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17 de outubro de 2007
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Lily Allen

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Ela despontou em 2006 com Smile, delicioso reggae pop, em que faz troça de um ex-namorado. Com língua afiada, um blog cheio de opiniões, um estilo próprio de se vestir e sobretudo com um ótimo primeiro disco, Alright, Still, tornou-se uma das figuras mais carismáticas da nova música inglesa. Nos últimos tempos, é verdade, deu seus vexames na noite londrina. Mas Lily Allen, 22 anos, garante que já está "mais calma". Ela se apresenta em São Paulo no dia 10 de novembro e conversou com o repórter Sérgio Martins.

SUAS FARRAS PELAS BOATES DE LONDRES TÊM RENDIDO NOTÍCIA. É IMPOSSÍVEL HOJE EM DIA SER UMA ARTISTA JOVEM E FAMOSA E NÃO VIRAR ASSUNTO DE TABLÓIDE?
Eu sempre critiquei Paris Hilton e Lindsay Lohan pela maneira como alimentavam os tablóides. Acabei provando do mesmo remédio. É uma ironia, vou fazer o quê? Garanto que agora estou mais calma.

VOCÊ SE PREOCUPA COM A IMAGEM QUE POSSA PASSAR PARA SEUS FÃS, EM BOA PARTE ADOLESCENTES?
Sim, claro que me preocupo. Mas o pior de criar confusões é magoar pessoas próximas, como meus pais e amigos. Hoje sei de minha responsabilidade com eles.

COMO VOCÊ ATINGIU SUA FAMÍLIA?
Vou contar uma história relacionada ao lançamento de meu disco. Uma das canções, Alfie, fala de como flagrei meu irmão usando drogas. Quando o episódio por trás da canção veio à tona, foi horrível para meu pai, uma péssima surpresa para ele, que não tinha idéia do que se passava com o filho. Meu irmão também não gostou. Mas tudo está bem entre nós. Ele é um rapaz bonito, inteligente, e hoje tem hábitos saudáveis.

OUTRAS CANÇÕES DE ALRIGHT, STILL SÃO BASEADAS EM EXPERIÊNCIAS PESSOAIS. A MAIS FAMOSA, SMILE, É UM ACERTO DE CONTAS COM UM EX-NAMORADO. JÁ SABE COMO ELE REAGIU À "HOMENAGEM"?
No fim do ano passado, ele foi ao meu show e cantei Smile olhando diretamente em seus olhos. De repente, o público percebeu que o sujeito que inspirou a canção estava ali. Foram dezenas de pessoas fazendo troça dele. Aqui se faz, aqui se paga, não é?

SUA MÚSICA FAZ REFERÊNCIA AO POP DO COMEÇO DOS ANOS 80, QUANDO VOCÊ NEM TINHA NASCIDO. COMO ABSORVEU ESSAS REFERÊNCIAS?
Eu não fui uma adolescente típica, que curtia os sucessos do rádio e tinha pôsteres dos ídolos do momento. Descobri a música vasculhando a coleção de discos dos meus pais, composta de álbuns de punk rock e reggae. Lá estavam os álbuns de Blondie, um grupo que adoro até hoje. Não foi só isso que herdei. Do meu pai, que é comediante, puxei o humor ácido, presente nas minhas letras.

DOIS MESES ATRÁS, VOCÊ TEVE SEU VISTO DE ENTRADA NEGADO PELO DEPARTAMENTO DE IMIGRAÇÃO DOS ESTADOS UNIDOS. O QUE ACONTECEU?
Pode ter certeza de que não tem nada a ver com terrorismo. Nem com minhas farras. Ainda não me tornei uma ameaça pública. Foi pura e simplesmente uma bagunça com meu visto de trabalho. A solução foi voltar para Londres e cancelar os compromissos. O lado positivo foi ganhar tempo para trabalhar no meu próximo disco. É claro que uma das músicas será sobre esse episódio.

MUITAS DAS CANÇÕES DE ALRIGHT, STILL FORAM DIVULGADAS NA INTERNET ANTES DE SER LANÇADAS EM DISCO. HOJE EM DIA, A INTERNET É A MELHOR MANEIRA DE DIVULGAR UM ARTISTA?
Eu diria que é das mais eficientes. A garotada que navega pelos sites de música está atrás de novidades, e não apenas do que as rádios e gravadoras oferecem ou impõem. O sucesso do meu disco começou ali, quando coloquei minhas músicas para apreciação do público que visitava o MySpace.

VOCÊ TAMBÉM POSSUI UM BLOG. VALE A PENA MANTER UM DIÁRIO NA REDE?
A idéia de criar um blog antecede a de pôr minhas músicas no MySpace. Ele é um elo de comunicação com as pessoas, um lugar onde posso falar sobre os assuntos do dia. Desde que minha carreira engrenou, surgiram novas utilidades – como desmentir boatos desagradáveis sobre mim. O blog até já reforçou minha auto-estima. Certa vez, postei um texto em que me achava muito gorda. Os fãs vieram em meu socorro. Foi bom.




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