Michelle, a bruxa má de Stardust:
uma boa combinação de conto de fadas e comédia
Stardust
O Mistério da Estrela(Stardust,
Estados Unidos/Inglaterra, 2007. Desde sexta-feira em cartaz no país)
Em 1987, o diretor Rob Reiner fez um misto de conto de fadas e comédia,
A Princesa Prometida, cujo tom travesso desde então Hollywood tentava
repetir sem sucesso. Stardust é o que mais se aproxima de
uma imitação bem-feita do filme de Reiner. Baseada numa graphic
novel, essa fantasia trata de uma estrela que, ao cair, assume a forma da atriz
Claire Danes e se apaixona pelo rapaz que a encontra. Que, claro, está
apaixonado por outra. O filme peca pelo excesso de enredos tantos que às
vezes se tem a impressão de que eles estão brigando por espaço.
Mas alguns são ótimos, como o que traz Michelle Pfeiffer como uma
bruxa má e Robert de Niro como um capitão que adora roupas de mulher.
Veja
cenas.
Garçonete(Waitress,
Estados Unidos, 2006. Desde sexta-feira em cartaz no Rio de Janeiro) Jenna
(Keri Russell, do seriado Felicity), uma jovem que trabalha numa lanchonete
para a qual, além de atender às mesas, faz tortas primorosas
, descobre que está grávida. Mas não comemora. Seu
marido é um brucutu cuja possessividade ela consegue controlar apenas à
base de mentiras como "Sim, estou feliz", e "Sim, eu te amo". Jenna está
há tempos escondendo dinheiro pela casa, de forma a poder fugir, mas sabe
que a criança que está por vir inevitavelmente atrapalhará
esse plano. Sem conseguir esboçar nenhuma reação, e envolvida
num caso com seu obstetra (o encantador Nathan Fillion), ela caminha, no decorrer
desse filme simples e pequeno, pelos vários estágios de aceitação
e tomada de consciência. Sem barulho e sem alarde, em entrechos encenados
de forma precisa pela diretora Adrienne Shelly, que também tem um papel
no filme, como uma garçonete sem sorte no amor. Adrienne era um talento
a ser observado, mas nem sequer viu seu trabalho estrear: foi assassinada aos
40 anos, em novembro passado, por um operário de construção
civil com o qual discutiu no edifício onde tinha seu escritório.
Veja
cenas.
LIVRO
60
Poemas, de Konstantinos Kaváfis
(tradução de Trajano Vieira; Ateliê Editorial; 160 páginas;
28 reais) Nascido em Alexandria, no Egito, e filho de pais gregos que vieram
de Istambul, na Turquia, Konstantinos Kaváfis (1863-1933) elegeu a história
e a cultura da Grécia antiga como o tema central de seus poemas. Mas ele
estava longe de ser um poeta conservador ou "neoclássico". Nos poemas dessa
coletânea, ele trata o legado grego com certa irreverência, misturando
linguagem elevada e termos chulos. Com uma sensibilidade que antecipou o modernismo,
Kaváfis fala da herança cultural clássica como quem descreve
um mundo perdido, rodeado pela morte. É o que se vê, por exemplo,
no breve mas intenso Lápide de Lísias, o Gramático, que
fala de um sábio enterrado em uma biblioteca: "Inexiste espaço mais
propício. (...) / Rendemos loas à visão de sua lápide
/ ao nos encaminharmos para os livros". Leia
trecho.
DISCOS
Acústico
MTV,Paulinho
da Viola (Sony/BMG) O disco marca o retorno do cantor e compositor carioca
após dez anos. Durante esse período, ele fez apenas aparições
esporádicas dividiu um álbum ao vivo com Toquinho e contribuiu
com a trilha sonora de Meu Tempo É Hoje, documentário sobre
sua carreira. Acústico MTV pode decepcionar os fãs que estão
em busca de novas composições. Talismã, composta em
parceria com Marisa Monte e Arnaldo Antunes, é uma das poucas faixas inéditas.
Mas é impossível não se emocionar com as melodias e a interpretação
serena do cantor de 64 anos, que toca acompanhado por grandes músicos,
como o pianista e arranjador Cristovão Bastos e o violonista João
Rabello (filho de Paulinho). São quinze canções 21,
no DVD , muitas delas clássicas como Sinal Fechado e Pecado
Capital.
Divulgação
Hot Chip: renovação
providencial para o pop eletrônico
The
Warning,Hot Chip (EMI Music) O quinteto
inglês é um nome emergente da música eletrônica. Ao
lado de bandas como os Klaxons e o Datarock, vem comandando uma renovação
providencial numa área que passou uns tempos imersa em marasmo. Como essas
duas outras bandas, o Hot Chip já foi rotulado pela imprensa inglesa de
"new rave", pois seus shows ultradançantes se converteram em festas que
atraem multidões de jovens. O grupo tem pouco da velha música eletrônica
calcada no "tum-tum-tum". Seu forte é adicionar guitarras a teclados e
batidas pré-programadas. Oferece, sobretudo, linhas vocais marcantes, que
mesclam tons graves a falsetes. Lançado em 2006, The Warning é
um disco irregular. Mas traz ao menos dois hits matadores: Careful e Over
and Over.
Lailson Santos
Terminal Guadalupe: como
nos anos 80, só que melhor
A
Marcha dos Invisíveis, Terminal Guadalupe (Fósforo ao Cubo)
O grupo curitibano é uma das boas novidades do rock brasileiro.
Tem letras inteligentes, que falam de política e romance sem cair na panfletagem
ou na auto-ajuda. A sonoridade lembra a das bandas nacionais dos anos 80
principalmente o Legião Urbana , mas com instrumentistas superiores
(o destaque aqui é a seção rítmica sólida,
formada pelo baixista Rubens K e pelo baterista Fabiano Ferronato). Tem, ainda,
as guitarras mais bem gravadas do rock atual. A Marcha dos Invisíveis
título inspirado num livro do escritor curitibano Jamil Snege
é o quarto e melhor álbum do Terminal Guadalupe. São dez
canções de apelo radiofônico, como Pernambuco Chorou
e Atalho Clichê, que podem agradar tanto a um fã de CPM22
quanto a ouvintes mais "enjoados".