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Televisão Perído
de experiência O
Aprendiz, da Record, copia o original americano
nos mínimos detalhes. Só falta o bom humor  Ricardo
Valladares
Raphael
Falavigna
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No
ar há duas semanas nas noites de terça e quinta na Rede Record,
o programa O Aprendiz é a versão nacional de um produto já
testado e aprovado nos Estados Unidos: uma gincana em que os candidatos disputam
o emprego dos sonhos numa grande empresa. A atração americana colocou
na ordem do dia o impagável bilionário Donald Trump, como o patrão
que oferecia uma vaga em suas companhias e que ficou celebrizado pelo bordão
"Você está demitido!". No programa da Record, o publicitário
Roberto Justus que ganhou fama por ter namorado as loiras-apresentadoras
Adriane Galisteu e Eliana faz as vezes de um Trump brasileiro. Do grupo
inicial de dezesseis participantes que competem por um cargo no Grupo Newcomm,
presidido por Justus, três já haviam saído até a semana
passada. "É triste, fiquei com dó deles", diz o apresentador. Em
seus primeiros episódios, o programa não fez feio: alcançou
9 pontos no ibope, bem mais do que o caído humorístico de Tom Cavalcante
marcava no horário. Por imposição contratual, O Aprendiz
copia o similar americano nos mínimos detalhes, mas se esquece do essencial:
o bom humor. Ao contrário do original, que é uma sátira cínica
do mundo corporativo, a versão da Record se leva a sério, e a necessidade
de seguir uma fórmula pode engessá-la ainda mais. Divulgação
 | | Os
concorrentes do programa: eles capricham no jargão empresarial |
Quando
foi chamado pela Record para ser apresentador do reality show, Justus ficou receoso
em fazer feio nos índices de audiência. Mas não demorou muito
para se deslumbrar com a experiência. Embora ele pareça levar jeito
para o ramo, vai ter de suar para ser aprovado em seu período de experiência
na tela (veja quadro). Como todo o resto do programa, Justus está
um tanto empertigado em cena. Uma comparação simples com Trump dá
a dimensão do problema. O americano não está nem aí
para o fato de a humanidade achar seu cabelo ridículo, pois sabe que rir
de si próprio dá ibope. Justus, por sua vez, não gosta de
insinuações sobre a naturalidade de seu penteado. Com o aumento
da fama, o publicitário sabe que pode ser alvo de um bombardeio de fofocas.
"Quando desmanchei com a Adriane houve boatos de que o motivo da separação
é que ela havia me visto com outro homem. Depois disso, estou blindado
para o que der e vier", diz ele. Para além do topete de Justus, chama atenção
em O Aprendiz o excesso de jargão empresarial. Nos Estados Unidos
esse tipo de conversa se ouve em qualquer esquina, o que não acontece no
Brasil. Dentre os dezesseis concorrentes, todos têm curso superior, boa
parte fez pós-graduação no exterior e só três
não possuem visto americano. "Na versão original havia dois negros.
Nós não temos nenhum, mas que ninguém pense que é
preconceito", afirma Justus.
Conselhos
para Roberto Justus não ser demitido
• Não seja tão
empertigado. Fique mais relaxado e natural •
Pare de falar em tom monocórdio. Você não está apresentando
o balanço anual de sua empresa •
Não se preocupe tanto com seu cabelo. Siga o exemplo de Donald Trump |
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