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Mais que frio na
barriga
Médicos
alertam para os efeitos
das montanhas-russas radicais
Monica Weinberg
Claudio Rossi

Manobras
rápidas: o corpo sente a aceleração |

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Num parque
de diversões confiável, as estatísticas indicam que
a probabilidade de alguém se machucar na montanha-russa é
de uma em 6 milhões. Acontece que, nos últimos anos, alguns
parques localizados nos Estados Unidos e no Japão ganharam montanhas-russas
tão altas e tão rápidas que a comunidade médica
já fala em rever as contas que servem de base a essa taxa de risco.
Tome-se o caso da Steel Dragon 2.000, que fica
no Japão. Essa montanha-russa tem 97 metros de altura no ponto
mais elevado e extensão de 2,4 quilômetros. No trecho de
maior velocidade, o carrinho ultrapassa os 150 quilômetros por hora.
Como a Steel Dragon não é um caso isolado e há outra
meia dúzia de montanhas-russas desse padrão, alguns especialistas
decidiram criticar a brincadeira. Alegam que, nesse nível de velocidade,
um desavisado poderia sofrer uma torção no pescoço,
um problema na coluna ou até mesmo desmaiar.
No mês
passado, a onda de preocupação deixou de ser apenas discurso.
O Estado americano de Nova Jersey decidiu restringir a velocidade máxima
nas montanhas-russas. O objetivo é controlar o efeito de "esmagamento"
do corpo. Explica-se: nos modelos mais radicais, o corpo chega a ser comprimido
com uma força equivalente a cinco vezes o próprio peso.
Isso eleva a taxa de adrenalina às alturas e assusta os médicos.
Uma das preocupações é que o sangue não reage
prontamente à aceleração e tende a ficar represado
nas extremidades do corpo. Em pessoas mais sensíveis, a reação
a esse efeito poderia ser mais incômoda e, em casos extremos, causar
problemas de saúde. Segundo os especialistas, os riscos aumentam
conforme as manobras se tornam mais abruptas. Num looping, por exemplo,
o escasseamento da irrigação sanguínea poderia até
causar desmaios e perda de visão momentânea. Os estudos teóricos
mostram que em curvas muito rápidas e fechadas os chacoalhões
poderiam, em situações-limite, provocar o sangramento das
artérias no cérebro.
As novas
montanhas-russas são construídas depois de vastos estudos
matemáticos, que calculam até que ponto o corpo suporta
uma manobra arrojada, veloz e duradoura. Elas saem do papel com carimbo
de segurança e, na prática, provam que operam com risco
ínfimo. Tais estudos são fundamentais. Afinal, as montanhas-russas
continuam a ser as estrelas dos parques. É o caso da Millennium
Force, localizada num parque em Ohio, nos Estados Unidos. Nos fins de
semana, a fila para dar uma voltinha pode levar horas. Todos querem experimentar
a sensação de despencar num ângulo de 80 graus. Em
uma reportagem publicada no jornal The Miami Herald, está
descrita a sensação da queda: "Você acha que nunca
mais vai parar de cair".
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