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Internacional Agora,
ele promete contar a verdade Ali
Agca, o turco que tentou assassinar o papa João Paulo II em 1981, sai
da prisão
Osman
Orsah/AP
 | | Agca
livre: pistoleiro a serviço da KGB ou um doido que se acreditava Jesus
Cristo? |
O homem que tentou
matar o papa João Paulo II em 1981, o turco Mehmet Ali Agca, foi libertado
da prisão em Istambul na semana passada. Pelo atentado contra o pontífice,
Agca foi preso e condenado à prisão perpétua na Itália,
mas em 2000 acabou extraditado para a Turquia, onde permaneceu atrás das
grades pelo assassinato de um jornalista turco, Abdi Ipekci, em 1979. A libertação
de Agca despertou críticas, até mesmo do governo turco. "A lei foi
assassinada hoje", protestou o ministro da Justiça da Turquia, Cemil Cicek,
que pediu uma revisão da ordem de soltura. À saída do presídio,
houve quem saudasse o atirador, inclusive jogando pétalas de rosa sobre
o carro que o conduzia. Segundo Agca, uma de suas primeiras providências
em liberdade será terminar o livro que começou a escrever na prisão.
Espera-se que a obra, caso se materialize, esclareça os motivos e as circunstâncias
que o levaram a tentar matar João Paulo II e que permanecem obscuros. "Até
hoje contei cinqüenta histórias diferentes sobre o atentado, todas
falsas. Nesse livro, direi a verdade", ele proclama.
Agca foi preso em flagrante momentos depois de disparar três tiros contra
João Paulo II, que cumprimentava fiéis na Praça de São
Pedro, ferindo-o no abdômen, no braço direito e na mão esquerda.
Um ano depois, Agca disse que fora contratado para cometer o crime por três
diplomatas búlgaros, em troca do pagamento de 1,2 milhão de dólares.
A história fazia sentido, já que a Bulgária era um satélite
da União Soviética e o papa era um opositor ferrenho do comunismo.
Em 1985, Agca contou outra história. Disse que era a reencarnação
de Jesus Cristo e que, ao disparar os tiros contra o papa, estava cumprindo a
profecia que Nossa Senhora revelou a três crianças na cidade de Fátima,
em Portugal, em 1917 o Vaticano afirmou, quinze anos depois, que o terceiro
segredo de Fátima realmente previa algo semelhante a um atentado contra
"um bispo vestido de branco". Como não havia provas de sua ligação
com os búlgaros, a hipótese de que o turco era apenas um doido que
se considerava Jesus Cristo acabou prevalecendo.
Em 2000, Agca mudou novamente sua versão e disse que resolveu bancar o
louco porque, na época do processo, foi ameaçado pela KGB, o serviço
secreto soviético. Ele contou que, em dezembro de 1983, um juiz búlgaro
o visitou na prisão e disse que, se ele não negasse tudo o que havia
dito até então, a KGB iria eliminá-lo. O caso foi investigado
pela Justiça italiana, mas não se chegou a nenhuma conclusão
definitiva. Depois de baleado, ainda no leito do hospital, João Paulo II
perdoou seu agressor e, passados dois anos, visitando-o em sua cela, o perdoou
novamente. Resta saber se um dia a verdade virá à tona. |