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Edição 1 760 - 17 de julho de 2002
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A esteira e o mito do
contador de calorias

Sabe aquele reloginho que marca
o
gasto calórico nas esteiras de
casa ou
da academia? Esqueça.
Não é confiável

Cristiane Assis


Veja também
Dos arquivos de VEJA
Reportagem de VEJA de 9/5/2001: "No ritmo certo"

Caminhar ou correr na esteira ficou mais divertido depois que os fabricantes inventaram o marcador para indicar o total de calorias eliminado durante o exercício. O número mostrado no painel dá mais ânimo para acelerar o passo e aumenta a satisfação de quem está ali suando a camisa. Mas será que se pode realmente acreditar no aparelho? Para tirar a dúvida, VEJA convidou um personal trainer para testar algumas das mais conhecidas marcas de esteira encontradas no país. Ele caminhou durante uma hora em cinco modelos, com a velocidade de 6 quilômetros por hora, sem inclinação. Cada modelo indicou um número distinto a título de gasto calórico. A variação pode parecer pequena em um teste de apenas uma hora: 166 calorias de diferença entre a que registra a maior marca e a que indica a menor. Isso equivale a uma latinha de cerveja. Mas quem faz exercícios diários de uma hora, cinco vezes por semana, pode surpreender-se com a disparidade após vinte horas de caminhada. São 3.320 calorias de diferença, o que comprova que o número deve servir apenas como referência.


Antonio Milena

Mais importante que olhar o medidor de calorias é prestar atenção ao ritmo cardíaco


Para obter a marca exata de calorias gastas seria necessário um equipamento bem mais sofisticado, que inclui um tubo colocado à boca para medir o oxigênio consumido durante o exercício. Esse tipo de teste é aplicado aos atletas profissionais, para traçar um plano de treinamento. Segundo o professor de educação física Carlos Eduardo Negrão, da Universidade de São Paulo, cada litro de oxigênio consumido equivale à perda de 5.000 calorias. Os medidores das esteiras levam em conta uma fórmula-padrão que determina quanto uma pessoa em condições normais consome de oxigênio para caminhar ou correr. A estimativa varia de acordo com a velocidade e a inclinação programadas para a corrida ou a caminhada. As características físicas de cada atleta e o consumo real de oxigênio não entram na conta. "É melhor programar a esteira para o que ela deve fazer e não aceitar apenas o que informa o medidor", diz o especialista.

Para alcançar resultados mais eficientes, mais importante que olhar para o marcador é observar o ritmo cardíaco. Para começar, é preciso calcular a freqüência cardíaca máxima, que varia com a idade. A fórmula é a seguinte: subtrair a idade do número 220. Uma pessoa de 25 anos, por exemplo, tem freqüência cardíaca máxima de 195 batimentos por minuto. Para queimar calorias, ela precisa procurar exercitar-se mantendo os batimentos cardíacos entre 55% e 70% da freqüência máxima, ou seja, ao redor de 127 batimentos por minuto. Também se deve levar em conta que são necessários cerca de vinte minutos para que o metabolismo comece a queimar as gorduras do corpo. Como o consumo é progressivo, quanto mais tempo a pessoa se exercitar, mais gordura vai queimar. Mas existem outros fatores que podem ajudar a obter os resultados esperados. "A nutrição adequada é fundamental", diz Eric Pomi, personal trainer coordenador da Fórmula Academia, em São Paulo. Segundo ele, a alimentação precisa ser balanceada de acordo com os objetivos pretendidos. "Não é conveniente comer descontroladamente e tentar descontar na esteira, pois não vai funcionar", diz Pomi. As boas academias de ginástica costumam ter nutricionistas que indicam qual é a alimentação adequada para cada tipo de treino. Quanto ao contador, é melhor que ele sirva apenas para distrair durante as caminhadas.

 
 

 

Fotos Rogério Voltan/Renato Navarro/Marcelo Cabral/Antonio Rodrigues/Marcelo Kura/Alexandre Rielo/divulgação

   
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