Edição 1956 . 17 de maio de 2006

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Aviação
A era dos minijatos

Os novos aviões executivos são menores,
mas oferecem alta tecnologia e preços
bem mais em conta


Rafael Corrêa

 
Fotos divulgação
O Eclipse 500 e um detalhe de sua cabine: conforto apesar do espaço reduzido
Eclipse 500
Fabricante: Eclipse Aviation
Lugares: 5 passageiros + 1 piloto
Autonomia: 2 370 quilômetros
Velocidade: 695 km/h
Preço: 1,5 milhão de dólares

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Muita gente que viaja com freqüência sonha em ter um jatinho executivo – um dos ícones máximos do consumo chique. Uma nova geração de aviões que começa a voar nos próximos meses vai tornar esse sonho acessível a mais gente. Os chamados very light jets, ou VLJ, são jatinhos semelhantes às aeronaves executivas, mas de tamanho menor, preço bem mais em conta e custo de operação e manutenção menos salgado. Têm capacidade para transportar de dois a oito passageiros e autonomia de vôo de no mínimo 2.000 quilômetros, o suficiente para ir de São Paulo a Maceió sem escalas. Os instrumentos de vôo dos minijatos são de alta tecnologia, fáceis de operar, o que torna a presença do co-piloto opcional – o assento destinado a ele pode ser usado para transportar um passageiro a mais. O preço final desses pequenos aviões, dependendo da marca e do modelo, vai de 1 milhão a 3,7 milhões de dólares. O jato executivo convencional mais barato do mercado, o Citation CJ1, da Cessna, não sai por menos de 4,3 milhões de dólares.

O principal segredo do preço baixo dos very light jets está nos motores. As turbinas que os equipam são uma evolução da tecnologia usada em mísseis de longa distância. Menores e mais baratas do que as convencionais, elas impulsionam os minijatos a uma velocidade média de 600 quilômetros por hora, pouco menos que a velocidade de um jato executivo tradicional. Como compensação ao tamanho reduzido da cabine, os fabricantes investem pesado no conforto interno dos aviões, transformando-os em limusines aladas. A Embraer, que se prepara para lançar o minijato Phenom 100, contratou a empresa automotiva BMW para cuidar do interior do modelo. Em alguns casos, como o do Javelin MK-10, da americana Aviation Technology Group, o conforto dá lugar à velocidade. O avião, que mais lembra um jato militar, possui somente dois lugares em um cockpit apertado, mas voa a mais de 1 000 quilômetros por hora – é mais veloz que um Boeing 737. O primeiro VLJ chegará ao mercado no mês que vem. É o Eclipse 500, fabricado pela americana Eclipse Aviation, que já conta com 2.400 encomendas. Depois dele, os próximos na lista serão o Citation Mustang, da Cessna, e o A700, da Adam Aircraft. O Mustang já começou a ser vendido no Brasil e, até agora, encontrou 23 compradores. Os primeiros Mustang chegarão ao país no segundo semestre de 2007.

 

Javelin MK-10
Fabricante: Aviation Technology Group
Lugares: 1 passageiro + 1 piloto
Autonomia: 2 260 quilômetros
Velocidade: 1 075 km/h
Preço: 2,3 milhões de dólares

Inicialmente, o principal mercado dos minijatos será a aviação executiva. Como eles conseguem pousar e decolar em menos de 1 quilômetro de pista, entre os consumidores potenciais estão os proprietários de aviões a hélice que gostariam de trocar seus modelos por outros mais modernos. Mas o setor de táxi aéreo também deve adotar os minijatos. Companhias como as americanas DayJet e Pogo aguardam o lançamento dessas aeronaves para oferecer tarifas mais baratas do que as atuais e tornar o táxi aéreo uma alternativa para pequenos empresários e profissionais liberais. "Esses aviões serão uma revolução na aviação porque podem levar o transporte aéreo a destinos atendidos somente por estradas", diz James Waterhouse, professor de engenharia aeronáutica na Escola de Engenharia de São Carlos, da Universidade de São Paulo. A bordo de um minijato, um vôo entre dois aeroportos próximos pode sair pouco mais caro do que uma corrida de táxi – principalmente quando o trânsito estiver congestionado – e durar muito menos tempo.

 

 
 
 
 
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