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Beleza
Além de cair, murcha
Estudo comprova que, mais do
que desabar, a pele do rosto
perde volume ao envelhecer

Mariane Gusan
Quem sempre reclama que, à medida que
envelhece, "cai tudo" tem toda a razão pele e músculos
caem mesmo, à medida que perdem o viço e a elasticidade.
Mas envelhecimento não é só isso (como se isso
não fosse o bastante). Além de "cair", o rosto envelhecido
também "murcha", ou seja, perde volume por causa da diminuição
do tecido gorduroso que o acolchoa. A tese, que já servia
de base para técnicas usadas por muitos cirurgiões
plásticos, acaba de ser comprovada em um estudo apresentado
em outubro, na convenção da Sociedade Americana de
Cirurgiões Plásticos na cidade de Filadélfia.
A partir da comparação de fotografias de homens e
mulheres colhidas em diversos momentos ao longo de vinte anos, o
cirurgião plástico Val Lambros, pesquisador de um
centro médico em Newport Beach, na Califórnia, constatou
que, na maior parte dos casos, os traços continuaram no mesmíssimo
lugar. Nas fotos, milimetricamente alinhadas, Lambros acompanhou
a trajetória de pintas, vincos e marcas, observando que vinte
anos depois continuavam onde sempre estiveram só que
em rostos mais encovados, num processo que chamou de "deflação".
"A única queda considerável é a da pele e dos
músculos da testa e ao redor dos olhos. Em volta dos lábios,
o que se vê é um estiramento. No resto, a marca mais
visível de envelhecimento é o aprofundamento dos vincos
e das rugas pela perda de volume", explicou Lambros a VEJA. É
por isso, segundo ele, que as plásticas de rosto tradicionais,
baseadas em puxar, esticar e levantar a pele e a musculatura do
rosto, ficam tão artificiais. Lambros, claro, defende que
o "esticamento" seja conjugado a preenchimentos, em geral com gordura
do próprio paciente, destinados a restabelecer, na medida
do possível, o volume perdido.
Acompanhando de perto todas as novidades do
setor quando não são autores de muitas delas
, os cirurgiões plásticos brasileiros vêm
aderindo cada vez mais ao misto de cirurgia com preenchimento. "Nos
últimos cinco anos, a combinação das duas técnicas
avançou muito", diz o presidente da Sociedade Brasileira
de Cirurgia Plástica, Sérgio Carreirão. Aplicados
principalmente na região das bochechas e nos vincos em volta
do nariz e da boca, mas também usados para "levantar" o nariz
e "arredondar" as orelhas, os preenchimentos são em geral
muito eficazes, mas apresentam uma grande desvantagem: são
temporários. Embora variem muito de pessoa para pessoa, os
prazos de validade são sempre curtos demais, se comparados
à plástica. Além disso, podem provocar alergias
e outras complicações. O cirurgião Volney Pitombo
adverte ainda que a combinação de lifting (a cirurgia
de rejuvenescimento facial mais procurada, que estica a pele do
rosto inteiro por meio de um corte em torno das orelhas) com preenchimento
só é recomendada depois dos 55 anos. "Deixamos a combinação
dos procedimentos para casos em que a flacidez da pele e dos músculos
está em estágio avançado, com rugas e marcas
muito aparentes. Em faces assim, o lifting, sozinho, deixa um aspecto
artificial. Com o preenchimento é possível modelar
o rosto", explica. A administradora de empresas Joana D'Arc Antonello,
do Rio de Janeiro, recorreu ao "combinado" e aprovou, com conhecimento
de causa: pôde comparar os resultados da intervenção
feita em abril um lifting completo, mais preenchimento com
gordura e tecidos nas maçãs do rosto e nos sulcos
no contorno da boca com os de um lifting comum, feito em
2001. "A diferença é imensa. Não fiquei apenas
mais bonita. Fiquei mais jovem", elogia Joana, que, animada, ainda
se submeteu a tratamentos dermatológicos para atenuar marquinhas
que sobraram.
Para preencher sulcos e marcas no rosto, os
médicos utilizam produtos sintéticos, sendo o mais
comum o ácido hialurônico (Restylane é o campeão
de injeções), e enxerto de gordura e tecidos retirados
do corpo do próprio paciente, um procedimento mais traumático
é aplicado em camadas mais profundas da pele e requer
internação , porém mais duradouro. O
preenchimento com substâncias sintéticas, que pode
ser feito independentemente da plástica, dura no máximo
oito meses. Depois, é absorvido pelo organismo. Já
a aplicação de gordura costuma ter vida mais longa,
embora o índice de reabsorção varie conforme
o organismo. "A injeção de gordura, por se dar em
uma camada mais profunda, é perigosa e requer grande habilidade.
E o resultado é enganoso: a pessoa sai se achando linda e,
alguns meses depois, o efeito se foi", critica o cirurgião
Mário Galvão, do hospital carioca Copa D'Or, que não
usa a técnica. "Tudo depende do organismo do paciente. Uma
parte da gordura que injetamos logo é absorvida. Mas a parte
que fica adere aos tecidos do rosto e ali permanece por tempo indeterminado",
defende o cirurgião Aristóteles Bersou Júnior,
de São Paulo. Pelos cálculos da dermatologista Ligia
Kogos, em média a gordura preenche plenamente os vincos por
cerca de seis meses, mas parte dela permanece no local por até
dois anos daí alguns médicos recomendarem três
aplicações, com intervalos de três meses, como
forma de aumentar a duração. Em seu consultório,
Ligia dirige praticamente uma linha de montagem de preenchimentos,
mas avisa: chega uma hora em que não adianta mais. "O preenchimento
sozinho, seja com o que for, tem um limite. Depois, só com
uma cirurgia para ajudar", declara.
Fotos arquivo pessoal
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| Joana, antes e hoje, depois de sua plástica
com preenchimento: "Não fiquei só bonita, fiquei mais jovem"
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