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Edição 1 760 - 17 de julho de 2002
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Mais que frio na barriga

Médicos alertam para os efeitos
das montanhas-russas radicais

Monica Weinberg

 
Claudio Rossi

Manobras rápidas: o corpo sente a aceleração


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As dez maiores montanhas-russas do mundo

Num parque de diversões confiável, as estatísticas indicam que a probabilidade de alguém se machucar na montanha-russa é de uma em 6 milhões. Acontece que, nos últimos anos, alguns parques localizados nos Estados Unidos e no Japão ganharam montanhas-russas tão altas e tão rápidas que a comunidade médica já fala em rever as contas que servem de base a essa taxa de risco. Tome-se o caso da Steel Dragon 2.000, que fica no Japão. Essa montanha-russa tem 97 metros de altura no ponto mais elevado e extensão de 2,4 quilômetros. No trecho de maior velocidade, o carrinho ultrapassa os 150 quilômetros por hora. Como a Steel Dragon não é um caso isolado e há outra meia dúzia de montanhas-russas desse padrão, alguns especialistas decidiram criticar a brincadeira. Alegam que, nesse nível de velocidade, um desavisado poderia sofrer uma torção no pescoço, um problema na coluna ou até mesmo desmaiar.

No mês passado, a onda de preocupação deixou de ser apenas discurso. O Estado americano de Nova Jersey decidiu restringir a velocidade máxima nas montanhas-russas. O objetivo é controlar o efeito de "esmagamento" do corpo. Explica-se: nos modelos mais radicais, o corpo chega a ser comprimido com uma força equivalente a cinco vezes o próprio peso. Isso eleva a taxa de adrenalina às alturas e assusta os médicos. Uma das preocupações é que o sangue não reage prontamente à aceleração e tende a ficar represado nas extremidades do corpo. Em pessoas mais sensíveis, a reação a esse efeito poderia ser mais incômoda e, em casos extremos, causar problemas de saúde. Segundo os especialistas, os riscos aumentam conforme as manobras se tornam mais abruptas. Num looping, por exemplo, o escasseamento da irrigação sanguínea poderia até causar desmaios e perda de visão momentânea. Os estudos teóricos mostram que em curvas muito rápidas e fechadas os chacoalhões poderiam, em situações-limite, provocar o sangramento das artérias no cérebro.

As novas montanhas-russas são construídas depois de vastos estudos matemáticos, que calculam até que ponto o corpo suporta uma manobra arrojada, veloz e duradoura. Elas saem do papel com carimbo de segurança e, na prática, provam que operam com risco ínfimo. Tais estudos são fundamentais. Afinal, as montanhas-russas continuam a ser as estrelas dos parques. É o caso da Millennium Force, localizada num parque em Ohio, nos Estados Unidos. Nos fins de semana, a fila para dar uma voltinha pode levar horas. Todos querem experimentar a sensação de despencar num ângulo de 80 graus. Em uma reportagem publicada no jornal The Miami Herald, está descrita a sensação da queda: "Você acha que nunca mais vai parar de cair".

   
 

 



 

   
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