Edição 1918 . 17 de agosto de 2005

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Humor
O vingador da internet

O escândalo do mensalão ganhou seu
satirista na rede: o mineiro Maurício Quirino


Divulgação
Quirino: desforra contra os corruptos


O escândalo do mensalão é a primeira crise brasileira grave que se desenrola inteiramente na era da internet – e o humor político já encontrou seu espaço na rede. O principal responsável por isso é o mineiro Maurício Ricardo Quirino. Ele está por trás do charges.com.br, site que responde por mais da metade dos acessos a páginas de humor na internet nacional, de acordo com as medições do Ibope/NetRatings. Todos os dias, Quirino coloca no ar uma nova "charge-okê" – como ele chama sua mistura de charge animada e paródia musical. Nos cinco anos de existência do site, o humorista nunca se ateve a um único tema: satiriza do futebol às telenovelas. Mas os escândalos que abalam o governo Lula se revelaram sua fonte de inspiração mais prolífica (veja quadro). "Na crise atual, só tem piada pronta", diz. Quirino criou uma charge em que o ex-ministro José Dirceu ganha o apelido de "José Desceu" e, metido num vestidinho pink que deixa entrever os pêlos do peito, entoa uma versão do hit Material Girl, de Madonna. Em outra animação, o presidente Lula, com os pneus à mostra, canta uma paródia de Guantanamera enquanto dança com Marisa. "Quanta lameira, Marisa, quanta lameira", diz o refrão.

Quirino é um chargista com talentos múltiplos: além de desenhar e dotar as imagens de movimento no computador, é ele mesmo quem faz as letras, toca e canta. Aprendeu isso nos tempos em que foi guitarrista de uma banda de rock. Ele também atuou como jornalista, mas desistiu de seu emprego num diário de Uberlândia para se dedicar às charges. "Eu desenhava para aliviar o stress no trabalho. Às vezes me sentia um artista frustrado", diz. Hoje, a atividade lhe rende dividendos. Sua empresa fatura cerca de 25.000 reais por mês e, recentemente, teve a associação com o portal Universo Online renovada por três anos. Os traços de Quirino também chegaram à televisão. Quando o charges. com.br tinha apenas alguns meses de existência, os cartuns chamaram a atenção da Rede Globo, que exibiu suas animações no Domingão do Faustão. Ele foi ainda o criador das charges da última edição do Big Brother Brasil e hoje presta serviço para outro programa da casa, o seriado Sob Nova Direção.

De seu estúdio em Uberlândia, Quirino produz charges que são vistas diariamente por 120.000 pessoas em todo o país – o dobro da audiência que ele obtinha antes da crise. Além disso, as pessoas baixam as charges no computador e as enviam aos conhecidos em correntes de e-mail. Quirino não tem pudor de colocar o dedo na ferida. Isso já lhe rendeu um processo do ex-prefeito paulistano Paulo Maluf, que não gostou de uma piada a seu respeito. Como se vê nas charges sobre o governo Lula, Quirino não abre mão de sua irreverência. "Com as charges, o brasileiro vai à desforra contra os políticos corruptos", diz.

 

CRISE ANIMADA

Os cartuns do site charges.com.br
sobre o escândalo do mensalão


O cinéfilo José Wilker recomenda: "Vale a pena conferir A Fantástica Fábrica de Chocolate, história de Lula Wonka, dono de uma fábrica que vive no mundo da fantasia achando que seu rio de lama é de chocolate"

O "Carequinha do Mensalão", inspirado em Marcos Valério: "Fiquei muito tempo / Roubando quietinho / Com meu grupinho sem ninguém notar! / Se eu era influente? / Me diga você: até paguei conta do PT"

"José Desceu" interpreta uma versão de Material Girl, de Madonna: "Pra que se arriscar / Se com grana na mão / Você compra o Congresso e faz / A revolução? A gente vive num mundo materialista / Virei um político materialista"

Lula canta e dança com Marisa, ao som de uma paródia de Guantanamera: "Quanta lameira / Marisa, quanta lameira / Denúncias me envolvendo / Saem na imprensa direto / A minoria que lê / Vê como fato concreto / A sorte é que no Brasil / não falta analfabeto"

 

 

 
 
 
 
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