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Games, agora com enredo

A nova tendência dos videogames
é se inspirar em filmes de Hollywood

Ricardo Mendonça

 
Sony Online Entertainment

Uma guerreira do RPG on-line EverQuest (acima) e o bárbaro do jogo The Mark of Kri: alta definição e imagens em três dimensões

Sony Computer Entertainment America


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Especial VEJA on-line: "Velocidade, ação e ousadia são as regras da indústria de videogames"

O mundo dos videogames produz novidades todos os meses e uma grande transformação a cada cinco anos. A mudança do momento, e que está fazendo sucesso nos Estados Unidos, mexe profundamente com a lógica dos jogos mais antigos. A última palavra em diversão eletrônica, agora, é o game com enredo. Uma parte dos novos lançamentos está baseada diretamente na trama extraída das criações de Hollywood. Nesse caso, os programadores pegam carona em um grande sucesso do cinema, inventam algum desafio e lançam o jogo com roteiro, trilha sonora e cenários idênticos aos do filme. Foi assim com Star Wars e está acontecendo com Homem-Aranha. A realização do videogame é tão importante que os responsáveis pela criação chegaram a acompanhar as filmagens para elaborar as cenas que serão incorporadas aos jogos eletrônicos. Até pouco tempo atrás, ocorria o contrário e o cinema copiava os games. Viraram filme Mario Bros, Tomb Raider, da indefectível personagem Lara Croft, e Final Fantasy, três títulos de enorme sucesso entre os gamemaníacos.

Outro grupo de lançamentos envolve videogames com narrativas que têm enredo próprio, mas guiam-se segundo a lógica de um filme, com começo, meio e fim. E mais: o próprio jogador é quem cria seu personagem, interferindo na história e mudando a seqüência dos acontecimentos. É o caso do EverQuest da Sony, um RPG, ou role-playing game (em inglês, jogo de representar papéis), que conta com uma legião de 450.000 fãs que pagam 12 dólares por mês para se conectar ao mesmo servidor e jogar. Num RPG, cada participante escolhe um personagem e passa a se comportar como ele. A graça desse game, apresentado em três dimensões, consiste exatamente em montar as características de um personagem e ir criando a história, que se passa na Idade Média. O jogador pode ser um cavaleiro destemido, uma guerreira apaixonada ou um carpinteiro. Tanto faz. Afinal, o interesse do jogo não está em vencer o adversário, mas em interagir com ele. Um game de alto padrão pode levar até dois anos para ser produzido e custar cerca de 10 milhões de dólares.


Entertainment Arts

Aragorn, personagem do game O Senhor dos Anéis: sinergia com o cinema


Como os roteiros são muito complexos, mais do que a habilidade para controlar o joystick, o importante é usar a inteligência. Os jogos exigem estratégia e concentração. Por isso, em vez de crianças ou adolescentes, são adultos que se aventuram nas histórias medievais. De acordo com pesquisa feita nos Estados Unidos, o jogador do EverQuest tem idade média de 31 anos. Esse tipo de game também tem atraído mais mulheres, seduzidas pelas histórias com enredo. Nos jogos de estratégia, o participante funciona como um grande administrador. No Age of Empires II, da Microsoft, o objetivo é desenvolver uma grande civilização. Cada jogador escolhe uma entre treze comunidades e, no período de 1.000 anos, ganha quem conseguir construir a mais desenvolvida. Além de promover a boa organização socioeconômica de seu grupo, administrando o orçamento e a demanda de alimentos, o participante precisa estar preocupado com sua expansão territorial.

Os videogames estão mudando tão rapidamente que nem podem mais ser chamados propriamente de jogos. É o caso dos simuladores, que fazem enorme sucesso no meio, e dos programas da chamada categoria família, em que o pai, a mãe e os filhos podem participar juntos, compartilhando as responsabilidades da administração de um zoológico, por exemplo. Não há ganhador ou perdedor. A graça é construir um parque cada vez mais bonito, atrativo e economicamente viável. No caso dos simuladores, a preferência disparada é pelos aviões. O jogador escolhe determinado tipo de aeronave, faz um plano de vôo, decola e é obrigado a seguir todos os procedimentos que um piloto verdadeiro costuma usar.

Na inquieta indústria de videogames, mercado avaliado globalmente em torno de 9 bilhões de dólares, só uma coisa parece não mudar nunca: a fixação do público pela violência. A febre do momento entre os aficionados no mundo inteiro é um jogo politicamente incorreto chamado Counter-Strike. Dez pessoas conectadas num mesmo servidor formam duas equipes de cinco, uma de terroristas e outra de policiais. Os jogadores escolhem o mapa onde será feita a disputa, desde uma estação de metrô até uma favela do Rio de Janeiro. O time de policiais recebe missões nobres, como libertar determinado número de reféns ou capturar certa quantidade de terroristas. A equipe do mal luta pelas missões incorretas. Soltam bombas, compram fuzis, matam, seqüestram e infernizam a região. Quando um policial encontra um terrorista é pancadaria para todos os lados.

       
 
   
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