|
|
Guia A
vida sem patrão Ser dono de um negócio é
um desafio para o qual 45% dos brasileiros entre 18 e 40 anos se dizem preparados,
segundo uma pesquisa feita pelo instituto Ipsos, de São Paulo. Se poucos
realizam esse projeto, é porque o caminho para a criação
de um empreendimento tem diversos percalços. Os micro e pequenos empresários
representam 99% do total de negócios existentes no país, apesar
da falta de incentivo aos novos empreendedores. A cada ano, criam-se 500 000 empresas
e 49% fecham as portas nos primeiros dois anos de existência, conforme
números do Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas
Empresas (Sebrae). Falta planejamento, e erros no controle do caixa influenciam
nesse cenário. Mas é possível evitá-los tomando alguns
cuidados. Os quadros abaixo listam os fatores responsáveis pelo sucesso
ou pelo fracasso de um micro ou pequeno empreendimento.
| Dez mandamentos para o sucesso 1.
Fazer um bom plano de negócios. Não basta ter o capital. É
imprescindível calcular a taxa de retorno necessária para manter
o empreendimento no início. 2.
Escolher um bom ponto. O imóvel deve estar regularizado na prefeitura.
3. Analisar a concorrência
e o mercado. É importante andar pelas ruas e até comprar produtos
ou serviços do concorrente. 4.
Cuidar do contrato social. Há detalhes que não podem ser ignorados,
como definir a parte e as funções de cada sócio e o que fazer
no caso de morte de um dos donos. 5.
Atender à burocracia e pagar os tributos. Um erro comum é definir
oficialmente um tipo de empresa que paga impostos mais baixos para estabelecer-se,
na verdade, em outra categoria de negócio. Isso sai caro. Há multas
para desvio de razão social. 6.
Ter um bom contador. Em caso de dúvidas, consultar o sindicato da categoria.
7. Registrar a marca no Instituto
Nacional de Propriedade Industrial (Inpi). 8.
Manter o profissionalismo. Mesmo em empresas familiares, definir no contrato social
a função e o salário de cada integrante.
9. Reciclar-se sempre. Cursos, palestras e participação
em feiras são importantes. 10.
Ter perseverança. Um negócio costuma demorar dois anos para
dar lucro. | |
| Os sete pecados do capital 1.
Falta de planejamento. O otimismo pode ser fatal. É preciso adequar a oferta
à realidade do mercado e contar com problemas com fornecedores, manutenção
e fontes de investimento, como bancos.
2. Má gestão financeira. Reflete-se, basicamente, na dificuldade
de calcular preços e no descuido com o fluxo de caixa. Preço não
é matéria-prima e mão-de-obra mais lucro. Encargos trabalhistas
e impostos, por exemplo, não podem ser esquecidos.
3. Desatualização do produto. É preciso reavaliar
constantemente as necessidades do mercado, pesquisar o que os clientes querem
e o que a concorrência já mudou.
4. Descuido com o marketing. Às vezes o produto é muito bom,
mas a fachada da loja não é atraente. Ou a loja é bonita
mas ninguém sabe que a empresa existe.
5. Sobressaltos da conjuntura. Num país de instabilidade econômica,
é preciso ter reservas para agüentar recessões, enfrentar perda
de renda do consumidor e encarar altas dos juros.
6. Problemas pessoais. Empresas de estrutura enxuta podem ser abaladas
por problemas com o dono ou com o chefe. Saúde e sucessão familiar
merecem cuidado. 7. Desorganização.
Um dos fatores que mais colaboram para a derrocada é misturar as contas
pessoais com as da empresa. | | A
ordem na papelada Está em
discussão no Congresso Nacional a Lei Geral das Micro e Pequenas Empresas,
que amplia as vantagens para esse tipo de negócio. Entre as novidades,
o projeto corta metade da burocracia no setor, define autônomos como microempresários
e facilita o acesso ao crédito. "Se esse projeto não passar até
dezembro, teremos mais um ano de espera", alerta o economista Ricardo Tortorella,
coordenador do grupo que formulou a lei. Enquanto os deputados não votam,
os candidatos a pequeno empreendedor continuam a enfrentar uma maratona. Eis as
principais etapas desse processo: A
LOCALIZAÇÃO É preciso atender
ao zoneamento municipal, encontrar um imóvel regularizado na prefeitura
e adequar-se aos padrões da cidade, do estado e da legislação
federal, conforme o tipo de empreendimento. Até o Corpo de Bombeiros, por
exemplo, opina sobre a instalação de um escritório. Ao alugar,
recomenda-se fazer um contrato de, no mínimo, quatro anos. O
CONTRATO Uma boa alternativa é achar empresas
de sucesso, da mesma proporção mas de outros ramos, e estudar seus
contratos sociais. Mas um contador, pelo menos, é imprescindível
nessa fase do processo. O REGISTRO
Além do Instituto Nacional de Propriedade Industrial,
da Junta Comercial e do cartório de pessoa jurídica, é preciso
fazer pesquisas e registros na Receita Federal, na Secretaria da Fazenda estadual,
no Corpo de Bombeiros e na prefeitura municipal. Restaurantes precisam de autorização
da vigilância sanitária. Atividades com potencial poluidor precisam
de aval de órgãos ambientais. OS
IMPOSTOS Se a empresa arrecada até 1,2 milhão
de reais anualmente, pode optar pelo sistema Simples, que unifica o pagamento
de seis tipos de imposto. Restam, porém, a CPMF e o IOF , entre outros
tributos recolhidos à parte. A Receita Federal, o Sebrae ou a Secretaria
da Fazenda de cada estado podem fornecer outras informações sobre
tributação. Editado
por Eduardo Burckhardt. Colaborou Igor Ribeiro |