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Caixas de campanha
Assim
como os candidatos, as
instituições assistenciais também
precisam de profissionais para
arrecadar dinheiro
Natasha Madov
Renata Ursaia

Crianças
no orfanato: as empresas ajudam, mas o dinheiro continua curto |

Veja também |
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As entidades
filantrópicas não têm dificuldade para arregimentar
voluntários. Ao contrário, em muitos casos sobra gente,
e é preciso fazer uma triagem para selecionar o time mais qualificado.
No mundo da assistência social, o desafio é de outra ordem:
levantar dinheiro. As empresas dão uma ajuda razoável e
desembolsam cerca de 4,5 bilhões de reais por ano com as entidades.
Para reforçar o orçamento, algumas mais criativas apostaram
na internet e criaram sites para arrecadar um extra com o internauta.
A iniciativa até agora não produziu resultados relevantes.
Ainda que a generosidade das empresas seja nos dias de hoje muito maior
do que há dez anos, o desajuste de caixa continua. As entidades
descobriram que terão mais chance de sobreviver aquelas que atraírem
para seu quadro um personagem conhecido na política nacional: o
caixa de campanha. Oficialmente, esse profissional da filantropia se chama
captador de recursos, mas sua missão é a mesma dos caixas
eleitorais, que arrecadam milhões de reais em poucos meses. Ele
precisa bater de porta em porta e voltar com a mala cheia.
Até
pouco tempo atrás, atuar em uma organização da área
social era encarado como uma ocupação quase informal. Apenas
militantes de causas humanitárias e jovens idealistas se sujeitavam
aos orçamentos estreitos e ao amadorismo contábil reinante
no meio. Nos últimos anos, as instituições perceberam
a importância de trabalhar com mão-de-obra qualificada e
de forma mais profissional. Com essa mudança, os salários
subiram e o déficit orçamentário tornou-se ainda
mais gritante. Existe pouca gente atuando profissionalmente como arrecadador,
mas já se criou o embrião de um sindicato, a Associação
Brasileira de Captadores de Recursos, que foi fundada há dois anos
e reúne 150 sócios. O salário desse profissional
começa nos 2.000 reais e pode chegar
a 12.000, seja como funcionário registrado,
seja como consultor independente.
Ser
um bom captador tem seus truques. "É preciso ser ótimo vendedor
e ter muita convicção do que se diz", afirma Ana Maria Wilheim,
superintendente da Fundação Abrinq, organização
que sobrevive com orçamento de 9,6 milhões de reais graças
a doações individuais, de empresas ou de fundos internacionais.
"Mas, em vez de vender um produto ou as vantagens de votar num candidato,
vende-se uma causa", conclui Ana Maria. O arrecadador tem de conhecer
a fundo tanto a entidade em que atua quanto o perfil de doadores que deseja.
"Ele precisa identificar-se com o trabalho e ser capaz de encontrar potenciais
doadores", diz Rodrigo Alvarez, captador de recursos do grupo Doutores
da Alegria, formado por atores para entreter crianças hospitalizadas.
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