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Brasil
Um PT com ficha suja na polícia
Prefeito é preso por corrupção e
governador é
cassado, mas o partido não se constrange  Malu
Gaspar
Joedson Alves/AE
 | FLAMARION
PORTELA EX-GOVERNADOR DE RORAIMA
Abuso do poder político e econômico na
campanha eleitoral Crimes contra a administração pública
Crimes contra as finanças públicas Crime contra o patrimônio,
estelionato e peculato
Fontes:
TSE e STJ | | O
prefeito de Macapá, João Henrique Pimentel, é um neopetista
com pedigree. Reelegeu-se prefeito em outubro, disputando pelo PT pela primeira
vez, mas seu currículo traz a informação de que participou
da fundação do partido no Pará. Na semana passada, ele foi
preso, acusado, entre outras coisas, de participar de um curioso esquema de manipulação
de licitações públicas que beneficiava empreiteiras. Como
está virando rotina no combate à corrupção, foi flagrado
pela boca em grampos telefônicos autorizados judicialmente. O prefeito aparece
em diálogos combinando com empresários detalhes para a confecção
de editais e pedindo dinheiro. Segundo a Polícia Federal, a intimidade
entre Pimentel e alguns empresários era tamanha que ele chega a ofertar
a um deles seu carro com defeitos. Conseguiu fazer um negócio ainda melhor.
"Você anda detonando a gente, mas eu pago!", afirma na gravação
o empresário Luiz Eduardo Pinheiro Corrêa, dono da Método
Norte Engenharia. O carro estragado, como ele diz nas conversas, não só
foi comprado pelo empresário como o prefeito ainda ganhou outro novinho,
retirado diretamente da concessionária do interlocutor.
Desde que assumiu o poder, o PT está sendo obrigado a conviver com o que
passou a vida toda denunciando. Petista preso por corrupção, além
de não ser nenhuma novidade, nem enrubesce mais os dirigentes. "Ele me
garante que é inocente. Então vamos esperar um pouco", pondera o
presidente do partido, José Genoíno. Ao saber que tivera a prisão
decretada, João Henrique ligou para Genoíno e foi aconselhado a
se apresentar à polícia. A PF informa que o prefeito de Macapá
ajudou a fraudar obras e desviar recursos em pelo menos três casos: na construção
de um hospital para cancerosos, na construção de uma creche e na
recuperação de um canal. As três obras estão sendo
realizadas pela mesma empreiteira, a Método Norte, que possuiu outros dezesseis
contratos investigados no estado. Juntos eles somam 30 milhões de reais.
Horas depois da prisão de João Henrique, o Tribunal Superior Eleitoral
cassou em definitivo o mandato do governador de Roraima, Flamarion Portela, outro
neopetista. Ele foi condenado por usar a máquina pública para fins
eleitorais.
JOÃO
HENRIQUE PREFEITO DE MACAPÁ
Crime de responsabilidade
Fraude em licitação Desvio de recursos públicos
Corrupção passiva e ativa Formação de quadrilha
Fonte: inquérito
da PF | | Sem
mandato, a vida do ex-governador tende a se complicar. Flamarion é apontado
pela Polícia Federal como um dos líderes de um descarado esquema
de desvio de dinheiro público em Roraima, que ficou conhecido como o escândalo
dos gafanhotos. A fraude começou quando Flamarion era vice-governador e
pertencia a um tal Partido Social Liberal, e continuou até depois de sua
posse como governador eleito, em 2003, já filiado ao PT. Mais de 5 000
servidores fantasmas foram contratados nesse período. Esses servidores
cediam, por procuração, seus salários a deputados e pessoas
ligadas ao governo. As investigações da PF mostram que Flamarion
se beneficiava politicamente do esquema, que conhecia em detalhes. O golpe foi
descoberto no fim do ano passado. Indiciado por crime contra as finanças
públicas, estelionato e peculato, o neopetista pediu licença do
partido. "Temos de estar preparados para que existam filiados sendo presos ou
acusados de crimes", disse José Genoíno. "Se algum filiado estiver
envolvido, tomaremos as providências." |