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Especial O
código de milhões Nesta
sexta-feira, a versão cinematográfica de O Código
Da Vinci inicia uma carreira que se prevê bilionária
e esse é um dos poucos fatos reais que podem ser associados ao
enredo que se desenrola nas telas  Isabela
Boscov
Divulgação
 | CRIME
NO LOUVRE Na Grande Galeria do museu francês,
Hanks e Audrey descobrem um corpo arranjado como o célebre Homem Vitruviano
de Leonardo da Vinci. É o início de uma verdadeira gincana que conduzirá
ao "segredo" de Jesus e Madalena |
Na história recente, só
dois outros fenômenos resistem a uma comparação com O Código
Da Vinci na capacidade de imprimir sua marca em todos os níveis da
cultura pop: O Senhor dos Anéis e Harry Potter. À
primeira vista, porém, parece haver uma diferença fundamental entre
eles. Os enredos criados pelos ingleses J.R.R. Tolkien e J.K. Rowling pertencem
ao domínio da fantasia, enquanto o americano Dan Brown afirma desvendar
uma "verdade", para a qual o gênio italiano que dá nome à
obra teria deixado pistas ardilosas: o "segredo" da relação carnal
entre Jesus e Maria Madalena, da qual nasceu uma linhagem que prossegue nos dias
de hoje. Não é de admirar que O Código Da Vinci tenha
indignado muitos dos 2 bilhões de cristãos do planeta, e incendiado
a imaginação dos restantes. Agora a adaptação cinematográfica
dirigida por Ron Howard e estrelada por Tom Hanks, no papel de Robert Langdon,
um charmoso professor de "simbologia" (a cátedra não existe) de
Harvard, deve amplificar o ruído já ensurdecedor em torno da obra
de Brown. Depois de uma produção cercada de muito sigilo e fanfarra,
o filme será visto pela primeira vez nesta quarta-feira, quando abrirá
o Festival de Cannes. Na sexta-feira 19, inicia em cinemas do mundo todo, inclusive
os brasileiros, uma carreira que pode levá-lo a tornar-se o terceiro título
da história a quebrar a barreira do bilhão de dólares na
bilheteria feito até hoje realizado apenas por Titanic e
O Senhor dos Anéis O Retorno do Rei. O Código Da
Vinci tem muito a seu favor, além da imensa popularidade do livro.
Ron Howard, de Apollo 13 e Uma Mente Brilhante, é um narrador
exímio, e o apelo de Hanks junto à platéia já foi
diversas vezes testado e aprovado. A francesa Audrey Tautou, que faz a criptóloga
Sophie Neveu, é uma estrela em ascensão, e os coadjuvantes, como
Ian McKellen, Alfred Molina e Paul Bettany, exibem sólidos créditos
dramáticos. As locações (veja
quadro) são esplêndidas, e o suspense é irresistível.
E, em respeito não a crenças e doutrinas, mas à história,
essas são as qualidades que se devem procurar no filme: tanto quanto O
Senhor dos Anéis e Harry Potter, O Código Da Vinci é,
sim, uma fantasia, conforme mostra a reportagem das páginas que se seguem
das melhores já produzidas pela indústria cultural. |