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Beleza Injeta,
amassa, estufa... ...e torce para dar certo.
A bioplastia, nova mania entre os tratamentos estéticos, muda para
sempre  Bel
Moherdaui
Marco
Pinto
 | | Mônica:
sem medo das complicações na hora de corrigir a ondulação nas pernas deixada pela
lipo malfeita |
Injetar no corpo uma substância
sintética pouco conhecida, sem ter certeza das evoluções
futuras, e nunca mais poder retirá-la, quem faria uma loucura dessas? Muita
gente. A contrapartida é o que a bioplastia, um tratamento que vem causando
furor, oferece em termos de reengenharia estética a jato: nariz reto, queixo
proeminente, boca carnuda, bumbum empinadinho e outras saliências devidamente
ressaltadas, sem cirurgia nem internação, só com anestesia
local, algumas agulhadas e uma rápida massagem modeladora. "Acredito que
em um ano o número de procedimentos tenha triplicado", calcula o cirurgião
plástico Fausto Viterbo, professor da Universidade Estadual Paulista (Unesp),
que coordenou um fórum sobre o assunto para a Sociedade Brasileira de Cirurgia
Plástica. Bioplastia é a utilização de um gel sintético,
o polimetilmetacrilato (PMMA), para preencher e moldar rosto e corpo. Ao contrário
dos demais produtos usados em preenchimento, que se diluem com o tempo, tem ação
definitiva. Injetado sob a pele ou no músculo, é em seguida moldado
pelo médico, com as mãos, à vista da paciente, que pode inclusive
dar seus palpites. Antes restrito a papel secundário em procedimentos cirúrgicos
como fixar próteses ortopédicas e lentes oculares ,
o PMMA estreou nos tratamentos estéticos há pouco mais de dez anos,
misturado aos pioneiros produtos de preenchimento. Hoje, em procedimentos que
podem durar apenas quinze minutos, a substância é injetada, em diferentes
volumes e concentrações, do nariz à panturrilha, passando
por bochechas, lábios, mãos, abdômen e glúteos.
É como se fosse um novo silicone líquido, substância
empregada nos primórdios da medicina estética mas sem suas
conseqüências deletérias. Ou é isso que se espera. "A
bioplastia cresceu porque as pessoas estão cada vez mais dando preferência
aos tratamentos minimamente invasivos", diz o cirurgião plástico
Carlos Fernando Vieira das Neves. A simplicidade da aplicação, aliada
ao preço convidativo (por volta de 1.000 reais o preenchimento de sulcos
e ruguinhas, de 2.000 a 4.000 reais para corrigir e projetar nariz e queixo e
a partir de 12.000 para grandes acréscimos nos glúteos), tem levado
enxames de mulheres atrás das picadas embelezadoras. "Por mês, faço
de vinte a 25 procedimentos. Há quatro anos, não chegava a cinco",
atesta o cirurgião plástico Munir Curi, de São Paulo. Lailson
Santos
 | Marco
Lima
 | | De
ponta a ponta: Pamella preencheu o lábio e levantou o nariz; Aline (à dir.)
aumentou os glúteos |
A modelo Pamella
Wendy, 19 anos, de Sorocaba, no interior de São Paulo, fez o procedimento
há menos de uma semana, para aumentar o lábio e levantar a ponta
do nariz, caída depois de uma rinoplastia. "Como sou modelo, outra cirurgia
plástica iria me prejudicar muito. Teria de ficar ao menos um mês
sem trabalhar", explica. "Com a bioplastia, em poucos minutos saí do consultório
pronta." A empresária baiana Aline Barros, 27 anos, adepta de tratamentos
estéticos em geral, inclusive as controversas injeções de
hormônio de crescimento e de extrato de polifenol de alcachofra, apelou
à bioplastia para aumentar os glúteos. "Aconselho para qualquer
um. Dá para sentar, deitar, malhar, fazer o que quiser. Só senti
um pouco de dor em decorrência das injeções", conta.
Essa euforia toda é vista com cautela pela maioria dos médicos.
"Há uma popularização e uma banalização muito
grande. Uma das conseqüências é que qualquer profissional se
acha no direito de fazer esse tipo de tratamento, o que é temerário",
alerta o dermatologista Sergio Talarico, coordenador do setor de cosmiatria da
Universidade Federal de São Paulo. "Além disso, não há
um trabalho de respaldo, com metodologia científica, que comprove a segurança
do procedimento a longo prazo, principalmente na aplicação de grandes
volumes", lembra. A secretária Júlia (que prefere não dar
o nome verdadeiro), de Campinas, começou a notar pequenos nódulos
no lábio alguns dias depois da bioplastia a que se submeteu. "A médica
disse que passaria, mas oito meses depois senti que estavam aumentando. Agora,
após dois anos, ainda tenho cinco carocinhos duros e doloridos na parte
interna do lábio. No resto do rosto, sinto como se o produto estivesse
pesando e puxando a pele para baixo", diz ela, que pretende tentar a remoção
cirúrgica. Segundo o cirurgião plástico Rodrigo Gimenez,
da Pontifícia Universidade Católica de Campinas, os riscos mais
comuns são hipercromia (mancha no local do implante), formação
de nódulos, necrose, retração e endurecimento da região
tratada. Nada que assustasse a pedagoga Mônica Garcia, de São Paulo.
"Preferi correr o risco futuro a ficar como estava", diz ela, que recorreu à
bioplastia na perna para reparar as saliências e reentrâncias de uma
lipoaspiração malfeita. No momento, ninguém segura a onda.
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