Edição 1956 . 17 de maio de 2006

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Aviação
O poder do carbono

Com materiais compostos no
lugar do alumínio, a Boeing torna
o 787 um avião bem mais leve


Leoleli Camargo


O 787 Dreamliner: feito do material usado em raquetes de tênis e foguetes

A Boeing recebeu há duas semanas a visita do presidente chinês, Hu Jintao, para uma festa apoteótica nas instalações de sua fábrica, próxima a Seattle, nos Estados Unidos. A direção da empresa e 5.000 funcionários – de um total de 150.000 – homenageavam a China como a maior compradora de seu novo modelo, o 787 Dreamliner, previsto para voar comercialmente daqui a dois anos. Das 350 unidades vendidas até agora, sessenta atenderão às companhias aéreas chinesas. A Boeing resolveu fazer alarde do negócio pois raras vezes um fabricante de aviões depositou tantas esperanças num único modelo. Primeiro porque, no ano passado, a Boeing viu sua arqui-rival Airbus, formada por um consórcio europeu, ultrapassá-la na quantidade de aeronaves vendidas. Segundo porque o 787, o primeiro modelo novo lançado pela Boeing em uma década, incorpora inovações tecnológicas que podem transformar os padrões da indústria aeronáutica. Essas inovações possibilitam uma significativa economia de combustível e, para o passageiro, prometem tornar mais agradável a experiência de andar de avião.


Peter Yates/The New York Times
A cabine: janelas panorâmicas e mais umidade para evitar olhos ressecados

O grande trunfo do 787 Dreamliner é a substituição do alumínio em sua estrutura por materiais compostos, como a fibra de carbono, normalmente usados em raquetes de tênis e componentes de foguetes. No 787, 50% dos materiais usados são compostos, contra apenas 12% no modelo anterior lançado pela Boeing, o 777. O uso de materiais compostos torna o 787 Dreamliner 15% mais leve do que os aviões de seu porte. A maior resistência das fibras de carbono à corrosão também permite o aumento da umidade do ar no interior da cabine, reduzindo nos passageiros e tripulantes a sensação de olhos, boca e nariz ressecados. De quebra, esse material permite que as janelas do 787 sejam 65% maiores do que aquelas que costumam equipar os aviões comerciais. Das poltronas, portanto, a vista é panorâmica.

No projeto do 787, a Boeing também alterou alguns de seus procedimentos tradicionais. Em vez de fabricar o avião inteiro em seus hangares, ela terceirizou a produção de várias partes da aeronave para indústrias de outros países. As asas são feitas no Japão pela Mitsubishi. O trem de aterrissagem é fabricado na França e a cauda, na Itália. Para a Boeing, o 787 tem uma importância estratégica na disputa de mercado com a Airbus. As duas companhias têm visões diferentes sobre o tráfego aéreo nos próximos vinte anos, quando o número de passageiros deverá triplicar. A empresa européia aposta no transporte de muitas pessoas ao mesmo tempo. Para atender a essa demanda, lançou no ano passado o gigantesco Airbus 380, com capacidade para até 800 passageiros. Já a Boeing acha que o futuro está nas aeronaves de porte médio e mais econômicas, como o 787. Por enquanto, a Boeing vem ganhando a parada: seu novo modelo já encontrou duas vezes mais compradores que o A380, que, por sinal, custa o dobro do preço.

 
 
 
 
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