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17 de outubro de 2007
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CINEMA

Divulgação
Michelle, a bruxa má de Stardust: uma boa combinação de conto de fadas e comédia


Stardust – O Mistério da Estrela
(Stardust,
Estados Unidos/Inglaterra, 2007. Desde sexta-feira em cartaz no país) – Em 1987, o diretor Rob Reiner fez um misto de conto de fadas e comédia, A Princesa Prometida, cujo tom travesso desde então Hollywood tentava repetir – sem sucesso. Stardust é o que mais se aproxima de uma imitação bem-feita do filme de Reiner. Baseada numa graphic novel, essa fantasia trata de uma estrela que, ao cair, assume a forma da atriz Claire Danes e se apaixona pelo rapaz que a encontra. Que, claro, está apaixonado por outra. O filme peca pelo excesso de enredos – tantos que às vezes se tem a impressão de que eles estão brigando por espaço. Mas alguns são ótimos, como o que traz Michelle Pfeiffer como uma bruxa má e Robert de Niro como um capitão que adora roupas de mulher. Veja cenas.

Garçonete (Waitress, Estados Unidos, 2006. Desde sexta-feira em cartaz no Rio de Janeiro) – Jenna (Keri Russell, do seriado Felicity), uma jovem que trabalha numa lanchonete – para a qual, além de atender às mesas, faz tortas primorosas –, descobre que está grávida. Mas não comemora. Seu marido é um brucutu cuja possessividade ela consegue controlar apenas à base de mentiras como "Sim, estou feliz", e "Sim, eu te amo". Jenna está há tempos escondendo dinheiro pela casa, de forma a poder fugir, mas sabe que a criança que está por vir inevitavelmente atrapalhará esse plano. Sem conseguir esboçar nenhuma reação, e envolvida num caso com seu obstetra (o encantador Nathan Fillion), ela caminha, no decorrer desse filme simples e pequeno, pelos vários estágios de aceitação e tomada de consciência. Sem barulho e sem alarde, em entrechos encenados de forma precisa pela diretora Adrienne Shelly, que também tem um papel no filme, como uma garçonete sem sorte no amor. Adrienne era um talento a ser observado, mas nem sequer viu seu trabalho estrear: foi assassinada aos 40 anos, em novembro passado, por um operário de construção civil com o qual discutiu no edifício onde tinha seu escritório. Veja cenas.

 

LIVRO

60 Poemas, de Konstantinos Kaváfis (tradução de Trajano Vieira; Ateliê Editorial; 160 páginas; 28 reais) – Nascido em Alexandria, no Egito, e filho de pais gregos que vieram de Istambul, na Turquia, Konstantinos Kaváfis (1863-1933) elegeu a história e a cultura da Grécia antiga como o tema central de seus poemas. Mas ele estava longe de ser um poeta conservador ou "neoclássico". Nos poemas dessa coletânea, ele trata o legado grego com certa irreverência, misturando linguagem elevada e termos chulos. Com uma sensibilidade que antecipou o modernismo, Kaváfis fala da herança cultural clássica como quem descreve um mundo perdido, rodeado pela morte. É o que se vê, por exemplo, no breve mas intenso Lápide de Lísias, o Gramático, que fala de um sábio enterrado em uma biblioteca: "Inexiste espaço mais propício. (...) / Rendemos loas à visão de sua lápide / ao nos encaminharmos para os livros". Leia trecho.

 

DISCOS

Acústico MTV, Paulinho da Viola (Sony/BMG) – O disco marca o retorno do cantor e compositor carioca após dez anos. Durante esse período, ele fez apenas aparições esporádicas – dividiu um álbum ao vivo com Toquinho e contribuiu com a trilha sonora de Meu Tempo É Hoje, documentário sobre sua carreira. Acústico MTV pode decepcionar os fãs que estão em busca de novas composições. Talismã, composta em parceria com Marisa Monte e Arnaldo Antunes, é uma das poucas faixas inéditas. Mas é impossível não se emocionar com as melodias e a interpretação serena do cantor de 64 anos, que toca acompanhado por grandes músicos, como o pianista e arranjador Cristovão Bastos e o violonista João Rabello (filho de Paulinho). São quinze canções – 21, no DVD –, muitas delas clássicas como Sinal Fechado e Pecado Capital.

 
Divulgação
Hot Chip: renovação providencial para o pop eletrônico

The Warning, Hot Chip (EMI Music) – O quinteto inglês é um nome emergente da música eletrônica. Ao lado de bandas como os Klaxons e o Datarock, vem comandando uma renovação providencial numa área que passou uns tempos imersa em marasmo. Como essas duas outras bandas, o Hot Chip já foi rotulado pela imprensa inglesa de "new rave", pois seus shows ultradançantes se converteram em festas que atraem multidões de jovens. O grupo tem pouco da velha música eletrônica calcada no "tum-tum-tum". Seu forte é adicionar guitarras a teclados e batidas pré-programadas. Oferece, sobretudo, linhas vocais marcantes, que mesclam tons graves a falsetes. Lançado em 2006, The Warning é um disco irregular. Mas traz ao menos dois hits matadores: Careful e Over and Over.

 
Lailson Santos
Terminal Guadalupe: como nos anos 80, só que melhor

A Marcha dos Invisíveis, Terminal Guadalupe (Fósforo ao Cubo) – O grupo curitibano é uma das boas novidades do rock brasileiro. Tem letras inteligentes, que falam de política e romance sem cair na panfletagem ou na auto-ajuda. A sonoridade lembra a das bandas nacionais dos anos 80 – principalmente o Legião Urbana –, mas com instrumentistas superiores (o destaque aqui é a seção rítmica sólida, formada pelo baixista Rubens K e pelo baterista Fabiano Ferronato). Tem, ainda, as guitarras mais bem gravadas do rock atual. A Marcha dos Invisíveis – título inspirado num livro do escritor curitibano Jamil Snege – é o quarto e melhor álbum do Terminal Guadalupe. São dez canções de apelo radiofônico, como Pernambuco Chorou e Atalho Clichê, que podem agradar tanto a um fã de CPM22 quanto a ouvintes mais "enjoados".

 

Fontes: Belém: Laselva; Belo Horizonte: Laselva, Leitura; Brasília: Cultura, Fnac, Laselva, Leitura, Saraiva; Campinas: Laselva, Fnac; Campo Grande: Leitura; Curitiba: Fnac, Laselva, Livrarias Curitiba, Saraiva; Florianópolis: Laselva, Livrarias Catarinense; Fortaleza: Laselva; Foz do Iguaçu: Laselva; Goiânia: Leitura, Saraiva; Londrina: Livrarias Porto; Maceió: Laselva; Manaus: Laselva; Natal: Laselva; Navegantes: Laselva; Porto Alegre: Cultura, Livrarias Porto, Saraiva; Porto Seguro: Laselva; Recife: Cultura, Laselva, Saraiva; Rio de Janeiro: Argumento, Fnac, Laselva, Saraiva, Travessa; São Paulo: Cultura, Fnac, Laselva, Livraria da Vila, Nobel, Saraiva; Teresina: Laselva; Vitória: Laselva, Leitura; internet: Cultura, Laselva, Leitura, Nobel, Saraiva, Submarino.

 



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