BUSCA

Busca avançada      
FALE CONOSCO
Escreva para VEJA
Para anunciar
Abril SAC
ACESSO LIVRE
Conheça as seções e áreas de VEJA.com
com acesso liberado
REVISTAS
VEJA
Edição 2030

17 de outubro de 2007
ver capa
NESTA EDIÇÃO
Índice
COLUNAS
Claudio de Moura Castro
Millôr
André Petry
Diogo Mainardi
Roberto Pompeu de Toledo
SEÇÕES
Carta ao leitor
Entrevista
Cartas
VEJA.com
Holofote
Contexto
Radar
Veja essa
Gente
Datas
Auto-retrato
VEJA Recomenda
Os livros mais vendidos
Publicidade
 

Brasil
Massacre na estrada

Carreta ignora sinalização e atropela equipe
de resgate de outro acidente. Saldo: 27 mortos

 

Raquel/Diário Catarinense
Local da tragédia: quem foi prestar socorro aos feridos do primeiro acidente se tornou vítima da carreta desgovernada

O duplo acidente ocorrido na semana passada na rodovia federal BR-282, no oeste de Santa Catarina, deixou o país estarrecido e mais uma vez evidenciou o descalabro que reina nas estradas brasileiras – perigosas, malconservadas e mal sinalizadas. Eram 19h30 de terça-feira quando um caminhão carregado de soja tentou ultrapassar outro veículo pela contramão num trecho da pista com curva e em declive, proibido para essa manobra. O caminhão chocou-se de frente com um ônibus fretado que trazia 40 agricultores vindos de uma feira de negócios em Chapecó. Com a colisão, os dois veículos caíram numa ribanceira de uma altura de mais de 20 metros. O motorista e dois passageiros do ônibus morreram na hora. O mesmo ocorreu com o caminhoneiro, sua mulher e os dois filhos do casal, que o acompanhavam na cabine. Mas esse era apenas o primeiro capítulo da tragédia.

Duas horas depois, o caminhão dirigido por Rosinei Ferrari, de 28 anos, furou o bloqueio montado pela Polícia Rodoviária em torno do acidente. Trafegando a mais de 100 quilômetros por hora, como uma besta desgovernada, bateu em nove veículos e atropelou bombeiros e policiais que estavam na pista no trabalho de resgate. Também passou por cima de sobreviventes do ônibus acidentado e de curiosos que assistiam à operação. O saldo trágico do duplo desastre foi de 27 mortos e mais de oitenta feridos. O caminhoneiro Ferrari sobreviveu ao acidente. A polícia anunciou que, assim que tivesse alta, seria preso e autuado por homicídio doloso eventual, quando não há intenção de matar mas se tem consciência do risco. No hospital, Ferrari disse que ultrapassou o bloqueio porque seu caminhão perdeu os freios. O motorista também afirmou que buzinou e acionou o farol alto para alertar as pessoas de sua aproximação. Para o delegado Rodrigo Cesar Barbosa, responsável pelo inquérito policial do caso, Ferrari assumiu o risco de provocar mortes quando trafegou pela pista na contramão, por mais de 2 quilômetros.

O Brasil está entre os campeões mundiais em desastres rodoviários. Apenas de janeiro a agosto deste ano, ocorreram 82.000 acidentes nas estradas federais do país, com mais de 4.600 vítimas fatais. É o mesmo número de mortes que causaria a queda de onze aviões Jumbo 747. Segundo dados do Departamento Nacional de Trânsito, o estado de Santa Catarina é o segundo colocado em número de acidentes, atrás de Minas Gerais. Para se ter uma idéia do risco que se corre ao trafegar pelas rodovias federais, apenas 9% delas têm pista dupla, que torna as ultrapassagens seguras. Somem-se a isso as péssimas condições das pistas e tem-se o cenário ideal para a sucessão de tragédias que recheiam as estatísticas. Um estudo recente do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada mostra que os acidentes nas rodovias custam à economia brasileira 22 bilhões de reais por ano, gastos em hospitalizações, indenizações e danos materiais.




Publicidade

  VEJA | Veja São Paulo | Veja Rio | Expediente | Fale conosco | Anuncie | Newsletter |