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Humor
O vingador da internet
O escândalo do mensalão ganhou seu
satirista na rede: o mineiro Maurício Quirino
Divulgação
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| Quirino: desforra contra os corruptos |
O escândalo do mensalão é a primeira crise brasileira
grave que se desenrola inteiramente na era da internet e
o humor político já encontrou seu espaço na
rede. O principal responsável por isso é o mineiro
Maurício Ricardo Quirino. Ele está por trás
do charges.com.br, site que responde por mais da metade dos acessos
a páginas de humor na internet nacional, de acordo com as
medições do Ibope/NetRatings. Todos os dias, Quirino
coloca no ar uma nova "charge-okê" como ele chama sua
mistura de charge animada e paródia musical. Nos cinco anos
de existência do site, o humorista nunca se ateve a um único
tema: satiriza do futebol às telenovelas. Mas os escândalos
que abalam o governo Lula se revelaram sua fonte de inspiração
mais prolífica (veja
quadro). "Na crise atual, só tem piada pronta",
diz. Quirino criou uma charge em que o ex-ministro José Dirceu
ganha o apelido de "José Desceu" e, metido num vestidinho
pink que deixa entrever os pêlos do peito, entoa uma versão
do hit Material Girl, de Madonna. Em outra animação,
o presidente Lula, com os pneus à mostra, canta uma paródia
de Guantanamera enquanto dança com Marisa. "Quanta
lameira, Marisa, quanta lameira", diz o refrão.
Quirino é um chargista
com talentos múltiplos: além de desenhar e dotar as
imagens de movimento no computador, é ele mesmo quem faz
as letras, toca e canta. Aprendeu isso nos tempos em que foi guitarrista
de uma banda de rock. Ele também atuou como jornalista, mas
desistiu de seu emprego num diário de Uberlândia para
se dedicar às charges. "Eu desenhava para aliviar o stress
no trabalho. Às vezes me sentia um artista frustrado", diz.
Hoje, a atividade lhe rende dividendos. Sua empresa fatura cerca
de 25.000 reais por mês e, recentemente, teve a associação
com o portal Universo Online renovada por três anos. Os traços
de Quirino também chegaram à televisão. Quando
o charges. com.br tinha apenas alguns meses de existência,
os cartuns chamaram a atenção da Rede Globo, que exibiu
suas animações no Domingão do Faustão.
Ele foi ainda o criador das charges da última edição
do Big Brother Brasil e hoje presta serviço para outro
programa da casa, o seriado Sob Nova Direção.
De seu estúdio em Uberlândia,
Quirino produz charges que são vistas diariamente por 120.000
pessoas em todo o país o dobro da audiência
que ele obtinha antes da crise. Além disso, as pessoas baixam
as charges no computador e as enviam aos conhecidos em correntes
de e-mail. Quirino não tem pudor de colocar o dedo na ferida.
Isso já lhe rendeu um processo do ex-prefeito paulistano
Paulo Maluf, que não gostou de uma piada a seu respeito.
Como se vê nas charges sobre o governo Lula, Quirino não
abre mão de sua irreverência. "Com as charges, o brasileiro
vai à desforra contra os políticos corruptos", diz.
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CRISE ANIMADA
Os cartuns do site charges.com.br
sobre o escândalo do mensalão
O cinéfilo José Wilker
recomenda: "Vale a pena conferir A Fantástica
Fábrica de Chocolate, história de
Lula Wonka, dono de uma fábrica que vive no mundo
da fantasia achando que seu rio de lama é de
chocolate"
O "Carequinha do Mensalão",
inspirado em Marcos Valério: "Fiquei muito
tempo / Roubando quietinho / Com meu grupinho sem ninguém
notar! / Se eu era influente? / Me diga você:
até paguei conta do PT"
"José Desceu" interpreta
uma versão de Material Girl, de Madonna:
"Pra que se arriscar / Se com grana na mão /
Você compra o Congresso e faz / A revolução?
A gente vive num mundo materialista / Virei um político
materialista"
Lula
canta e dança com Marisa, ao som de uma
paródia de Guantanamera: "Quanta lameira
/ Marisa, quanta lameira / Denúncias me envolvendo
/ Saem na imprensa direto / A minoria que lê /
Vê como fato concreto / A sorte é que no
Brasil / não falta analfabeto"
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