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Edição 1 760 - 17 de julho de 2002
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Liberada para uso doméstico

Inglaterra deixará de prender
os usuários da maconha

AP
Policiais buscam drogas em Londres: só advertência


Às voltas com a dificuldade de controlar o consumo de drogas, muitos países ricos têm optado pela liberação de alguns entorpecentes – ou, pelo menos, da maconha, considerada de efeitos mais brandos. A Inglaterra, que até agora tinha uma das legislações antidrogas mais severas da Europa, anunciou, na semana passada, sua entrada no time das nações dispostas a fazer vista grossa ao consumo da erva. A partir de julho de 2003, a polícia deixará de efetuar prisões por porte de pequena quantidade da droga para consumo próprio. A maconha será apreendida e os usuários receberão uma advertência verbal dos policiais. Do ponto de vista legal, ela deixa a classificação "B", em que estão anfetaminas e barbitúricos, e passa para a "C", junto com esteróides anabolizantes e antidepressivos. A Inglaterra segue a tendência européia de maior tolerância com os usuários de drogas leves, mas não quer tornar-se um paraíso para viciados, como ocorreu em outros países. A mesma lei que facilitou a vida dos usuários aumentou a pena de prisão para traficantes de dez para catorze anos.

A decisão não foi tomada de uma hora para outra. Há nove meses, um comitê criado pelo governo recomendou a liberação, sob o argumento de que ajudaria a polícia a se concentrar na repressão às drogas pesadas, como cocaína e heroína. O comitê também recomendou aumentar a tolerância com o ecstasy, muito usado em danceterias, mas o governo não aceitou. A maconha já tinha sido liberada em bairros pobres de Londres, numa experiência piloto iniciada no ano passado. O resultado foi animador num aspecto: livre da missão de perseguir maconheiros, a polícia aumentou o número de prisões de traficantes de drogas pesadas em 10%. Apesar disso, a liberação dos entorpecentes está longe de ter aceitação universal. Keith Hellawell, o "czar das drogas" do governo, pediu demissão. A oposição conservadora foi à tribuna da Câmara dos Comuns para lembrar ao governo por que a maioria dos países proíbe o uso de drogas: são substâncias que causam dependência e têm efeitos devastadores na saúde e na vida dos viciados.

A Inglaterra tem o maior número de mortes relacionadas ao uso de drogas na Europa, sobretudo devido à heroína. O plano do governo inglês para evitar que a liberação da maconha abra uma porta de entrada para substâncias mais pesadas inclui a ordem de prender usuários que estejam fumando perto de crianças ou próximo de escolas. De qualquer maneira, como ocorreu na Espanha e em Portugal, fumar maconha continua a ser uma contravenção penal. Essa mensagem será repetida nas escolas de todo o país como parte de uma campanha com o objetivo de alertar sobre os perigos da droga para a saúde. Os cafés ao estilo dos encontrados em Amsterdã, na Holanda, onde a maconha é vendida e consumida livremente, não serão tolerados. Estima-se que haja 3,1 milhões de usuários ocasionais da erva na Inglaterra. Pesquisas mostram que acima de 30% dos adolescentes já a experimentaram. O mais conhecido deles é o príncipe Harry, filho mais moço de Charles e Diana. Em janeiro, Charles admitiu publicamente que o filho havia fumado um baseado, mas que a situação estava sob controle. Como vai ocorrer agora com os súditos pegos fumando maconha, o príncipe safou-se depois de receber uma advertência verbal.

   
 


   
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