Edição 1880 . 17 de novembro de 2004

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Beleza
Além de cair, murcha

Estudo comprova que, mais do
que desabar, a pele do rosto
perde volume ao envelhecer


Mariane Gusan

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Quem sempre reclama que, à medida que envelhece, "cai tudo" tem toda a razão – pele e músculos caem mesmo, à medida que perdem o viço e a elasticidade. Mas envelhecimento não é só isso (como se isso não fosse o bastante). Além de "cair", o rosto envelhecido também "murcha", ou seja, perde volume por causa da diminuição do tecido gorduroso que o acolchoa. A tese, que já servia de base para técnicas usadas por muitos cirurgiões plásticos, acaba de ser comprovada em um estudo apresentado em outubro, na convenção da Sociedade Americana de Cirurgiões Plásticos na cidade de Filadélfia. A partir da comparação de fotografias de homens e mulheres colhidas em diversos momentos ao longo de vinte anos, o cirurgião plástico Val Lambros, pesquisador de um centro médico em Newport Beach, na Califórnia, constatou que, na maior parte dos casos, os traços continuaram no mesmíssimo lugar. Nas fotos, milimetricamente alinhadas, Lambros acompanhou a trajetória de pintas, vincos e marcas, observando que vinte anos depois continuavam onde sempre estiveram – só que em rostos mais encovados, num processo que chamou de "deflação". "A única queda considerável é a da pele e dos músculos da testa e ao redor dos olhos. Em volta dos lábios, o que se vê é um estiramento. No resto, a marca mais visível de envelhecimento é o aprofundamento dos vincos e das rugas pela perda de volume", explicou Lambros a VEJA. É por isso, segundo ele, que as plásticas de rosto tradicionais, baseadas em puxar, esticar e levantar a pele e a musculatura do rosto, ficam tão artificiais. Lambros, claro, defende que o "esticamento" seja conjugado a preenchimentos, em geral com gordura do próprio paciente, destinados a restabelecer, na medida do possível, o volume perdido.

Acompanhando de perto todas as novidades do setor – quando não são autores de muitas delas –, os cirurgiões plásticos brasileiros vêm aderindo cada vez mais ao misto de cirurgia com preenchimento. "Nos últimos cinco anos, a combinação das duas técnicas avançou muito", diz o presidente da Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica, Sérgio Carreirão. Aplicados principalmente na região das bochechas e nos vincos em volta do nariz e da boca, mas também usados para "levantar" o nariz e "arredondar" as orelhas, os preenchimentos são em geral muito eficazes, mas apresentam uma grande desvantagem: são temporários. Embora variem muito de pessoa para pessoa, os prazos de validade são sempre curtos demais, se comparados à plástica. Além disso, podem provocar alergias e outras complicações. O cirurgião Volney Pitombo adverte ainda que a combinação de lifting (a cirurgia de rejuvenescimento facial mais procurada, que estica a pele do rosto inteiro por meio de um corte em torno das orelhas) com preenchimento só é recomendada depois dos 55 anos. "Deixamos a combinação dos procedimentos para casos em que a flacidez da pele e dos músculos está em estágio avançado, com rugas e marcas muito aparentes. Em faces assim, o lifting, sozinho, deixa um aspecto artificial. Com o preenchimento é possível modelar o rosto", explica. A administradora de empresas Joana D'Arc Antonello, do Rio de Janeiro, recorreu ao "combinado" e aprovou, com conhecimento de causa: pôde comparar os resultados da intervenção feita em abril – um lifting completo, mais preenchimento com gordura e tecidos nas maçãs do rosto e nos sulcos no contorno da boca – com os de um lifting comum, feito em 2001. "A diferença é imensa. Não fiquei apenas mais bonita. Fiquei mais jovem", elogia Joana, que, animada, ainda se submeteu a tratamentos dermatológicos para atenuar marquinhas que sobraram.

Para preencher sulcos e marcas no rosto, os médicos utilizam produtos sintéticos, sendo o mais comum o ácido hialurônico (Restylane é o campeão de injeções), e enxerto de gordura e tecidos retirados do corpo do próprio paciente, um procedimento mais traumático – é aplicado em camadas mais profundas da pele e requer internação –, porém mais duradouro. O preenchimento com substâncias sintéticas, que pode ser feito independentemente da plástica, dura no máximo oito meses. Depois, é absorvido pelo organismo. Já a aplicação de gordura costuma ter vida mais longa, embora o índice de reabsorção varie conforme o organismo. "A injeção de gordura, por se dar em uma camada mais profunda, é perigosa e requer grande habilidade. E o resultado é enganoso: a pessoa sai se achando linda e, alguns meses depois, o efeito se foi", critica o cirurgião Mário Galvão, do hospital carioca Copa D'Or, que não usa a técnica. "Tudo depende do organismo do paciente. Uma parte da gordura que injetamos logo é absorvida. Mas a parte que fica adere aos tecidos do rosto e ali permanece por tempo indeterminado", defende o cirurgião Aristóteles Bersou Júnior, de São Paulo. Pelos cálculos da dermatologista Ligia Kogos, em média a gordura preenche plenamente os vincos por cerca de seis meses, mas parte dela permanece no local por até dois anos – daí alguns médicos recomendarem três aplicações, com intervalos de três meses, como forma de aumentar a duração. Em seu consultório, Ligia dirige praticamente uma linha de montagem de preenchimentos, mas avisa: chega uma hora em que não adianta mais. "O preenchimento sozinho, seja com o que for, tem um limite. Depois, só com uma cirurgia para ajudar", declara.

 
Fotos arquivo pessoal
Joana, antes e hoje, depois de sua plástica com preenchimento: "Não fiquei só bonita, fiquei mais jovem"

 
 
 
 
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