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Edição 1 760 - 17 de julho de 2002
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Debate sem fim

Suplementos vitamínicos fazem
bem, mal ou
são inúteis? A resposta
fica ao gosto do freguês

Desde o início dos anos 90, quando as cápsulas de vitaminas foram incensadas como grandes aliadas do bem-estar e da saúde, vêm sendo realizados estudos sobre até que ponto esses suplementos são realmente benéficos. Há os que tentam provar que eles teriam o poder de prevenir distúrbios cardiovasculares, câncer, mal de Alzheimer e diabetes. Em contrapartida, existem pesquisadores que afirmam ser as vitaminas sintéticas prejudiciais. Publicado na revista científica inglesa The Lancet, o último trabalho sobre o tema defende que o consumo diário de doses extras de vitaminas não faz nem bem nem mal.

Durante cinco anos, pesquisadores da Universidade de Oxford acompanharam 20.500 homens e mulheres, entre 40 e 80 anos. Os participantes eram vítimas de problemas cardiovasculares, diabetes e hipertensão. Ao longo do estudo, parte deles recebeu, diariamente, doses altíssimas das vitaminas C e E e de beta-caroteno. Aos demais, os pesquisadores deram substâncias inócuas, os placebos. Ao final do trabalho, os cientistas de Oxford constataram que a incidência de infartos, outras doenças cardíacas e derrame era igual em ambos os grupos. "As pílulas de vitaminas são perda de tempo e de dinheiro", decretou o médico Rory Collins, líder do estudo.

Os fabricantes não demoraram a se manifestar. Eles argumentam que o trabalho teve como objeto uma população de alto risco e, portanto, não vale para pessoas saudáveis. Estas, sim, dizem, seriam as maiores beneficiadas pelos suplementos. As vitaminas e outros aditivos alimentares movimentam mais de 4 bilhões de dólares por ano em todo o mundo. Na lista dos medicamentos consumidos sem receita médica, estão em terceiro lugar. Só perdem para os antigripais e analgésicos. No Brasil, a vitamina C é a mais vendida. Os adeptos das megadoses diárias dessa substância acreditam que, entre outras coisas, ela tem o poder de retardar o envelhecimento e de diminuir as taxas do colesterol ruim no sangue. Os contrários à sua prescrição em quantidades maciças afirmam que a vitamina C pode levar à formação de pedras nos rins e ao acúmulo de ferro no organismo. Agora vem Oxford dizer que nada disso ocorre. A cada ano que passa, o debate ganha contornos, por assim dizer, teológicos. Como ninguém prova nada em definitivo, vitamina está virando questão de fé.

 
Foto Antonio Rodrigues



   
 
   
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