Ela despontou em 2006 com Smile, delicioso reggae pop,
em que faz troça de um ex-namorado. Com língua
afiada, um blog cheio de opiniões, um estilo próprio
de se vestir e sobretudo com um ótimo primeiro disco,
Alright, Still, tornou-se uma das figuras mais carismáticas
da nova música inglesa. Nos últimos tempos,
é verdade, deu seus vexames na noite londrina. Mas
Lily Allen, 22 anos, garante que já está "mais
calma". Ela se apresenta em São Paulo no dia 10 de
novembro e conversou com o repórter Sérgio Martins.
SUAS FARRAS PELAS
BOATES DE LONDRES TÊM RENDIDO NOTÍCIA. É
IMPOSSÍVEL HOJE EM DIA SER UMA ARTISTA JOVEM E FAMOSA
E NÃO VIRAR ASSUNTO DE TABLÓIDE? Eu sempre critiquei Paris Hilton e Lindsay Lohan pela
maneira como alimentavam os tablóides. Acabei provando
do mesmo remédio. É uma ironia, vou fazer o
quê? Garanto que agora estou mais calma.
VOCÊ SE
PREOCUPA COM A IMAGEM QUE POSSA PASSAR PARA SEUS FÃS,
EM BOA PARTE ADOLESCENTES? Sim, claro que me preocupo. Mas o pior de criar confusões
é magoar pessoas próximas, como meus pais e
amigos. Hoje sei de minha responsabilidade com eles.
COMO VOCÊ
ATINGIU SUA FAMÍLIA? Vou contar uma história relacionada ao lançamento
de meu disco. Uma das canções, Alfie,
fala de como flagrei meu irmão usando drogas. Quando
o episódio por trás da canção
veio à tona, foi horrível para meu pai, uma
péssima surpresa para ele, que não tinha idéia
do que se passava com o filho. Meu irmão também
não gostou. Mas tudo está bem entre nós.
Ele é um rapaz bonito, inteligente, e hoje tem hábitos
saudáveis.
OUTRAS CANÇÕES
DE ALRIGHT, STILL SÃO BASEADAS EM EXPERIÊNCIAS
PESSOAIS. A MAIS FAMOSA, SMILE, É UM ACERTO
DE CONTAS COM UM EX-NAMORADO. JÁ SABE COMO ELE REAGIU
À "HOMENAGEM"? No fim do ano passado, ele foi ao meu show e cantei Smile
olhando diretamente em seus olhos. De repente, o público
percebeu que o sujeito que inspirou a canção
estava ali. Foram dezenas de pessoas fazendo troça
dele. Aqui se faz, aqui se paga, não é?
SUA MÚSICA
FAZ REFERÊNCIA AO POP DO COMEÇO DOS ANOS 80,
QUANDO VOCÊ NEM TINHA NASCIDO. COMO ABSORVEU ESSAS REFERÊNCIAS? Eu não fui uma adolescente típica, que
curtia os sucessos do rádio e tinha pôsteres
dos ídolos do momento. Descobri a música vasculhando
a coleção de discos dos meus pais, composta
de álbuns de punk rock e reggae. Lá estavam
os álbuns de Blondie, um grupo que adoro até
hoje. Não foi só isso que herdei. Do meu pai,
que é comediante, puxei o humor ácido, presente
nas minhas letras.
DOIS MESES ATRÁS,
VOCÊ TEVE SEU VISTO DE ENTRADA NEGADO PELO DEPARTAMENTO
DE IMIGRAÇÃO DOS ESTADOS UNIDOS. O QUE ACONTECEU? Pode ter certeza de que não tem nada a ver com
terrorismo. Nem com minhas farras. Ainda não me tornei
uma ameaça pública. Foi pura e simplesmente
uma bagunça com meu visto de trabalho. A solução
foi voltar para Londres e cancelar os compromissos. O lado
positivo foi ganhar tempo para trabalhar no meu próximo
disco. É claro que uma das músicas será
sobre esse episódio.
MUITAS DAS CANÇÕES
DE ALRIGHT, STILL FORAM DIVULGADAS NA INTERNET ANTES
DE SER LANÇADAS EM DISCO. HOJE EM DIA, A INTERNET É
A MELHOR MANEIRA DE DIVULGAR UM ARTISTA? Eu diria que é das mais eficientes. A garotada
que navega pelos sites de música está atrás
de novidades, e não apenas do que as rádios
e gravadoras oferecem ou impõem. O sucesso do meu disco
começou ali, quando coloquei minhas músicas
para apreciação do público que visitava
o MySpace.
VOCÊ TAMBÉM
POSSUI UM BLOG. VALE A PENA MANTER UM DIÁRIO NA REDE? A idéia de criar um blog antecede a de pôr
minhas músicas no MySpace. Ele é um elo de comunicação
com as pessoas, um lugar onde posso falar sobre os assuntos
do dia. Desde que minha carreira engrenou, surgiram novas
utilidades como desmentir boatos desagradáveis
sobre mim. O blog até já reforçou minha
auto-estima. Certa vez, postei um texto em que me achava muito
gorda. Os fãs vieram em meu socorro. Foi bom.