BUSCA

Busca avançada      
FALE CONOSCO
Escreva para VEJA
Para anunciar
Abril SAC
ACESSO LIVRE
Conheça as seções e áreas de VEJA.com
com acesso liberado
REVISTAS
VEJA
Edição 2030

17 de outubro de 2007
ver capa
NESTA EDIÇÃO
Índice
COLUNAS
Claudio de Moura Castro
Millôr
André Petry
Diogo Mainardi
Roberto Pompeu de Toledo
SEÇÕES
Carta ao leitor
Entrevista
Cartas
VEJA.com
Holofote
Contexto
Radar
Veja essa
Gente
Datas
Auto-retrato
VEJA Recomenda
Os livros mais vendidos
Publicidade
 

Beleza
Quer iguais? Vai querendo

Quem acha que Sabrina Sato se mata na malhação
errou – ela nasceu com o equipamento básico para
ter pernas espetaculares


Mariliz Pereira Jorge

Rodrigo Schmidt/ Ag. News
Pernas padrão Sato: definição muscular muito acima da das comuns mortais


Vistas de frente, o que impressiona é a coxa duríssima, torneada de forma quase sobre-humana: onze músculos condicionados à perfeição, capitaneados pelo quadríceps, o mais importante e protuberante, e delimitados pelo retesado vasto lateral. Vistas de trás, o destaque vai para a panturrilha: sete músculos excepcionalmente desenvolvidos, com destaque para o gastrocnêmio e o solear, ladeados por fibulares longo e curto que, de tão ressaltados, formam um canal na lateral – o "rasgado" que faz brilhar os olhos dos malhadores sérios (e virar o pescoço do resto dos homens). Em outras palavras, Sabrina Sato, 26 anos, a apresentadora-comediante do programa Pânico na TV, ostenta, em saias curtíssimas e saltos altíssimos, um dos mais admiráveis pares de membros inferiores da história deste país. Que mulher não vê esse prodígio da natureza e pensa imediatamente em se esfalfar na ginástica até conseguir algo semelhante? Triste ilusão. Sabrina é, antes de tudo, uma privilegiada pela genética, que lhe deu um equipamento básico espetacular e, ainda por cima, a capacidade incomum de aprimorá-lo na malhação, mesmo quando errática. "Ela é minha pior e melhor aluna. Some, fica semanas sem aparecer, aí me liga desesperada porque tem uma foto ou um trabalho novo. Vem, treina uns dias e desaparece novamente, mas bastam esses poucos dias para ficar em forma. Não funciona para 98% das pessoas que eu atendo", diz seu personal trainer, Ivan do Espírito Santo. "As pessoas já nascem desenhadas com uma musculatura que terá propensão a se desenvolver ou não", confirma o médico Daniel Esperante Gomes, especialista em traumatologia esportiva.

Em matéria de desenvolvimento, pernas são, digamos, ambivalentes. A musculatura maior das coxas tem resposta mais visível; a das panturrilhas, dependendo do tipo físico, só com regimes severos e muitas horas de dedicação, como balé ou ginástica olímpica. Pernas bonitas acontecem em todos os biotipos – na ilustração abaixo, Scheila Carvalho, Elba Ramalho e Ana Hickmann são exemplos flagrantes. Até nisso Sabrina saiu ganhando na loteria genética. Ela é uma normolínea com ascendente em brevilínea e longilíneo: seu 1,69 metro de altura, sendo 89 centímetros da virilha ao calcanhar, e 59 quilos de peso são resultado da conjunção dos genes da mãe, Kika, 1,58 metro, filha de japoneses, e do pai, Omar, 1,81 metro, filho de suíça com libanês. "Minha mãe é baixinha, não é magra e não tem um único furinho de celulite", diz Sabrina. O que a genética facilitou, ela potencializou. Seu currículo registra doze anos de balé clássico entremeados com a prática de ginástica olímpica, vôlei e basquete, além de muita bicicleta nas ruas de Penápolis, interior de São Paulo, onde cresceu. "Minha mãe me matriculava em todos os esportes que apareciam para ver se controlava minha hiperatividade. Tanto que, quando eu era mais nova, me chamavam de Roberto Carlos, por causa das coxas musculosas. Agora estou gastando a poupança que fiz naqueles anos todos", diz.

A explicação soa como coisa de Sabrina, mas faz sentido: quanto mais tempo se exercita o corpo, mais ele "aprende" e armazena a informação. "A célula muscular se hipertrofia e fica condicionada ao estímulo. Quem fez muita atividade física vai manter os benefícios por um bom tempo, depois que pára de se exercitar", diz Gomes. Bem instalada em sua poupança poderosa, Sabrina se dá ao luxo da preguiça. Quando resolve aparecer na academia, faz um circuito exaustivo, intercalando aparelhos de musculação com esteira. "Deveria durar uma hora. Mas ela está sempre atrasada e não fica aqui mais do que 45 minutos", resigna-se seu treinador. Adianta? Em sendo Sabrina, ora se adianta – basta olhar para o portentoso nível de delineamento justamente da reticente batata da perna.

Sabrina compensa a falta de disciplina na musculação com recursos muito próprios: freqüentemente troca o elevador (mora no 16º andar) pela escada, que sobe de dois em dois degraus, faz agachamentos enquanto toma sol na piscina e, que ninguém nos ouça entregar semelhante intimidade, "fora de casa só faço xixi em pé". A drenagem linfática é semanal, no salão de beleza que abriu com a irmã no bairro de Vila Clementino, em São Paulo. "Sempre peço para pegar pesado. Às vezes fico roxa, mas dá resultado. Se bem que tem um pouco de celulite aqui, está vendo?", aponta, levantando a saia. Não, ninguém vê nada remotamente semelhante. "Só tem uma abelha rainha na colméia e isso é determinado geneticamente. Pois Sabrina é uma abelha rainha do desenvolvimento muscular. Sendo assim, não adianta uma abelha operária passar horas na academia e achar que vai ficar igual. O máximo que vai conseguir é uma lesão", alerta Luiz Galasso, treinador do Reebok Sports Club. Salve, portanto, a rainha.

 

"DEPENDE DA FÔRMA"

São três os tipos físicos em que se encaixam os seres humanos: o brevilíneo (baixo e forte), o normolíneo ("normal", obviamente) e o longilíneo (as modelos em geral). Características e potencial de desenvolvimento muscular de cada um:

 
BREVILÍNEO
Figura exemplar: Scheila Carvalho (em 2000)
Baixa estatura, ombros largos, aspecto atarracado, membros inferiores bem desenvolvidos, camada de gordura maior
Muita força, pouca resistência
Ganha musculatura com facilidade (e gordura também)
Equivalente no mundo animal: buldogue
Frederico Busch

Ricardo Fasanello
NORMOLÍNEO
Figura exemplar: Elba Ramalho (em 1999)
Proporção equilibrada entre tronco e membros inferiores, musculatura definida, camada de gordura regular
Força e resistência
Ganha musculatura com esforço e dedicação
Equivalente no mundo animal: leão

LONGILÍNEO
Figura exemplar: Ana Hickmann (sempre)
Membros inferiores e superiores alongados, musculatura sem volume, pequena camada de gordura
Mais resistência, menos força
• Não ganha musculatura nem com grande esforço
Equivalente no mundo animal: girafa
Claudia Martins/Strana



Publicidade

  VEJA | Veja São Paulo | Veja Rio | Expediente | Fale conosco | Anuncie | Newsletter |