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Edição 1 760 - 17 de julho de 2002
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Caixas de campanha

Assim como os candidatos, as
instituições assistenciais também
precisam de profissionais para
arrecadar dinheiro

Natasha Madov

 
Renata Ursaia

Crianças no orfanato: as empresas ajudam, mas o dinheiro continua curto


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Edição especial Guia para Fazer o Bem

As entidades filantrópicas não têm dificuldade para arregimentar voluntários. Ao contrário, em muitos casos sobra gente, e é preciso fazer uma triagem para selecionar o time mais qualificado. No mundo da assistência social, o desafio é de outra ordem: levantar dinheiro. As empresas dão uma ajuda razoável e desembolsam cerca de 4,5 bilhões de reais por ano com as entidades. Para reforçar o orçamento, algumas mais criativas apostaram na internet e criaram sites para arrecadar um extra com o internauta. A iniciativa até agora não produziu resultados relevantes. Ainda que a generosidade das empresas seja nos dias de hoje muito maior do que há dez anos, o desajuste de caixa continua. As entidades descobriram que terão mais chance de sobreviver aquelas que atraírem para seu quadro um personagem conhecido na política nacional: o caixa de campanha. Oficialmente, esse profissional da filantropia se chama captador de recursos, mas sua missão é a mesma dos caixas eleitorais, que arrecadam milhões de reais em poucos meses. Ele precisa bater de porta em porta e voltar com a mala cheia.

Até pouco tempo atrás, atuar em uma organização da área social era encarado como uma ocupação quase informal. Apenas militantes de causas humanitárias e jovens idealistas se sujeitavam aos orçamentos estreitos e ao amadorismo contábil reinante no meio. Nos últimos anos, as instituições perceberam a importância de trabalhar com mão-de-obra qualificada e de forma mais profissional. Com essa mudança, os salários subiram e o déficit orçamentário tornou-se ainda mais gritante. Existe pouca gente atuando profissionalmente como arrecadador, mas já se criou o embrião de um sindicato, a Associação Brasileira de Captadores de Recursos, que foi fundada há dois anos e reúne 150 sócios. O salário desse profissional começa nos 2.000 reais e pode chegar a 12.000, seja como funcionário registrado, seja como consultor independente.


Ser um bom captador tem seus truques. "É preciso ser ótimo vendedor e ter muita convicção do que se diz", afirma Ana Maria Wilheim, superintendente da Fundação Abrinq, organização que sobrevive com orçamento de 9,6 milhões de reais graças a doações individuais, de empresas ou de fundos internacionais. "Mas, em vez de vender um produto ou as vantagens de votar num candidato, vende-se uma causa", conclui Ana Maria. O arrecadador tem de conhecer a fundo tanto a entidade em que atua quanto o perfil de doadores que deseja. "Ele precisa identificar-se com o trabalho e ser capaz de encontrar potenciais doadores", diz Rodrigo Alvarez, captador de recursos do grupo Doutores da Alegria, formado por atores para entreter crianças hospitalizadas.

 

 
 
   
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