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Brasil E
fez-se a luz... Briga
paralisante entre as ministras Marina e Dilma perde força e
as obras, finalmente, parece que vão andar
 Alexandre
Oltramari Rafael
Nedermeyer/AE
 | Celso
Junior/AE
 | | As
ministras Marina e Dilma: consenso sobre obras liberadas |
As ministras Marina Silva, do Meio Ambiente, e Dilma Rousseff, das Minas e Energia,
têm personalidade forte. Desde o início do governo Lula, as duas
estrelas femininas da administração petista travavam uma queda-de-braço
sobre o destino de 24 projetos de usinas hidrelétricas espalhadas pelo
Brasil. Marina, como não poderia deixar de ser, se preocupa com os desequilíbrios
ecológicos que são provocados por cada uma dessas obras. Por isso,
amparada nos pareceres dos órgãos de fiscalização,
apoiava a maioria dos embargos. Dilma, por sua vez, não está do
lado dos predadores da natureza, mas sabe que, se não forem feitos investimentos
urgentes no setor de produção de energia, o Brasil pode enfrentar
um apagão já em 2009. Como não existe uma alternativa rápida
para suprir a necessidade de energia, o governo resolveu intervir no impasse entre
as ministras, que já nem se falavam mais. Há seis meses, a Casa
Civil, de José Dirceu, nomeou um grupo de mediadores para o conflito entre
os dois ministérios. O resultado é que metade dos projetos embargados
já foi liberada e a expectativa é que vinte novas licitações
sejam lançadas no próximo ano.
Ana
Araujo
 | | O
ministro José Dirceu nomeou um grupo de técnicos para mediar os conflitos |
A
intervenção do Planalto se deu quando já não havia
mais nenhuma possibilidade de entendimento entre Marina e Dilma. As ministras
chegaram ao ponto de trocar insultos. Para evitar que a disputa acabasse em mais
uma crise, como a que ocorreu por ocasião da liberação do
plantio de transgênicos, quando Marina, que era contra, chegou a chorar
em uma audiência com o presidente Lula, o governo optou pela mediação.
Foi, ao que parece, uma medida acertada. Os técnicos descobriram que muitos
dos impasses poderiam ter sido resolvidos há tempos, com um pouco de boa
vontade. É o caso da hidrelétrica de Estreito, em Tocantins, cujo
projeto começou a tramitar há três anos. Com investimentos
previstos de 3,6 bilhões de reais e geração de aproximadamente
30.000 empregos, a obra não saiu do papel. Motivo: o Ministério
Público e o Ibama embargaram a construção, alegando que as
audiências públicas, uma consulta à população
para discutir temas relacionados à obra, não haviam sido divulgadas
como a lei prevê. Havia também alguns problemas técnicos com
relação aos estudos de impacto ambiental. Para resolver o impasse,
todo mundo cedeu um pouco. A empresa encarregada da construção vai
refazer as audiências e complementar os estudos em troca do atendimento
pelo governo de uma lista de dez reivindicações.
Casos mais cabeludos também foram resolvidos com negociação.
A obra da usina hidrelétrica de Barra Grande, na divisa do Rio Grande do
Sul com Santa Catarina, que já consumiu 1,2 bilhão de reais em investimentos,
foi embargada pelo Ibama no ano passado, depois que fiscais descobriram que a
usina iria inundar uma área de 6 000 hectares de Mata Atlântica,
que está sob ameaça de extinção e é protegida
por lei. Os estudos de impacto ambiental omitiram esse pequeno detalhe e técnicos
do próprio Ibama chancelaram o laudo sabe-se lá por quantos motivos.
Os ambientalistas do governo defendiam a simples e imediata implosão do
que já havia sido erguido. O grupo comandado pela Casa Civil conseguiu
convencer o Ibama e o Ministério Público a liberar a obra. Em troca,
o consórcio responsável pela usina vai desembolsar 21 milhões
de reais para comprar outra área de Mata Atlântica, do mesmo tamanho,
e transformá-la em unidade de preservação. O caso do laudo
ambiental que ignorou a existência da floresta será investigado pela
polícia. "A criação desse grupo é fantástica
porque leva para o coração do governo a questão ambiental",
diz Marina Silva. "É um sinal de amadurecimento", completa Dilma Rousseff.
Pelo menos em público, a intervenção serviu também
para apaziguar os ânimos. |