diz.
Até hoje se pensava que somente as
plantas mortas, desprovidas de oxigênio, pudessem produzir
metano. A pesquisa do Instituto Max Planck afirma que as plantas
vivas podem produzir entre dez e mil vezes mais metano do que as
mortas. Pelos cálculos apresentados pelo estudo, isso faz
com que as florestas do mundo sejam responsáveis por algo
entre 10% e 30% das emissões de gás metano na atmosfera.
A se confirmarem essas cifras, as árvores e plantas contribuiriam
tanto para a concentração de metano sobre o planeta
quanto outros emissores já conhecidos depósitos
de lixo, grandes plantações de arroz, pântanos
e flatulências de animais ruminantes. Se as conclusões
da pesquisa se tornarem consensuais entre os cientistas, será
preciso também rever os termos do Protocolo de Kioto, o acordo
internacional que procura combater o efeito estufa por meio do compromisso
dos países de diminuir a emissão de gases tóxicos.
Pelo acordo, uma das principais compensações oferecidas
pelos países que produzem muita poluição atmosférica
é justamente promover o reflorestamento e o plantio de novas
florestas em regiões diversas do planeta. Nesse caso, o tiro
pode estar saindo pela culatra.
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77% do efeito estufa é
provocado pelo dióxido de carbono (CO2), produzido
principalmente por automóveis, indústrias
e termelétricas. Em segundo lugar vem o metano
(CH4), com 14%.
Já se sabia que o metano
era produzido por flatulência dos animais ruminantes,
plantações de arroz, pântanos, colônias
de cupins e depósitos de lixo.
Agora, pesquisadores alemães
constataram que as florestas, antes consideradas defesas
naturais contra o efeito estufa, também emitem
metano.
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O EXTERMÍNIO DOS SAPOS
Nas últimas décadas,
mais de setenta espécies de sapo foram extintas
na América do Sul e na Central sem que os cientistas
produzissem mais do que conjecturas para explicar o
fenômeno. Na semana passada, estudiosos de um
centro de pesquisas da Costa Rica publicaram um trabalho
na revista Nature que se propõe a resolver
a charada. Segundo eles, os sapos são as mais
novas vítimas do efeito estufa. Os animais são
exterminados por um fungo, o Batrachochytrium dendrobatidis,
que se aloja em sua pele e tem a proliferação
favorecida pelo aquecimento global.
O fungo já era conhecido
pela ciência, mas sempre foi identificado em regiões
de clima ameno, entre 17 e 25 graus. Como explicar sua
ação predadora em áreas tropicais,
de clima mais quente? A explicação é
que a elevação das temperaturas no planeta
provoca nessas regiões maior evaporação
e a conseqüente formação de nuvens.
Durante o dia, as nuvens se interpõem aos raios
solares e amenizam a temperatura. À noite, o
aquecimento global puxa o termômetro para cima.
A combinação entre as duas situações
proporciona ao fungo seu habitat ideal, condenando os
sapos à morte em duas semanas.
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