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Santo
André
E
a propina de Santo André?
Os
promotores ainda precisam descobrir
onde foi parar o dinheiro da corrupção

Maurício
Lima
Jonne Roriz/AE
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Caio Guatelli
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| Gomes
da Silva: após a denúncia, a prisão |
Francisco
Daniel, o irmão do prefeito morto: sua denúncia foi rejeitada
pelo STF |
Há
duas grandes questões envolvendo a morte do prefeito Celso
Daniel, de Santo André, assassinado em janeiro de 2002. Uma
delas é identificar a autoria do crime. Outra é desvendar
a relação apontada entre o assassinato e um esquema
de achaque de empresários de ônibus em Santo André.
Na semana passada, a Justiça aceitou a denúncia do
Ministério Público de São Paulo, que apontou
o empresário Sérgio Gomes da Silva, amigo do prefeito
morto, como mandante do assassinato. Junto com outros sete acusados,
ele responderá por homicídio triplamente qualificado.
Se for condenado, o empresário poderá pegar até
trinta anos de cadeia. Só com a apuração completa
da autoria do assassinato é que as autoridades poderão
avançar em direção à segunda questão
e esclarecer, de uma vez por todas, até onde ia o esquema
de corrupção que os promotores descobriram na prefeitura
de Celso Daniel e que comprovadamente beneficiava amigos
dele, entre os quais Sérgio Gomes da Silva.
De
acordo com o irmão do prefeito morto, o médico João
Francisco Daniel, o dinheiro do achaque em Santo André não
se destinava apenas a vigaristas locais, mas também alimentava
o cofre do PT nacional. O médico informa ter ouvido de Miriam
Belchior, ex-mulher do prefeito e atual assessora especial da Presidência
da República, a confirmação da existência
de uma caixinha que beneficiaria a campanha nacional do Partido
dos Trabalhadores. O irmão médico diz ainda que Gilberto
Carvalho, ex-secretário de governo de Celso Daniel e atual
chefe de gabinete do presidente Luiz Inácio Lula da Silva,
mencionou certa vez ter entregado 1,2 milhão de reais ao
então presidente nacional do PT, José Dirceu, hoje
ministro da Casa Civil. Miriam, Carvalho e o ministro Dirceu desmentem
as informações.
Depois
da morte do prefeito, as denúncias de corrupção
geraram uma CPI montada pela Câmara de Vereadores de Santo
André. A comissão descobriu que empresas, principalmente
de transporte, pagavam à quadrilha dos amigos do prefeito
assassinado uma caixinha regular em troca de favores do poder público.
Uma das firmas que contribuíam com o esquema ganhou o direito
de prestar serviços à prefeitura sem participar de
licitação. Outra empresa financiadora da caixinha
mantinha contratos com pelo menos seis administrações
petistas. O proprietário é dono de mais de cinqüenta
empresas e tem entre seus sócios o próprio Sérgio
Gomes da Silva, agora acusado de ter mandado matar o prefeito. O
irmão de Celso Daniel afirma que sua morte teria ligação
com o esquema de corrupção que funcionava na administração
de Santo André. Na opinião dele, repetida várias
vezes à imprensa, o prefeito quis pôr um fim à
corrupção e acabou morto por causa disso.
Pelo
volume de informações levantado até agora,
não há nenhuma dúvida sobre a existência
de corrupção na cidade. Há declarações
dos envolvidos, gravações de conversas telefônicas,
extratos bancários e farta prova documental para colocar
muita gente na cadeia. Faltam elementos, no entanto, para estabelecer
uma conexão entre a bandalha local e a política nacional
petista. Todas as acusações nesse sentido se baseiam
exclusivamente nas afirmações do irmão do prefeito.
Nem a CPI nem os promotores reuniram até o momento uma única
evidência de que o dinheiro era entregue a um figurão
do PT.
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