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Edição 1 760 - 17 de julho de 2002
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800 000 reais por
um quarto-e-sala

Londres ensina o que acontece com
o preço dos imóveis nas metrópoles
que combatem a degradação



AFP

Apartamento de classe alta: 400 metros quadrados por
5 milhões de dólares


Todos ganham quando uma cidade decide investir na recuperação dos bairros degradados, e Londres é a maior prova disso. Nas últimas décadas, a metrópole conheceu um dos mais amplos programas de revitalização de que se tem notícia, e os resultados do investimento coletivo começam a aparecer no bolso das pessoas. Num processo que se repete há pelo menos seis anos, o mercado imobiliário vem registrando seguidos aumentos no preço do metro quadrado da cidade. O dado mais recente mostra que, entre abril de 2001 e abril deste ano, a elevação chegou a quase 20%. O efeito desse processo é que um estrangeiro pode ser levado a crer que a seção de classificados errou ao colocar um zero a mais em todos os anúncios. Mas não é isso. Os números são assustadores mesmo. Um apartamento de quarto e sala em um bom bairro londrino não sai por menos de 800.000 reais e uma casa de três quartos não é anunciada por menos de 2 milhões de reais. Não há nada tão caro em toda a Europa. "As pessoas confiam no mercado imobiliário porque a cidade é promissora", afirma Jon Hughes, diretor da Goldschmidt & Howland, uma das maiores corretoras de Londres.

Os prefeitos brasileiros poderiam acompanhar essa transformação mais de perto. Aqui, as metrópoles se tornaram lugares praticamente irrespiráveis. Nas grandes cidades, os bairros mais pobres cresceram nos últimos dez anos à taxa de 30%. Em 1990, a periferia das capitais apresentava taxas na casa de trinta homicídios por 100.000 habitantes. Atualmente, em algumas dessas áreas pobres, o índice chega a 150 mortos por 100.000 moradores. Londres também já foi uma cidade irrespirável – só que na virada do século XX. Calcula-se que um em cada seis habitantes vivia em condições miseráveis. A taxa de criminalidade era elevadíssima. Na década de 80, o futuro da capital passou a ser questionado e algumas indústrias, lojas e escritórios comerciais começaram a abandoná-la. A decadência só foi interrompida quando as autoridades decidiram agir. Iniciou-se um ambicioso programa de recuperação de áreas degradadas e um bem-sucedido projeto de despoluição do Rio Tâmisa. No lugar onde funcionava o porto, nasceu um bairro com escritórios, prédios de apartamentos e lojas. Um dos efeitos imediatos dessa melhoria pode ser conferido na valorização dos imóveis.

   
 
   
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