Edição 1918 . 17 de agosto de 2005

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A vida sem patrão

Ser dono de um negócio é um desafio para o qual 45% dos brasileiros entre 18 e 40 anos se dizem preparados, segundo uma pesquisa feita pelo instituto Ipsos, de São Paulo. Se poucos realizam esse projeto, é porque o caminho para a criação de um empreendimento tem diversos percalços. Os micro e pequenos empresários representam 99% do total de negócios existentes no país, apesar da falta de incentivo aos novos empreendedores. A cada ano, criam-se 500 000 empresas – e 49% fecham as portas nos primeiros dois anos de existência, conforme números do Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae). Falta planejamento, e erros no controle do caixa influenciam nesse cenário. Mas é possível evitá-los tomando alguns cuidados. Os quadros abaixo listam os fatores responsáveis pelo sucesso ou pelo fracasso de um micro ou pequeno empreendimento.

Dez mandamentos para o sucesso

1. Fazer um bom plano de negócios. Não basta ter o capital. É imprescindível calcular a taxa de retorno necessária para manter o empreendimento no início.

2. Escolher um bom ponto. O imóvel deve estar regularizado na prefeitura.

3. Analisar a concorrência e o mercado. É importante andar pelas ruas e até comprar produtos ou serviços do concorrente.

4. Cuidar do contrato social. Há detalhes que não podem ser ignorados, como definir a parte e as funções de cada sócio e o que fazer no caso de morte de um dos donos.

5. Atender à burocracia e pagar os tributos. Um erro comum é definir oficialmente um tipo de empresa que paga impostos mais baixos para estabelecer-se, na verdade, em outra categoria de negócio. Isso sai caro. Há multas para desvio de razão social.

6. Ter um bom contador. Em caso de dúvidas, consultar o sindicato da categoria.

7. Registrar a marca no Instituto Nacional de Propriedade Industrial (Inpi).

8. Manter o profissionalismo. Mesmo em empresas familiares, definir no contrato social a função e o salário de cada integrante.

9. Reciclar-se sempre. Cursos, palestras e participação em feiras são importantes.

10. Ter perseverança. Um negócio costuma demorar dois anos para dar lucro.

 

Os sete pecados do capital

1. Falta de planejamento. O otimismo pode ser fatal. É preciso adequar a oferta à realidade do mercado e contar com problemas com fornecedores, manutenção e fontes de investimento, como bancos.

2. Má gestão financeira. Reflete-se, basicamente, na dificuldade de calcular preços e no descuido com o fluxo de caixa. Preço não é matéria-prima e mão-de-obra mais lucro. Encargos trabalhistas e impostos, por exemplo, não podem ser esquecidos.

3. Desatualização do produto. É preciso reavaliar constantemente as necessidades do mercado, pesquisar o que os clientes querem e o que a concorrência já mudou.

4. Descuido com o marketing. Às vezes o produto é muito bom, mas a fachada da loja não é atraente. Ou a loja é bonita mas ninguém sabe que a empresa existe.

5. Sobressaltos da conjuntura. Num país de instabilidade econômica, é preciso ter reservas para agüentar recessões, enfrentar perda de renda do consumidor e encarar altas dos juros.

6. Problemas pessoais. Empresas de estrutura enxuta podem ser abaladas por problemas com o dono ou com o chefe. Saúde e sucessão familiar merecem cuidado.

7. Desorganização. Um dos fatores que mais colaboram para a derrocada é misturar as contas pessoais com as da empresa.

 

A ordem na papelada

Está em discussão no Congresso Nacional a Lei Geral das Micro e Pequenas Empresas, que amplia as vantagens para esse tipo de negócio. Entre as novidades, o projeto corta metade da burocracia no setor, define autônomos como microempresários e facilita o acesso ao crédito. "Se esse projeto não passar até dezembro, teremos mais um ano de espera", alerta o economista Ricardo Tortorella, coordenador do grupo que formulou a lei. Enquanto os deputados não votam, os candidatos a pequeno empreendedor continuam a enfrentar uma maratona. Eis as principais etapas desse processo:

A LOCALIZAÇÃO
É preciso atender ao zoneamento municipal, encontrar um imóvel regularizado na prefeitura e adequar-se aos padrões da cidade, do estado e da legislação federal, conforme o tipo de empreendimento. Até o Corpo de Bombeiros, por exemplo, opina sobre a instalação de um escritório. Ao alugar, recomenda-se fazer um contrato de, no mínimo, quatro anos.

O CONTRATO
Uma boa alternativa é achar empresas de sucesso, da mesma proporção mas de outros ramos, e estudar seus contratos sociais. Mas um contador, pelo menos, é imprescindível nessa fase do processo.

O REGISTRO
Além do Instituto Nacional de Propriedade Industrial, da Junta Comercial e do cartório de pessoa jurídica, é preciso fazer pesquisas e registros na Receita Federal, na Secretaria da Fazenda estadual, no Corpo de Bombeiros e na prefeitura municipal. Restaurantes precisam de autorização da vigilância sanitária. Atividades com potencial poluidor precisam de aval de órgãos ambientais.

OS IMPOSTOS
Se a empresa arrecada até 1,2 milhão de reais anualmente, pode optar pelo sistema Simples, que unifica o pagamento de seis tipos de imposto. Restam, porém, a CPMF e o IOF , entre outros tributos recolhidos à parte. A Receita Federal, o Sebrae ou a Secretaria da Fazenda de cada estado podem fornecer outras informações sobre tributação.

 

Editado por Eduardo Burckhardt. Colaborou Igor Ribeiro

 
 
 
 
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