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17 de outubro de 2007
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As ciladas do intercâmbio

Os estudantes brasileiros que fazem intercâmbio
no exterior – e estima-se que eles sejam 85000
só neste ano – ligam para os pais como nenhum
outro, estranham os horários impostos pelas
famílias estrangeiras e costumam engordar.


Monica Weinberg


Lailson Santos
O estudante Rui Monteiro da Silva, 18 anos, passou um ano na cidade de Franklin Furnace, em Ohio: entre outras coisas, aperfeiçoou o inglês e foi promovido a capitão da equipe de atletismo da escola. "Fiquei popular e fiz mais amigos"


Essas são algumas das conclusões a que chegou uma pesquisa que ouviu
1 000 jovens de volta ao Brasil.
O trabalho constatou ainda que muitos dos estudantes tomam inicialmente um susto ao se ver numa cidade típica do interior. O fato é que, no final, quase 100% deles dizem ter "adorado" a experiência. Especialistas ouvidos por VEJA se basearam no relato desses jovens para dar sugestões concretas sobre como enfrentar algumas das dificuldades mais comuns. Eles focaram em dois tipos de intercâmbio mais procurados no Brasil. O primeiro é o curso de línguas, que dura em média um mês. O segundo tipo é aquele em que o jovem fica hospedado numa casa de família e cursa um ano do ensino médio no exterior. Eis a radiografia completa dos problemas – e as estratégias para superá-los.

1 PREFERI ESTUDAR HISTÓRIA AMERICANA A GEOGRAFIA.
NA VOLTA AO BRASIL, ACABEI REPROVADO NA ESCOLA

Por que é comum: em países da Europa e nos Estados Unidos, os estudantes do ensino médio têm bem mais liberdade para escolher as matérias que vão cursar na escola do que no Brasil. Eles podem, por exemplo, estudar apenas um ano de geografia – e não três, como é obrigatório nas escolas brasileiras
Comentário dos especialistas: nunca deixar de incluir matérias do currículo básico exigido pelo Ministério da Educação (MEC), sem as quais não há como ser aprovado na volta ao Brasil. São elas história, geografia, matemática, inglês, ciências e educação física

2 O ESTUDANTE DETESTOU A FAMÍLIA QUE O RECEBEU E QUER TROCAR DE CASA

Por que é comum: a maior fonte de angústia dos brasileiros que fazem intercâmbio nos Estados Unidos e na Europa são as novas regras a que são submetidos no exterior. Segundo a pesquisa, os horários inflexíveis incomodam mais do que qualquer outra coisa. Festas, por exemplo, não podem terminar depois das 22 horas
Comentário dos especialistas: o programa não permite trocar de casa. Neste caso, resta adaptar-se – ou voltar para casa

 
Selmy Yassuda
A analista de sistemas Sylvia Loureiro, 32 anos, ficou um mês em Barcelona: ela optou por passar meio período na escola. "Só assim conheci espanhóis e pude praticar o que aprendi"

3 PASSEI UM MÊS NA ESPANHA ESTUDANDO A LÍNGUA E NÃO SAÍ DA SALA DE AULA

Por que é comum: em geral as pessoas pensam que num curso intensivo têm mais chance de aprender o novo idioma
Comentário dos especialistas: a experiência mais completa neste caso é a que permite aos estudantes aplicar o que aprenderam no dia-a-dia – e para isso eles não devem ficar restritos à escola. O sistema de melhor resultado, portanto, é o de quatro horas diárias de aula

4 SONHAVA COM NOVA YORK, MAS PAREI NUMA CIDADE DE 600 HABITANTES NO ARKANSAS

Por que é comum: as agências no Brasil não têm nenhuma participação na escolha das famílias que recebem os brasileiros nos Estados Unidos – elas próprias só são avisadas do destino do intercâmbio dias antes da viagem. Quem comanda o processo são associações americanas especializadas em cadastrar famílias dispostas a alojar os estrangeiros.
Elas restringem esse trabalho às cidades do interior porque é justamente nelas que as escolas públicas americanas têm vagas ociosas – e, portanto, podem receber estudantes de fora
Comentário dos especialistas: numa das modalidades, é possível não só escolher a cidade, mas também o tipo de casa, o tamanho da família e a escola na qual se vai estudar (nesse caso, particular). Custa cerca de
60 000 reais – três vezes mais do que a média dos intercâmbios

5 NÃO FIZ AMIGOS AMERICANOS
Por que é comum: o levantamento com brasileiros que fizeram intercâmbio nos Estados Unidos e em países da Europa mostra que eles costumam fechar-se em círculos formados exclusivamente por estrangeiros
Comentário dos especialistas: há matérias opcionais nas escolas desses países que facilitam a interação com mais gente, entre as quais as de esporte e música

6 A CONTA DE TELEFONE DOS MEUS PAIS NO BRASIL FICOU EM 6000 REAIS NUM MÊS

Por que é comum: a pesquisa mostra que metade dos brasileiros que fazem intercâmbio no exterior liga pelo menos uma vez por dia para o Brasil.
O objetivo é "atualizar os pais"

Comentário dos especialistas: blogs sobre a viagem apaziguam a ansiedade de compartilhar as novidades – e evitam prejuízos financeiros

 

Economizar desde cedo

É o que os especialistas indicam para quem quer enviar os filhos adolescentes para uma temporada no exterior. Eis as duas modalidades de intercâmbio mais procuradas no Brasil:

PARA ESTUDAR UM NOVO IDIOMA

Duração: um mês
Quando é indicado: a partir de 17 anos
Onde ficar: em casas de família ou nos alojamentos das próprias escolas de línguas
Resultado esperado: progressos num mês equivalentes aos obtidos com um ano de estudo no Brasil
Preço*: 6000 reais
Quanto é preciso economizar por mês**: 13 reais

PARA CURSAR O ENSINO MÉDIO

Duração: um ano
Quando é indicado: de 15 a 17 anos

Onde ficar: em casas de família
Resultado esperado: pessoas que partem com nível intermediário voltam fluentes na língua estrangeira
Preço*: 20000 reais
Quanto é preciso economizar por mês**: 43 reais

 

** Os preços expressam a média do mercado e incluem estada e passagem aérea

** Com o dinheiro aplicado num fundo de renda fixa desde o primeiro ano de vida da criança


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