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800
000 reais por
um quarto-e-sala
Londres
ensina o
que acontece com
o preço dos imóveis nas metrópoles
que combatem a degradação
AFP

Apartamento
de classe alta: 400 metros quadrados por
5 milhões de dólares |
Todos ganham quando uma cidade decide investir na recuperação
dos bairros degradados, e Londres é a maior prova disso. Nas últimas
décadas, a metrópole conheceu um dos mais amplos programas
de revitalização de que se tem notícia, e os resultados
do investimento coletivo começam a aparecer no bolso das pessoas.
Num processo que se repete há pelo menos seis anos, o mercado imobiliário
vem registrando seguidos aumentos no preço do metro quadrado da
cidade. O dado mais recente mostra que, entre abril de 2001 e abril deste
ano, a elevação chegou a quase 20%. O efeito desse processo
é que um estrangeiro pode ser levado a crer que a seção
de classificados errou ao colocar um zero a mais em todos os anúncios.
Mas não é isso. Os números são assustadores
mesmo. Um apartamento de quarto e sala em um bom bairro londrino não
sai por menos de 800.000 reais e uma casa de três quartos não
é anunciada por menos de 2 milhões de reais. Não
há nada tão caro em toda a Europa. "As pessoas confiam no
mercado imobiliário porque a cidade é promissora", afirma
Jon Hughes, diretor da Goldschmidt & Howland, uma das maiores corretoras
de Londres.
Os prefeitos brasileiros poderiam acompanhar essa transformação
mais de perto. Aqui, as metrópoles se tornaram lugares praticamente
irrespiráveis. Nas grandes cidades, os bairros mais pobres cresceram
nos últimos dez anos à taxa de 30%. Em 1990, a periferia
das capitais apresentava taxas na casa de trinta homicídios por
100.000 habitantes. Atualmente, em algumas dessas áreas pobres,
o índice chega a 150 mortos por 100.000 moradores. Londres também
já foi uma cidade irrespirável só que na virada
do século XX. Calcula-se que um em cada seis habitantes vivia em
condições miseráveis. A taxa de criminalidade era
elevadíssima. Na década de 80, o futuro da capital passou
a ser questionado e algumas indústrias, lojas e escritórios
comerciais começaram a abandoná-la. A decadência só
foi interrompida quando as autoridades decidiram agir. Iniciou-se um ambicioso
programa de recuperação de áreas degradadas e um
bem-sucedido projeto de despoluição do Rio Tâmisa.
No lugar onde funcionava o porto, nasceu um bairro com escritórios,
prédios de apartamentos e lojas. Um dos efeitos imediatos dessa
melhoria pode ser conferido na valorização dos imóveis.
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