Edição 1939 . 18 de janeiro de 2006

Índice
Millôr
Stephen Kanitz
Tales Alvarenga
Diogo Mainardi
Roberto Pompeu de Toledo
Carta ao leitor
Entrevista
Cartas
Radar
Holofote
Contexto
Datas
Veja essa
Gente
VEJA Recomenda
Os livros mais vendidos
 
 

Internacional
Agora, ele promete
contar a verdade

Ali Agca, o turco que tentou assassinar o
papa João Paulo II em 1981, sai da prisão


Osman Orsah/AP
Agca livre: pistoleiro a serviço da KGB ou um doido que se acreditava Jesus Cristo?

EXCLUSIVO ON-LINE
A reportagem do atentado contra o Papa

O homem que tentou matar o papa João Paulo II em 1981, o turco Mehmet Ali Agca, foi libertado da prisão em Istambul na semana passada. Pelo atentado contra o pontífice, Agca foi preso e condenado à prisão perpétua na Itália, mas em 2000 acabou extraditado para a Turquia, onde permaneceu atrás das grades pelo assassinato de um jornalista turco, Abdi Ipekci, em 1979. A libertação de Agca despertou críticas, até mesmo do governo turco. "A lei foi assassinada hoje", protestou o ministro da Justiça da Turquia, Cemil Cicek, que pediu uma revisão da ordem de soltura. À saída do presídio, houve quem saudasse o atirador, inclusive jogando pétalas de rosa sobre o carro que o conduzia. Segundo Agca, uma de suas primeiras providências em liberdade será terminar o livro que começou a escrever na prisão. Espera-se que a obra, caso se materialize, esclareça os motivos e as circunstâncias que o levaram a tentar matar João Paulo II e que permanecem obscuros. "Até hoje contei cinqüenta histórias diferentes sobre o atentado, todas falsas. Nesse livro, direi a verdade", ele proclama.

Agca foi preso em flagrante momentos depois de disparar três tiros contra João Paulo II, que cumprimentava fiéis na Praça de São Pedro, ferindo-o no abdômen, no braço direito e na mão esquerda. Um ano depois, Agca disse que fora contratado para cometer o crime por três diplomatas búlgaros, em troca do pagamento de 1,2 milhão de dólares. A história fazia sentido, já que a Bulgária era um satélite da União Soviética e o papa era um opositor ferrenho do comunismo. Em 1985, Agca contou outra história. Disse que era a reencarnação de Jesus Cristo e que, ao disparar os tiros contra o papa, estava cumprindo a profecia que Nossa Senhora revelou a três crianças na cidade de Fátima, em Portugal, em 1917 – o Vaticano afirmou, quinze anos depois, que o terceiro segredo de Fátima realmente previa algo semelhante a um atentado contra "um bispo vestido de branco". Como não havia provas de sua ligação com os búlgaros, a hipótese de que o turco era apenas um doido que se considerava Jesus Cristo acabou prevalecendo.

Em 2000, Agca mudou novamente sua versão e disse que resolveu bancar o louco porque, na época do processo, foi ameaçado pela KGB, o serviço secreto soviético. Ele contou que, em dezembro de 1983, um juiz búlgaro o visitou na prisão e disse que, se ele não negasse tudo o que havia dito até então, a KGB iria eliminá-lo. O caso foi investigado pela Justiça italiana, mas não se chegou a nenhuma conclusão definitiva. Depois de baleado, ainda no leito do hospital, João Paulo II perdoou seu agressor e, passados dois anos, visitando-o em sua cela, o perdoou novamente. Resta saber se um dia a verdade virá à tona.

 
 
 
 
topovoltar