Edição 1880 . 17 de novembro de 2004

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Oriente Médio
O que vem depois

Com a morte de Yasser Arafat, surge
a esperança de negociações entre
Israel e os palestinos


AP
Corpo de Arafat recebe honras militares em Paris: doença misteriosa

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Em Profundidade: A Questão Palestina

A morte de Yasser Arafat, aos 75 anos, criou uma nova situação no Oriente Médio – qual é exatamente esse cenário ainda não está claro. Horas depois da morte, ocorrida num hospital militar de Paris na madrugada de quinta-feira passada, a liderança palestina tratou de colocar sucessores nos cargos que Arafat acumulava. Mahmoud Abbas, secretário da Organização para a Libertação da Palestina, foi eleito presidente da entidade que representa os palestinos em todos os lugares. O presidente do Parlamento palestino assumiu interinamente a presidência da Autoridade Palestina, o governo autônomo dos territórios ocupados por Israel. O primeiro-ministro Ahmed Qurei foi confirmado no cargo. A rápida troca de comando procurou demostrar unidade e capacidade de organização. É, por si só, uma oportunidade. Israel e Estados Unidos recusavam-se a negociar com Yasser Arafat, a quem acusavam de terrorismo. Vão negociar com o novo time?


AP
Palestinos enlutados: líder sem herdeiros


A oportunidade para a reabertura de negociações é excelente, mas isso pode não ocorrer. Abbas e Qurei não são herdeiros à altura de Arafat. Carecem de autoridade moral para tomar decisões cruciais para o futuro palestino, como seria um acordo de paz com Israel. A solução do conflito quase com certeza envolverá concessões dolorosas da parte dos palestinos, que são o lado fraco. Sem Arafat, do qual eram velhos companheiros, Abbas e Qurei são politicamente frágeis. Por sua vez, Ariel Sharon, o truculento primeiro-ministro de Israel, não está ansioso por encontrar interlocutores para um assunto sobre o qual ele prefere tomar decisões sem levar em conta a opinião dos palestinos. Até agora, Sharon justificava sua decisão de retirar unilateralmente as tropas e os colonos judeus da Faixa de Gaza pela ausência de um parceiro palestino para negociações diplomáticas. Também não parece que ele esteja disposto a dar aos novos líderes palestinos a chance de tomar o controle da situação. Logo que se confirmou a morte de Arafat, Sharon passou a exigir de seus sucessores o fim do terrorismo palestino. Abbas e Qurei consideram a intifada, a revolta palestina nos territórios ocupados, um erro de dimensões trágicas – mas nem Arafat, com seu prestígio de líder histórico, se sentia tentado a enfrentar os grupos terroristas e arriscar uma guerra civil entre os palestinos.

A agonia de Arafat foi lenta e ainda não foi divulgada a causa da morte. Ele passou os últimos dias em coma profundo, respirando com a ajuda de aparelhos. O quadro tornou-se irreversível depois que uma forte hemorragia no cérebro deu início ao processo de falência de outros órgãos vitais. O corpo do líder palestino foi embarcado com honras militares num avião do governo francês e levado para o Cairo, onde o aguardava um funeral de chefe de Estado. O enterro, combinado antes mesmo de sua morte, seria na sexta-feira no prédio semi-arruinado de seu quartel-general em Ramallah, na Cisjordânia, onde ele viveu confinado nos últimos dois anos.

 
 
 
 
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