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Saúde De
volta à mesa Depois de anos sob
ataque, a carne vermelha é reabilitada pelos médicos
 Anna
Paula Buchalla Lailson
Santos
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produtora Tânia Miller: dez anos sem comer carne a deixaram com uma anemia
grave |
Desde que os médicos
passaram a relatar o aumento da incidência de obesidade, distúrbios
cardiovasculares, diabetes e câncer, a carne vermelha entrou para a lista
dos vilões da boa saúde. Mas a conexão entre o seu consumo
e o aparecimento desses problemas foi feita com base em suposições
não provadas a contento pela ciência. De tudo o que se pesquisou
até agora, não há na literatura médica evidências
convincentes que mostrem que o consumo moderado de carne magra, sem gordura, como
um bom bife de alcatra, deva ser abolido. Ao contrário, os médicos
estão recomendando a volta da carne vermelha ao cardápio, por causa
de seu valor nutricional. Eliminar de vez o alimento das refeições
pode ser uma atitude arriscada, com conseqüências graves. Entre elas,
anemia e deficiência de vitamina B12. A falta desta última causa
problemas de memória e cognição. Por fim, a carne vermelha
é essencial para o desenvolvimento intelectual e físico das crianças.
"Uma criança não pode viver sem carne", diz o cardiologista e nutrólogo
Daniel Magnoni, do Hospital do Coração, de São Paulo. "A
menos que seja feita uma suplementação alimentar com ferro, nutriente
encontrado em abundância na carne vermelha."
Com a ascensão do vegetarianismo nos países ocidentais, os ataques
à carne redobraram. Entre mitos e verdades (veja
quadro), o resultado foi uma queda no seu consumo e um aumento da opção
pelo frango. Em 1995, um brasileiro consumia, em média, 42 quilos de carne
por ano e 22 quilos de frango. Em 2003, o consumo da primeira caiu para 36 quilos
por ano e o do segundo subiu para 32 quilos, de acordo com dados do Serviço
de Informação da Carne. Desse cálculo não se pode
excluir, evidentemente, o fator econômico a perda do poder aquisitivo
ao longo da última década contribuiu para a diminuição
da presença de carne vermelha na mesa nacional. Mas quem é que,
mesmo a contragosto, mesmo sem sofrer reveses financeiros, não trocou um
suculento filé por um insosso franguinho grelhado só porque disseram
que era melhor para a saúde? Pois saiba que, dependendo do corte, a carne
de frango é mais danosa do que a de boi magra. Isso porque ela pode ter
mais gordura saturada, aquela que contribui para o entupimento das artérias
e, por tabela, para o aumento dos distúrbios cardiovasculares. Há
que levar em conta também que a carne que se consome hoje em dia é
mais leve do que a de dez anos atrás. Os avanços no campo da genética
e da nutrição animal tornaram possível a produção
de carnes com ainda mais baixos teores de gordura. Atualmente, um corte magro
possui cerca de 20% menos gordura total do que há uma década.
Os estudos que condenaram a carne vermelha foram feitos com base na análise
de populações que abusavam do consumo da versão mais gordurosa
do alimento. Nunca foi feito nenhum levantamento epidemiológico sobre o
impacto da ingestão de carne de boi magra. Pouca gente, aliás, sabe
que existe essa distinção. Para a maioria, carne magra é
sempre a de frango ou peixe. Um bife de alcatra ou um filé mignon, contudo,
são cortes extremamente saudáveis. Recomenda-se ingerir carne vermelha
magra de três a quatro vezes por semana a porção média
deve variar entre 65 e 100 gramas do alimento cozido ou grelhado, o que equivale
a um pedaço médio. É a quantidade ideal para se obter ferro,
zinco e vitaminas como a B12 na medida certa para o bom funcionamento do organismo.
Depois de dez anos sem comer carne, a produtora Tânia Miller, de 57 anos,
precisou rever sua decisão, convencida por seu médico. "Tive uma
anemia muito séria e ele disse que era essencial que eu voltasse a comer
carne." Os bifes a ajudaram a recuperar a saúde. |