Edição 1880 . 17 de novembro de 2004

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Música
Metal metrossexual

Cada vez mais artistas do heavy metal
trocam o visual sujinho pela cara limpa


Sérgio Martins


Marco Pinto
Os integrantes do Angra no salão de beleza: cabelões ensebados são coisa do passado

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Com raríssimas exceções, roqueiros de todas as tribos nunca esconderam sua preferência por um visual sujinho. Parecer arrumado demais era coisa de artistas pop sem autenticidade. Mas a onda metrossexual – termo que designa os machões que, por imposição dos novos tempos, se dedicam a cuidados de estilo e beleza antigamente associados aos gays – fez com que até uma seara conservadora como o heavy metal mudasse de atitude. Não que os metaleiros tenham abandonado suas camisetas negras, crucifixos e letras satânicas. A diferença é que muitos deles reavaliaram, até por pressão do público feminino, sua cabeleira ensebada e as roupas há muito longe de um bom varal. Metaleiros de várias gerações, inclusive no Brasil, agora preferem andar perfumados. Igor Cavalera, baterista do Sepultura, foi um precursor ao investir na carreira de costureiro e usar gel nos cabelos. Mas a concorrência não deixa por menos. Os veteranos do Angra, a banda mais popular do gênero no país, têm uma rotina de cuidados que vai de visitas a salões de beleza a compras em grifes GLS (sigla de gays, lésbicas e simpatizantes). "Sempre fiz questão de me cuidar. Eu era metrossexual e não sabia", diz o guitarrista Kiko Loureiro, que hidrata os cabelos e tinge suas mechas. Já o vocalista Edu Falaschi faz luzes para conferir às madeixas um tom aloirado. A moda também se impôs em bandas novatas como a paulista Thalion. O grupo é liderado por uma vocalista, mas seus quatro marmanjos fazem questão de ser tão cheirosos quanto a moça. "A gente cuida dos cabelos e da pele para ficar bem na foto. É mais sociável", diz o guitarrista Fábio Russo.

Nem sempre foi fácil ser um metrossexual assumido no heavy metal. Kirk Hammet, guitarrista do quarteto americano Metallica, que o diga. Nos anos 90, ele chocou os fãs ao adotar um visual modernérrimo: aparou a juba grudenta e passou a usar camisetinha regata e suspensórios. Para completar, ressurgiu com esmalte nas unhas e delineador nos olhos. Foi um es-cân-da-lo: houve quem o acusasse de estar saindo do armário. Mas os tempos são outros e, hoje, mesmo os monstros sagrados do metal não têm pudores de mostrar quanto gostam de se cuidar. Durante uma turnê no país, o guitarrista americano Steve Vai teve um chilique quando acabou o estoque do xampu caríssimo que estava em sua lista de exigências de camarim. "Steve tem cabelos secos e ficou desesperado", diz a produtora que o trouxe ao Brasil. Mesmo uma banda casca-grossa como a americana Manowar – cujos membros, entre outras maluquices, assinam contratos com sangue – não descuida da aparência. Seus músicos só sobem ao palco depois de se besuntar com óleos aromáticos. Não são mesmo uma graça?

 
 
 
 
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