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Liberada
para uso doméstico
Inglaterra deixará de prender
os
usuários da maconha
AP
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| Policiais
buscam drogas em Londres: só advertência |
Às voltas com a dificuldade de controlar o consumo de drogas, muitos
países ricos têm optado pela liberação de alguns
entorpecentes ou, pelo menos, da maconha, considerada de efeitos
mais brandos. A Inglaterra, que até agora tinha uma das legislações
antidrogas mais severas da Europa, anunciou, na semana passada, sua entrada
no time das nações dispostas a fazer vista grossa ao consumo
da erva. A partir de julho de 2003, a polícia deixará de
efetuar prisões por porte de pequena quantidade da droga para consumo
próprio. A maconha será apreendida e os usuários
receberão uma advertência verbal dos policiais. Do ponto
de vista legal, ela deixa a classificação "B", em que estão
anfetaminas e barbitúricos, e passa para a "C", junto com esteróides
anabolizantes e antidepressivos. A Inglaterra segue a tendência
européia de maior tolerância com os usuários de drogas
leves, mas não quer tornar-se um paraíso para viciados,
como ocorreu em outros países. A mesma lei que facilitou a vida
dos usuários aumentou a pena de prisão para traficantes
de dez para catorze anos.
A decisão não foi tomada de uma hora para outra. Há
nove meses, um comitê criado pelo governo recomendou a liberação,
sob o argumento de que ajudaria a polícia a se concentrar na repressão
às drogas pesadas, como cocaína e heroína. O comitê
também recomendou aumentar a tolerância com o ecstasy, muito
usado em danceterias, mas o governo não aceitou. A maconha já
tinha sido liberada em bairros pobres de Londres, numa experiência
piloto iniciada no ano passado. O resultado foi animador num aspecto:
livre da missão de perseguir maconheiros, a polícia aumentou
o número de prisões de traficantes de drogas pesadas em
10%. Apesar disso, a liberação dos entorpecentes está
longe de ter aceitação universal. Keith Hellawell, o "czar
das drogas" do governo, pediu demissão. A oposição
conservadora foi à tribuna da Câmara dos Comuns para lembrar
ao governo por que a maioria dos países proíbe o uso de
drogas: são substâncias que causam dependência e têm
efeitos devastadores na saúde e na vida dos viciados.
A Inglaterra tem o maior número de mortes relacionadas ao uso de
drogas na Europa, sobretudo devido à heroína. O plano do
governo inglês para evitar que a liberação da maconha
abra uma porta de entrada para substâncias mais pesadas inclui a
ordem de prender usuários que estejam fumando perto de crianças
ou próximo de escolas. De qualquer maneira, como ocorreu na Espanha
e em Portugal, fumar maconha continua a ser uma contravenção
penal. Essa mensagem será repetida nas escolas de todo o país
como parte de uma campanha com o objetivo de alertar sobre os perigos
da droga para a saúde. Os cafés ao estilo dos encontrados
em Amsterdã, na Holanda, onde a maconha é vendida e consumida
livremente, não serão tolerados. Estima-se que haja 3,1
milhões de usuários ocasionais da erva na Inglaterra. Pesquisas
mostram que acima de 30% dos adolescentes já a experimentaram.
O mais conhecido deles é o príncipe Harry, filho mais moço
de Charles e Diana. Em janeiro, Charles admitiu publicamente que o filho
havia fumado um baseado, mas que a situação estava sob controle.
Como vai ocorrer agora com os súditos pegos fumando maconha, o
príncipe safou-se depois de receber uma advertência verbal.
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