Quem acha que Sabrina
Sato se mata na malhação
errou ela nasceu com o equipamento básico para
ter pernas espetaculares
Mariliz
Pereira Jorge
Rodrigo
Schmidt/ Ag. News
Pernas padrão Sato: definição
muscular muito acima da das comuns mortais
Vistas de frente, o que impressiona é a coxa duríssima,
torneada de forma quase sobre-humana: onze músculos
condicionados à perfeição, capitaneados
pelo quadríceps, o mais importante e protuberante,
e delimitados pelo retesado vasto lateral. Vistas de trás,
o destaque vai para a panturrilha: sete músculos excepcionalmente
desenvolvidos, com destaque para o gastrocnêmio e o
solear, ladeados por fibulares longo e curto que, de tão
ressaltados, formam um canal na lateral o "rasgado"
que faz brilhar os olhos dos malhadores sérios (e virar
o pescoço do resto dos homens). Em outras palavras,
Sabrina Sato, 26 anos, a apresentadora-comediante do programa
Pânico na TV, ostenta, em saias curtíssimas
e saltos altíssimos, um dos mais admiráveis
pares de membros inferiores da história deste país.
Que mulher não vê esse prodígio da natureza
e pensa imediatamente em se esfalfar na ginástica até
conseguir algo semelhante? Triste ilusão. Sabrina é,
antes de tudo, uma privilegiada pela genética, que
lhe deu um equipamento básico espetacular e, ainda
por cima, a capacidade incomum de aprimorá-lo na malhação,
mesmo quando errática. "Ela é minha pior e melhor
aluna. Some, fica semanas sem aparecer, aí me liga
desesperada porque tem uma foto ou um trabalho novo. Vem,
treina uns dias e desaparece novamente, mas bastam esses poucos
dias para ficar em forma. Não funciona para 98% das
pessoas que eu atendo", diz seu personal trainer, Ivan do
Espírito Santo. "As pessoas já nascem desenhadas
com uma musculatura que terá propensão a se
desenvolver ou não", confirma o médico Daniel
Esperante Gomes, especialista em traumatologia esportiva.
Em matéria de desenvolvimento,
pernas são, digamos, ambivalentes. A musculatura maior
das coxas tem resposta mais visível; a das panturrilhas,
dependendo do tipo físico, só com regimes severos
e muitas horas de dedicação, como balé
ou ginástica olímpica. Pernas bonitas acontecem
em todos os biotipos na ilustração abaixo,
Scheila Carvalho, Elba Ramalho e Ana Hickmann são exemplos
flagrantes. Até nisso Sabrina saiu ganhando na loteria
genética. Ela é uma normolínea com ascendente
em brevilínea e longilíneo: seu 1,69 metro de
altura, sendo 89 centímetros da virilha ao calcanhar,
e 59 quilos de peso são resultado da conjunção
dos genes da mãe, Kika, 1,58 metro, filha de japoneses,
e do pai, Omar, 1,81 metro, filho de suíça com
libanês. "Minha mãe é baixinha, não
é magra e não tem um único furinho de
celulite", diz Sabrina. O que a genética facilitou,
ela potencializou. Seu currículo registra doze anos
de balé clássico entremeados com a prática
de ginástica olímpica, vôlei e basquete,
além de muita bicicleta nas ruas de Penápolis,
interior de São Paulo, onde cresceu. "Minha mãe
me matriculava em todos os esportes que apareciam para ver
se controlava minha hiperatividade. Tanto que, quando eu era
mais nova, me chamavam de Roberto Carlos, por causa das coxas
musculosas. Agora estou gastando a poupança que fiz
naqueles anos todos", diz.
A explicação soa
como coisa de Sabrina, mas faz sentido: quanto mais tempo
se exercita o corpo, mais ele "aprende" e armazena a informação.
"A célula muscular se hipertrofia e fica condicionada
ao estímulo. Quem fez muita atividade física
vai manter os benefícios por um bom tempo, depois que
pára de se exercitar", diz Gomes. Bem instalada em
sua poupança poderosa, Sabrina se dá ao luxo
da preguiça. Quando resolve aparecer na academia, faz
um circuito exaustivo, intercalando aparelhos de musculação
com esteira. "Deveria durar uma hora. Mas ela está
sempre atrasada e não fica aqui mais do que 45 minutos",
resigna-se seu treinador. Adianta? Em sendo Sabrina, ora se
adianta basta olhar para o portentoso nível
de delineamento justamente da reticente batata da perna.
Sabrina compensa a falta de
disciplina na musculação com recursos muito
próprios: freqüentemente troca o elevador (mora
no 16º andar) pela escada, que sobe de dois em dois degraus,
faz agachamentos enquanto toma sol na piscina e, que ninguém
nos ouça entregar semelhante intimidade, "fora de casa
só faço xixi em pé". A drenagem linfática
é semanal, no salão de beleza que abriu com
a irmã no bairro de Vila Clementino, em São
Paulo. "Sempre peço para pegar pesado. Às vezes
fico roxa, mas dá resultado. Se bem que tem um pouco
de celulite aqui, está vendo?", aponta, levantando
a saia. Não, ninguém vê nada remotamente
semelhante. "Só tem uma abelha rainha na colméia
e isso é determinado geneticamente. Pois Sabrina é
uma abelha rainha do desenvolvimento muscular. Sendo assim,
não adianta uma abelha operária passar horas
na academia e achar que vai ficar igual. O máximo que
vai conseguir é uma lesão", alerta Luiz Galasso,
treinador do Reebok Sports Club. Salve, portanto, a rainha.
"DEPENDE DA FÔRMA"
São
três os tipos físicos em que se encaixam
os seres humanos: o brevilíneo (baixo e forte),
o normolíneo ("normal", obviamente) e o longilíneo
(as modelos em geral). Características e potencial
de desenvolvimento muscular de cada um:
BREVILÍNEO
Figura
exemplar: Scheila Carvalho (em 2000)
Baixa estatura, ombros largos, aspecto
atarracado, membros inferiores bem desenvolvidos,
camada de gordura maior
Muita força, pouca resistência
Ganha musculatura com facilidade (e
gordura também)
Equivalente no mundo animal: buldogue
Frederico
Busch
Ricardo
Fasanello
NORMOLÍNEO
Figura
exemplar: Elba Ramalho (em 1999)
Proporção equilibrada
entre tronco e membros inferiores, musculatura
definida, camada de gordura regular
Força e resistência
Ganha musculatura com esforço
e dedicação
Equivalente no mundo animal: leão
LONGILÍNEO
Figura
exemplar: Ana Hickmann (sempre)
Membros inferiores e superiores alongados,
musculatura sem volume, pequena camada de
gordura