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Arquitetura A
catedral invisível da arte
A nova sede minimalista e transparente de
um dos mais importantes museus do mundo o MoMA de Nova York  Tania
Menai, de Nova York
Elizabeth
Felicella/Projeto Kohn Pederson Foxd Assoc. e Fotomontagem de Robert Bowen
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computadorizada do prédio criado por Yoshio Taniguchi: "Dêem-me dinheiro e eu
farei a arquitetura desaparecer" |
O
Museu de Arte Moderna de Nova York o MoMA possui um acervo inestimável.
Nele figuram obras célebres como Les Demoiselles d'Avignon, do espanhol
Pablo Picasso, e Noite Estrelada, do holandês Vincent van Gogh, além
da série de latinhas de sopa Campbell's do artista pop americano Andy Warhol.
Fundada em 1929, a instituição teve forte influência na difusão
e valorização da arte moderna em todo o mundo e não seria
exagero dizer que a ela se deve muito do conceito de museu tal e qual se conhece
hoje não apenas um repositório de objetos do passado, mas
uma espécie de laboratório cultural, devotado ao aprendizado e ao
entretenimento. Ao longo das décadas, o MoMA passou por diversas ampliações
para acomodar um acervo em constante expansão. A partir do próximo
sábado, dia 20, o público poderá conhecer o resultado da
mais formidável dessas reformas. Sua sede, localizada desde 1939 entre
as ruas 53 e 54, nas imediações da Sexta Avenida, será reaberta
depois de quase quatro anos de obras que consumiram 425 milhões de dólares
e levaram sua coleção a ser realocada, durante boa parte
desse período, para um espaço no distante bairro do Queens. O MoMA
que ressurge dos tapumes chama atenção não só por
suas dimensões suas galerias ocuparão um total de 11.600
metros quadrados, quase 50% a mais do que tinham anteriormente. Projetado pelo
arquiteto japonês Yoshio Taniguchi, conhecido por seu estilo austero e avesso
a qualquer ostentação, o novo prédio é uma estrutura
com espaços amplos e linhas que parecem se diluir no ar. Num artigo na
revista New Yorker, o escritor John Updike o definiu de forma poética:
"Seus seis andares de câmaras brancas se fundem à paisagem da metrópole
para formar, com seus tesouros, uma catedral invisível".
O
edifício criado por Taniguchi marca um retorno ao básico no design
de grandes museus. Nos últimos anos, imperaram nessa área projetos
vistosos e impactantes, como o Guggenheim de Bilbao, um edifício dourado
e cheio de curvas de autoria do americano Frank Gehry. O novo MoMA vai numa direção
contrária: embora monumental, sua principal marca é a sobriedade.
"Dêem-me um monte de dinheiro e eu lhes darei boa arquitetura. Dêem-me
ainda mais dinheiro e eu farei a arquitetura desaparecer", costuma brincar Taniguchi,
referindo-se à sua preferência por linhas discretas e pelo mínimo
de detalhes. A escolha de seu projeto dentre dez candidatos, em 1997, fez com
que muita gente no meio das artes e da arquitetura nos Estados Unidos torcesse
o nariz aquilo lhes parecia tão frugal quanto os edifícios
corporativos que pipocam nas vizinhanças, carecendo do glamour de obras
traçadas por figuras badaladas como Gehry e o holandês Rem Koolhaas.
Até mesmo Taniguchi recebeu a decisão com espanto. Na data marcada
para apresentar o projeto aos patronos do MoMA, depois de se convencer de que
tivera um desempenho desastroso ele foi direto a um bar nas redondezas para encher
a cara. Timothy
Hursley/divulgação
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das novas galerias: espaços mais amplos |
Embora
nunca houvesse feito um trabalho fora do Japão, em sua terra natal Taniguchi
goza de imenso prestígio. Filho de um dos primeiros arquitetos a abraçar
o ideário modernista naquele país e discípulo de Kenzo Tange,
o nome mais importante do modernismo japonês, Taniguchi, de 67 anos, é
autor de projetos que resgatam idéias como a de que a funcionalidade deve
vir acima de tudo na concepção de um edifício. Ele é
também um mestre no uso do aço e do vidro, com os quais cria estruturas
transparentes como a do Aquário de Tóquio. Logo em sua reabertura,
o MoMA abrigará uma mostra devotada aos nove museus criados pelo arquiteto
no Japão nos últimos 25 anos, como o Museu de Arte de Shiseido,
construído na década de 70, e o Museu Nacional de Kioto, a ser inaugurado
em 2007.
Moma/divulgação
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MoMA, em 1939: o novo prédio homenageia os criadores da fachada antiga |
Ao
intervir no MoMA, Taniguchi fez questão de preservar algumas das marcas
visuais do edifício no passado. Prestou homenagem aos arquitetos americanos
Philip Goodwin e Edward Durell, por exemplo, ao basear-se no traçado da
fachada criada por eles em 1939. O famoso jardim de esculturas, projetado nos
anos 60 por Phillip Johnson, também continua lá. Trata-se de um
pequeno oásis no meio dos prédios gigantescos e escuros que circundam
o museu. Ali foi construído o restaurante The Modern, cuja cozinha será
chefiada por Gabriel Kreuther, vindo do hotel Ritz-Carlton. Mas o jardim, considerado
por Taniguchi o coração do prédio, agora é emoldurado
por muros de vidro ultramodernos.
Em seu interior, o MoMA mudou bastante. Taniguchi criou um átrio com pé-direito
imponente de 33 metros de altura , que é banhado por luz natural
e tem vista para o jardim. As galerias do museu nova-iorquino também ganharam
tetos altos e paredes imensas. As vias de circulação entre elas,
ponto sempre relevante em uma cidade abarrotada de turistas, foram igualmente
reestruturadas. Os visitantes, que antes subiam e desciam entre os andares por
meio de escadas rolantes, agora também dispõem de elevadores espaçosos.
As galerias terão quatro portas, para que o público possa flanar
livremente por elas, sem ser induzido a seguir num sentido obrigatório,
como em boa parte dos museus. Alguns desses espaços são imensos.
A criação de galerias amplas não se deve apenas a uma opção
estilística do arquiteto. Explica-se: cada vez mais, a arte contemporânea
é feita de peças de grandes dimensões, que requerem espaços
ao ar livre ou galpões para ser exibidas, como as esculturas do americano
Richard Serra. Remodelado, o MoMA de Nova York mantém sua tradição
de estar sempre à frente. |