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Aviação
O poder do carbono
Com materiais compostos no
lugar do alumínio, a Boeing torna
o 787 um avião bem mais leve

Leoleli Camargo
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| O 787 Dreamliner: feito do material usado
em raquetes de tênis e foguetes |
A Boeing recebeu há duas
semanas a visita do presidente chinês, Hu Jintao, para uma
festa apoteótica nas instalações de sua fábrica,
próxima a Seattle, nos Estados Unidos. A direção
da empresa e 5.000 funcionários de um total de 150.000
homenageavam a China como a maior compradora de seu novo
modelo, o 787 Dreamliner, previsto para voar comercialmente daqui
a dois anos. Das 350 unidades vendidas até agora, sessenta
atenderão às companhias aéreas chinesas. A
Boeing resolveu fazer alarde do negócio pois raras vezes
um fabricante de aviões depositou tantas esperanças
num único modelo. Primeiro porque, no ano passado, a Boeing
viu sua arqui-rival Airbus, formada por um consórcio europeu,
ultrapassá-la na quantidade de aeronaves vendidas. Segundo
porque o 787, o primeiro modelo novo lançado pela Boeing
em uma década, incorpora inovações tecnológicas
que podem transformar os padrões da indústria aeronáutica.
Essas inovações possibilitam uma significativa economia
de combustível e, para o passageiro, prometem tornar mais
agradável a experiência de andar de avião.
Peter Yates/The New York Times
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| A cabine: janelas panorâmicas e mais umidade
para evitar olhos ressecados |
O grande trunfo do 787 Dreamliner
é a substituição do alumínio em sua
estrutura por materiais compostos, como a fibra de carbono, normalmente
usados em raquetes de tênis e componentes de foguetes. No
787, 50% dos materiais usados são compostos, contra apenas
12% no modelo anterior lançado pela Boeing, o 777. O uso
de materiais compostos torna o 787 Dreamliner 15% mais leve do que
os aviões de seu porte. A maior resistência das fibras
de carbono à corrosão também permite o aumento
da umidade do ar no interior da cabine, reduzindo nos passageiros
e tripulantes a sensação de olhos, boca e nariz ressecados.
De quebra, esse material permite que as janelas do 787 sejam 65%
maiores do que aquelas que costumam equipar os aviões comerciais.
Das poltronas, portanto, a vista é panorâmica.
No projeto do 787, a Boeing também
alterou alguns de seus procedimentos tradicionais. Em vez de fabricar
o avião inteiro em seus hangares, ela terceirizou a produção
de várias partes da aeronave para indústrias de outros
países. As asas são feitas no Japão pela Mitsubishi.
O trem de aterrissagem é fabricado na França e a cauda,
na Itália. Para a Boeing, o 787 tem uma importância
estratégica na disputa de mercado com a Airbus. As duas companhias
têm visões diferentes sobre o tráfego aéreo
nos próximos vinte anos, quando o número de passageiros
deverá triplicar. A empresa européia aposta no transporte
de muitas pessoas ao mesmo tempo. Para atender a essa demanda, lançou
no ano passado o gigantesco Airbus 380, com capacidade para até
800 passageiros. Já a Boeing acha que o futuro está
nas aeronaves de porte médio e mais econômicas, como
o 787. Por enquanto, a Boeing vem ganhando a parada: seu novo modelo
já encontrou duas vezes mais compradores que o A380, que,
por sinal, custa o dobro do preço.
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