Edição 1956 . 17 de maio de 2006

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Especial
O código de milhões

Nesta sexta-feira, a versão cinematográfica
de O Código Da Vinci inicia uma carreira que
se prevê bilionária – e esse é um dos poucos
fatos reais que podem ser associados ao
enredo que se desenrola nas telas


Isabela Boscov

 
Divulgação

CRIME NO LOUVRE
Na Grande Galeria do museu francês, Hanks e Audrey descobrem um corpo arranjado como o célebre Homem Vitruviano de Leonardo da Vinci. É o início de uma verdadeira gincana que conduzirá ao "segredo" de Jesus e Madalena


NESTA EDIÇÃO
Entre a verdade e a ficção
Maria Madalena
Leonardo da Vinci
Opus Dei
O Priorado de Sião
A teimosia compensa

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Especial sobre o filme

Na história recente, só dois outros fenômenos resistem a uma comparação com O Código Da Vinci na capacidade de imprimir sua marca em todos os níveis da cultura pop: O Senhor dos Anéis e Harry Potter. À primeira vista, porém, parece haver uma diferença fundamental entre eles. Os enredos criados pelos ingleses J.R.R. Tolkien e J.K. Rowling pertencem ao domínio da fantasia, enquanto o americano Dan Brown afirma desvendar uma "verdade", para a qual o gênio italiano que dá nome à obra teria deixado pistas ardilosas: o "segredo" da relação carnal entre Jesus e Maria Madalena, da qual nasceu uma linhagem que prossegue nos dias de hoje. Não é de admirar que O Código Da Vinci tenha indignado muitos dos 2 bilhões de cristãos do planeta, e incendiado a imaginação dos restantes. Agora a adaptação cinematográfica dirigida por Ron Howard e estrelada por Tom Hanks, no papel de Robert Langdon, um charmoso professor de "simbologia" (a cátedra não existe) de Harvard, deve amplificar o ruído já ensurdecedor em torno da obra de Brown. Depois de uma produção cercada de muito sigilo e fanfarra, o filme será visto pela primeira vez nesta quarta-feira, quando abrirá o Festival de Cannes. Na sexta-feira 19, inicia em cinemas do mundo todo, inclusive os brasileiros, uma carreira que pode levá-lo a tornar-se o terceiro título da história a quebrar a barreira do bilhão de dólares na bilheteria – feito até hoje realizado apenas por Titanic e O Senhor dos Anéis – O Retorno do Rei. O Código Da Vinci tem muito a seu favor, além da imensa popularidade do livro. Ron Howard, de Apollo 13 e Uma Mente Brilhante, é um narrador exímio, e o apelo de Hanks junto à platéia já foi diversas vezes testado e aprovado. A francesa Audrey Tautou, que faz a criptóloga Sophie Neveu, é uma estrela em ascensão, e os coadjuvantes, como Ian McKellen, Alfred Molina e Paul Bettany, exibem sólidos créditos dramáticos. As locações (veja quadro) são esplêndidas, e o suspense é irresistível. E, em respeito não a crenças e doutrinas, mas à história, essas são as qualidades que se devem procurar no filme: tanto quanto O Senhor dos Anéis e Harry Potter, O Código Da Vinci é, sim, uma fantasia, conforme mostra a reportagem das páginas que se seguem – das melhores já produzidas pela indústria cultural.

 
 
 
 
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