Edição 1880 . 17 de novembro de 2004

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Radar

Lauro Jardim (ljardim@abril.com.br)

GOVERNO

O fogo amigo de sempre 1
Vem aí uma nova ofensiva do grupo ligado ao ministro José Dirceu contra a política econômica comandada pelo ministro Antonio Palocci.

O fogo amigo de sempre 2
Essa turma pretende demonstrar por meio de pesquisas, já encomendadas, que as regiões nas quais o PT perdeu as eleições coincidem com os lugares em que o governo Lula é mal avaliado. Isso reforçaria a tese de que o governo estaria equivocado em sua política econômica. "Até aqui nós agüentamos. A partir de agora a conversa é outra", disse um integrante da alta cúpula do PT na semana passada. Esse é o espírito da turma.

Rolo compressor
José Dirceu vai fazer todo esforço que estiver a seu alcance para ter o PMDB perto do governo até – e inclusive – as eleições de 2006. Está prestes, portanto, a começar o festival "é dando que se recebe".

Os arquivos do SNI
Sem alarde, o governo liberou parte da verba de que a Abin precisa para digitalizar as 220 000 fichas (que, estima-se, podem conter até 4 milhões de documentos) produzidas pelo finado SNI. É o primeiro passo para saber o que realmente existe ali. O diretor-geral da Abin, Mauro Marcelo Silva, avalia que "95% desse total é baboseira". Em seis meses deve estar tudo digitalizado.

Modo petista de administrar
O PT inventou o "orçamento participativo" em suas administrações municipais. Agora, está levando o conceito a outras esferas: a Caixa Econômica Federal na semana passada estava às voltas com seu "planejamento estratégico participativo".

Lá vem o Lessa...
Na semana passada, Carlos Lessa escondia de pouca gente que estava possesso com o presidente do BC, Henrique Meirelles. "Vou atacar", disse ele a mais de um interlocutor.



A Defesa, segundo FHC

J. F. Diorio/AE
FHC: ele não queria Maciel


FHC, numa conversa com um ex-integrante de seu governo, se disse impressionado com o imbróglio militar que resultou na demissão de José Viegas. A surpresa foi pelo fato de os militares terem conseguido no governo Lula o que sempre pretenderam no governo dele – mas sem sucesso. Segundo FHC, os ministros militares queriam que seu vice, Marco Maciel, fosse o ministro da Defesa. Mas FHC resistia às pressões e sempre vetava a idéia. Para os comandantes militares, faz enorme diferença, no campo simbólico, serem chefiados por um vice-presidente – uma questão de status. Com a revelação, FHC parece querer varrer da história a versão de que ele havia pensado algumas vezes na solução Marco Maciel.

 

PSDB

Aécio versus Alckmin
Nos próximos dias, Aécio Neves lança um grande projeto de geração de energia. Com um investimento de 1 bilhão de reais, a Cemig vai construir sessenta pequenas hidrelétricas. Beleza. Mas o projeto contém uma cutucada em Geraldo Alckmin, não por acaso apontado, assim como o mineiro, como um possível presidenciável tucano: Aécio isentará os investidores do pagamento do ICMS. Recentemente, São Paulo baixou a alíquota do ICMS para projetos de energia, e Aécio quer atrair a turma que está estudando investimentos no estado governado por Alckmin. É a guerra política travestida de guerra fiscal...

O tucano e o petista
O senador petista Cristovam Buarque nunca mais falou com Lula desde que foi demitido, por telefone, no início do ano. Em compensação, passou nove horas com FHC no domingo 7. Gentil, FHC buscou Cristovam na estação de trem da cidadezinha de Brown, nos EUA, em cuja universidade o ex-presidente está dando um curso de seis semanas. Foram caminhando até a universidade. E passaram o dia conversando.

 

ENERGIA NUCLEAR

Tensão atômica
Não é de hoje que o programa nuclear do Brasil causa polêmica. Em 1985, a CIA produziu um documento de dezesseis páginas que alertava para divergências entre o governo brasileiro e a Agência Internacional de Energia Atômica. Na descrição do araponga americano, o Brasil demonstrava uma "limitada aceitação" do chamado programa de salvaguardas da agência, que inclui as famosas inspeções em instalações nucleares. A informação está no site da CIA.

 

ECONOMIA

Na rota do investimento
A IBM está transferindo de Miami para São Paulo sua sede para a América Latina.

A Antarctica vira o jogo
Depois de quinze meses como a terceira marca de cerveja mais vendida no país e às vésperas do verão, a Nova Schin foi batida pela Antarctica. Na última pesquisa do Instituto Nielsen a cerveja da AmBev cresceu e chegou aos 11,3% do mercado. A Nova Schin mantém-se nos 11,1% da medição anterior.

 

MÍDIA

Murchou
A Gutenberg, a operação da Polícia Federal destinada a pegar profissionais de imprensa envolvidos em venda ou engavetamento de reportagens, subiu no telhado.

 

CINEMA

O mistério da Ancinav
O polêmico projeto que cria a Ancinav deve ser enviado pelo governo ao Congresso em dezembro. A pergunta que importa é: como o governo pretende aprovar um projeto que é execrado pelos donos das redes e das retransmissoras de TV? Como se sabe, praticamente todas as retransmissoras pertencem a parlamentares. Eis um mistério digno de Alfred Hitchcock.

 

Antipatia made in USA


Pablo Martinez Monsivais/AP
Reuters
Bush e Kerry: antiamericanismo

Nem tudo o que é bom para os Estados Unidos é bom para o Brasil. O Vox Populi entrou em campo, na semana passada, para saber a opinião dos brasileiros sobre a eleição americana numa pesquisa nacional. John Kerry teria vencido aqui com 57% dos votos, contra 25% de George W. Bush. Vitória esmagadora. Mas o que mais impressionou é que a divergência entre os povos não é apenas de opinião. O levantamento dá a dimensão da força do antiamericanismo por aqui. Para 62% dos entrevistados, os EUA são "pouco" ou "nada" amigos do Brasil. Não é exatamente uma demonstração de simpatia. Apenas 4% disseram que os EUA são "muito amigos". Mais: 67% responderam que o segundo governo de Bush será indiferente ou ruim para o Brasil.

 

Colaboraram Marcelo Carneiro e Thaís Oyama

 



Foto Frederic Jean


 
 
 
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