Edição 1880 . 17 de novembro de 2004

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Ginástica
Definido e dolorido

Passou horas na posição abaixo
e agora sente dor? Cuidado: pode
ser a síndrome do bumbum sarado


Roberta Salomone

 
Nana Moraes

Para conquistar um derrière bem-acabado, muitas brasileiras fazem o possível, e mais um pouco: fortunas em cremes milagrosos, dolorosas injeções, massagens das mais estapafúrdias – sem contar as toneladas de peso erguidas nas academias numa coleção de posições esdrúxulas. Os tratamentos pseudomilagrosos só costumam provocar estragos no bolso, mas a malhação excessiva encerra um perigo em potencial. Não, não é piada de brasileiro. Existe efetivamente um problema de saúde apelidado de síndrome do bumbum sarado, designação geral de especialistas para cerca de uma dúzia de problemas causados pela carga excessiva de peso sobre os músculos dos glúteos, que vão desde simples contusões até graves desgastes nas articulações e lesões na coluna, quadris e joelhos. Contribui para disseminar a "bumbunite" o fato de os exercícios de glúteos serem, na ordem dos intermináveis sacrifícios exigidos pela musculação, considerados dos mais fáceis – senhoras que tremem diante de halteres carregados encaram alegremente a hora de pôr-se de quatro e escoicear o ar. "Mesmo orientando e chamando a atenção sobre o exagero nos exercícios, sempre tem aluna que desobedece", diz Henrique Piraí, pós-graduado em fisiologia do exercício e coordenador técnico da Estação do Corpo, uma das maiores academias do Rio de Janeiro.

Na verdade, livrar-se do acúmulo de gordura nas nádegas não é nada fácil, e empiná-las de uma hora para outra é impossível. Essa parte do corpo é a segunda maior vítima da lei da gravidade na anatomia feminina, precedida apenas pelos seios – sendo que esses levam a vantagem de poder ser corrigidos por sutiãs turbinados ou, mais drasticamente, pela cirurgia plástica. Já o implante de silicone nos glúteos, recurso mais comum, tem um pós-operatório dolorido e não funciona bem em todas as pacientes. Restam a musculação e a ginástica localizada, ambas exercitadas em posições não naturais, justamente porque têm de trabalhar uma musculatura pouco solicitada no dia-a-dia. Se bem-feitas, funcionam, mas o risco de lesões é alto. Estudos americanos mostram que 2,5% das lesões relatadas por praticantes de esportes são na região dos quadris. Em atletas, o número pode subir para 9%. Algumas são leves e de fácil recuperação. Em outras, a cura pode demorar meses, como na síndrome do piriforme, que acomete principalmente as mulheres: estimulado em excesso, o músculo deste nome, que fica entre o cóccix e o fêmur, cresce, comprimindo e inflamando o nervo ciático. Nas academias, recomenda-se não abusar das repetições e alongar os glúteos antes e depois das atividades. Mais fundamental ainda é ter um objetivo realista. "A busca por glúteos perfeitos tem de ter limites", alerta o ortopedista Ricon Jr., especialista em quadril. Até parece...

 

Boa forma com bom senso

Por mais atraente que seja a perspectiva de um bumbum em forma, exagerar na carga pode render semanas sem exercício algum. Portanto, moderação. Outros cuidados são:

• Nos agachamentos, desça no máximo até 90 graus

• Nos exercícios com quatro apoios, contraia o abdômen e não force a coluna ao elevar a perna

• Faça sempre uma pequena pausa entre um exercício e outro

• Se sentir dor e ela persistir por três semanas, procure um especialista

Fontes: The Sports Physical Therapy Institute e eMedicine

 

 
 
 
 
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