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A esteira e o mito
do
contador de calorias
Sabe aquele
reloginho que marca
o gasto
calórico nas esteiras de
casa ou da academia? Esqueça.
Não é confiável
Cristiane
Assis

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Caminhar
ou correr na esteira ficou mais divertido depois que os fabricantes inventaram
o marcador para indicar o total de calorias eliminado durante o exercício.
O número mostrado no painel dá mais ânimo para acelerar
o passo e aumenta a satisfação de quem está ali suando
a camisa. Mas será que se pode realmente acreditar no aparelho?
Para tirar a dúvida, VEJA convidou um personal trainer para testar
algumas das mais conhecidas marcas de esteira encontradas no país.
Ele caminhou durante uma hora em cinco modelos, com a velocidade de 6
quilômetros por hora, sem inclinação. Cada modelo
indicou um número distinto a título de gasto calórico.
A variação pode parecer pequena em um teste de apenas uma
hora: 166 calorias de diferença entre a que registra a maior marca
e a que indica a menor. Isso equivale a uma latinha de cerveja. Mas quem
faz exercícios diários de uma hora, cinco vezes por semana,
pode surpreender-se com a disparidade após vinte horas de caminhada.
São 3.320 calorias de diferença,
o que comprova que o número deve servir apenas como referência.
Antonio Milena

Mais
importante que olhar o medidor de calorias é prestar atenção ao ritmo
cardíaco |
Para obter a marca exata de calorias gastas seria necessário um
equipamento bem mais sofisticado, que inclui um tubo colocado à
boca para medir o oxigênio consumido durante o exercício.
Esse tipo de teste é aplicado aos atletas profissionais, para traçar
um plano de treinamento. Segundo o professor de educação
física Carlos Eduardo Negrão, da Universidade de São
Paulo, cada litro de oxigênio consumido equivale à perda
de 5.000 calorias. Os medidores das esteiras
levam em conta uma fórmula-padrão que determina quanto uma
pessoa em condições normais consome de oxigênio para
caminhar ou correr. A estimativa varia de acordo com a velocidade e a
inclinação programadas para a corrida ou a caminhada. As
características físicas de cada atleta e o consumo real
de oxigênio não entram na conta. "É melhor programar
a esteira para o que ela deve fazer e não aceitar apenas o que
informa o medidor", diz o especialista.
Para alcançar
resultados mais eficientes, mais importante que olhar para o marcador
é observar o ritmo cardíaco. Para começar, é
preciso calcular a freqüência cardíaca máxima,
que varia com a idade. A fórmula é a seguinte: subtrair
a idade do número 220. Uma pessoa de 25 anos, por exemplo, tem
freqüência cardíaca máxima de 195 batimentos
por minuto. Para queimar calorias, ela precisa procurar exercitar-se mantendo
os batimentos cardíacos entre 55% e 70% da freqüência
máxima, ou seja, ao redor de 127 batimentos por minuto. Também
se deve levar em conta que são necessários cerca de vinte
minutos para que o metabolismo comece a queimar as gorduras do corpo.
Como o consumo é progressivo, quanto mais tempo a pessoa se exercitar,
mais gordura vai queimar. Mas existem outros fatores que podem ajudar
a obter os resultados esperados. "A nutrição adequada é
fundamental", diz Eric Pomi, personal trainer coordenador da Fórmula
Academia, em São Paulo. Segundo ele, a alimentação
precisa ser balanceada de acordo com os objetivos pretendidos. "Não
é conveniente comer descontroladamente e tentar descontar na esteira,
pois não vai funcionar", diz Pomi. As boas academias de ginástica
costumam ter nutricionistas que indicam qual é a alimentação
adequada para cada tipo de treino. Quanto ao contador, é melhor
que ele sirva apenas para distrair durante as caminhadas.
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