Edição 1880 . 17 de novembro de 2004

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Televisão
Perído de experiência

O Aprendiz, da Record, copia o
original americano nos mínimos
detalhes. Só falta o bom humor


Ricardo Valladares

 
Raphael Falavigna

No ar há duas semanas nas noites de terça e quinta na Rede Record, o programa O Aprendiz é a versão nacional de um produto já testado e aprovado nos Estados Unidos: uma gincana em que os candidatos disputam o emprego dos sonhos numa grande empresa. A atração americana colocou na ordem do dia o impagável bilionário Donald Trump, como o patrão que oferecia uma vaga em suas companhias e que ficou celebrizado pelo bordão "Você está demitido!". No programa da Record, o publicitário Roberto Justus – que ganhou fama por ter namorado as loiras-apresentadoras Adriane Galisteu e Eliana – faz as vezes de um Trump brasileiro. Do grupo inicial de dezesseis participantes que competem por um cargo no Grupo Newcomm, presidido por Justus, três já haviam saído até a semana passada. "É triste, fiquei com dó deles", diz o apresentador. Em seus primeiros episódios, o programa não fez feio: alcançou 9 pontos no ibope, bem mais do que o caído humorístico de Tom Cavalcante marcava no horário. Por imposição contratual, O Aprendiz copia o similar americano nos mínimos detalhes, mas se esquece do essencial: o bom humor. Ao contrário do original, que é uma sátira cínica do mundo corporativo, a versão da Record se leva a sério, e a necessidade de seguir uma fórmula pode engessá-la ainda mais.

 
Divulgação
Os concorrentes do programa: eles capricham no jargão empresarial

Quando foi chamado pela Record para ser apresentador do reality show, Justus ficou receoso em fazer feio nos índices de audiência. Mas não demorou muito para se deslumbrar com a experiência. Embora ele pareça levar jeito para o ramo, vai ter de suar para ser aprovado em seu período de experiência na tela (veja quadro). Como todo o resto do programa, Justus está um tanto empertigado em cena. Uma comparação simples com Trump dá a dimensão do problema. O americano não está nem aí para o fato de a humanidade achar seu cabelo ridículo, pois sabe que rir de si próprio dá ibope. Justus, por sua vez, não gosta de insinuações sobre a naturalidade de seu penteado. Com o aumento da fama, o publicitário sabe que pode ser alvo de um bombardeio de fofocas. "Quando desmanchei com a Adriane houve boatos de que o motivo da separação é que ela havia me visto com outro homem. Depois disso, estou blindado para o que der e vier", diz ele. Para além do topete de Justus, chama atenção em O Aprendiz o excesso de jargão empresarial. Nos Estados Unidos esse tipo de conversa se ouve em qualquer esquina, o que não acontece no Brasil. Dentre os dezesseis concorrentes, todos têm curso superior, boa parte fez pós-graduação no exterior e só três não possuem visto americano. "Na versão original havia dois negros. Nós não temos nenhum, mas que ninguém pense que é preconceito", afirma Justus.

 

Conselhos para Roberto Justus
não ser demitido

• Não seja tão empertigado. Fique mais relaxado e natural

• Pare de falar em tom monocórdio. Você não está apresentando o balanço anual de sua empresa

• Não se preocupe tanto com seu cabelo. Siga o exemplo de Donald Trump

 

 
 
 
 
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