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Cinema Brega
com verniz O filme sobre Zezé
di Camargo & Luciano é agradável, mas não mudará
o modo de ver a dupla  Sérgio
Martins
Divulgação
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Filhos de Francisco: com aval dos manda-chuvas |
Há
dois anos, o cantor Zezé di Camargo convenceu um executivo de sua gravadora
de que sua vida renderia um filme. Saído de uma família pobre de
Goiás, ele começou a cantar na infância e enfrentou uma via-crúcis
até se tornar um astro da música sertaneja, em dupla com o irmão
Luciano. Era uma história de superação, argumentava Zezé,
uma história edificante. A idéia foi levada à frente, e seu
fruto é 2 Filhos de Francisco, que estréia nesta sexta-feira
no país. Orçada em 9 milhões de reais, a fita é um
dos principais lançamentos do cinema brasileiro neste ano: será
exibida em 25 salas, número comparável ao de superproduções
como Homem-Aranha. Narra a história de Zezé di Camargo &
Luciano sob o ponto de vista do pai dos sertanejos, Francisco. Apaixonado por
música, o patriarca sempre acalentou o sonho de que seus filhos formassem
um conjunto. Vivido pelo ator Angelo Antonio, ele não mede esforços
nesse objetivo. Elege os dois mais velhos de sua prole para a carreira artística
Mirosmar, que mais tarde seria Zezé, e Emival, morto num acidente
de carro ainda criança (eles são representados pelos garotos Dablio
Moreira e Marcos Henrique, respectivamente). Francisco consome suas economias
em instrumentos para os filhos, muda-se para a cidade grande em nome do futuro
musical deles e até se arrisca a entregá-los nas mãos de
um empresário inescrupuloso.
Dirigida por Breno Silveira, a fita usa de todos os recursos para emocionar o
público. Não faltam cenas em que a família Camargo passa
fome. O ápice do sofrimento é a morte de Emival Zezé
escapa por pouco do acidente e só chega em casa depois de semanas de viagem
numa perua, com o caixão do irmão no porta-malas. A partir disso,
a trama dá um salto temporal e entram em cena um Zezé crescido (Márcio
Kieling) e seu irmão mais novo, Welson (Wigor Lima), que se tornaria o
futuro parceiro, Luciano. A família Camargo real aparece no fim, num show
apoteótico da dupla nos dias de hoje. Mas 2 Filhos de Francisco independe
da presença deles para funcionar como filme.
A produção tem dois objetivos claros. Um deles é cumprido.
A fita não provoca dores no espectador. Com doses bem calibradas de humor
e drama, ela entretém o público. O roteiro é azeitado e há
interpretações competentes, como a de José Dumont, impagável
no papel do empresário picareta. O segundo objetivo é coroar o processo
de lapidação da imagem de Zezé di Camargo & Luciano.
Na última década, a dupla conquistou uma grande brigada de fãs
na classe média e também foi adotada por manda-chuvas do meio cultural.
Os créditos do filme atestam isso: a produtora é a carioca Conspiração,
que tem como sócios parentes de Fernanda Montenegro e Chico Buarque, e
a trilha sonora coube a Caetano Veloso. Mas todo esse verniz é pouco. Depois
de ver 2 Filhos de Francisco, ninguém sairá convencido de
que Zezé di Camargo & Luciano deixaram o brega para trás. |