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Música
Metal metrossexual
Cada vez mais artistas do heavy metal
trocam o visual sujinho pela cara limpa

Sérgio Martins
Marco Pinto
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| Os integrantes do Angra no salão de
beleza: cabelões ensebados são coisa do passado
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Com raríssimas exceções,
roqueiros de todas as tribos nunca esconderam sua preferência
por um visual sujinho. Parecer arrumado demais era coisa de artistas
pop sem autenticidade. Mas a onda metrossexual termo que
designa os machões que, por imposição dos novos
tempos, se dedicam a cuidados de estilo e beleza antigamente associados
aos gays fez com que até uma seara conservadora como
o heavy metal mudasse de atitude. Não que os metaleiros tenham
abandonado suas camisetas negras, crucifixos e letras satânicas.
A diferença é que muitos deles reavaliaram, até
por pressão do público feminino, sua cabeleira ensebada
e as roupas há muito longe de um bom varal. Metaleiros de
várias gerações, inclusive no Brasil, agora
preferem andar perfumados. Igor Cavalera, baterista do Sepultura,
foi um precursor ao investir na carreira de costureiro e usar gel
nos cabelos. Mas a concorrência não deixa por menos.
Os veteranos do Angra, a banda mais popular do gênero no país,
têm uma rotina de cuidados que vai de visitas a salões
de beleza a compras em grifes GLS (sigla de gays, lésbicas
e simpatizantes). "Sempre fiz questão de me cuidar. Eu era
metrossexual e não sabia", diz o guitarrista Kiko Loureiro,
que hidrata os cabelos e tinge suas mechas. Já o vocalista
Edu Falaschi faz luzes para conferir às madeixas um tom aloirado.
A moda também se impôs em bandas novatas como a paulista
Thalion. O grupo é liderado por uma vocalista, mas seus quatro
marmanjos fazem questão de ser tão cheirosos quanto
a moça. "A gente cuida dos cabelos e da pele para ficar bem
na foto. É mais sociável", diz o guitarrista Fábio
Russo.
Nem sempre foi fácil ser um metrossexual
assumido no heavy metal. Kirk Hammet, guitarrista do quarteto americano
Metallica, que o diga. Nos anos 90, ele chocou os fãs ao
adotar um visual modernérrimo: aparou a juba grudenta e passou
a usar camisetinha regata e suspensórios. Para completar,
ressurgiu com esmalte nas unhas e delineador nos olhos. Foi um es-cân-da-lo:
houve quem o acusasse de estar saindo do armário. Mas os
tempos são outros e, hoje, mesmo os monstros sagrados do
metal não têm pudores de mostrar quanto gostam de se
cuidar. Durante uma turnê no país, o guitarrista americano
Steve Vai teve um chilique quando acabou o estoque do xampu caríssimo
que estava em sua lista de exigências de camarim. "Steve tem
cabelos secos e ficou desesperado", diz a produtora que o trouxe
ao Brasil. Mesmo uma banda casca-grossa como a americana Manowar
cujos membros, entre outras maluquices, assinam contratos
com sangue não descuida da aparência. Seus músicos
só sobem ao palco depois de se besuntar com óleos
aromáticos. Não são mesmo uma graça?
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