Edição 1956 . 17 de maio de 2006

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Divertimento
Passe de mágica

A Nintendo revoluciona os games
com um joystick que reproduz na
tela os movimentos do jogador


Rafael Corrêa


Fotos divulgação
Nintendo Wii
O joystick do novo aparelho da Nintendo (acima), semelhante a um controle remoto, tem um sensor que lê os movimentos da mão do jogador e os transporta para os personagens do jogo. Para rebater a bola num game de beisebol, por exemplo, basta girar o braço no ar como se faria numa partida de verdade. O joystick vem acompanhado de um acessório, o nunchuk (na mão esquerda), usado em jogos mais complexos

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A meca dos aficionados de jogos eletrônicos é a Electronic Entertainment Expo, ou E3, a maior feira de games do mundo. Todo ano, nessa imensa e colorida exposição montada em Los Angeles, os fabricantes de consoles de videogames e de jogos apresentam seus lançamentos, disputando sua fatia num mercado mundial que movimentou 27 bilhões de dólares em 2005. A E3 deste ano, realizada na semana passada, revelou um salto no limite tecnológico e na capacidade de surpreender dos videogames. A grande novidade exibida na feira foi o Wii, novo console da Nintendo. O Wii é mais poderoso que seu antecessor, o Game Cube, em termos de capacidade de processamento e qualidade gráfica. Isso já era de esperar. O que deixou todos de queixo caído foi o seu controle, o chamado joystick.

Semelhante na aparência a um controle remoto de TV, o joystick do Wii possui um sensor que capta os movimentos da mão do jogador e os transmite sem utilizar fios para o videogame. Isso significa que, numa partida eletrônica de tênis, por exemplo, o controle se transforma em raquete – basta ao jogador reproduzir os movimentos do tenista para rebater a bolinha virtual. O sistema é tão preciso que o sensor consegue medir a intensidade do movimento para determinar a força com a qual a bola será rebatida. O mesmo vale para os jogos de corrida ou de aviação, nos quais o controle funciona, respectivamente, como volante e manche. Nos jogos de ação, ele vira espada ou arma de fogo.


PlayStation 3
A Sony confirmou para novembro o lançamento de seu novo console. O preço será salgado: 600 dólares pela versão completa. O controle do PlayStation3 também virá com um sensor de movimento, semelhante ao do joystick da Nintendo

Com seu joystick revolucionário, a Nintendo espera quebrar o estigma de que jogos eletrônicos são feitos apenas para jovens, capazes de dominar com facilidade a profusão de botões que equipa os controles atuais. O fabricante japonês acredita que seu joystick, cujo funcionamento é simples e intuitivo, será um chamariz para adultos e mesmo para vovôs. O Wii, que deverá começar a ser vendido às vésperas do Natal, é a aposta da empresa para recuperar sua participação no setor de consoles de videogames, do qual foi líder até meados da década de 90. Atualmente, a Sony tem 66% desse mercado. A Microsoft, com o seu Xbox, e a Nintendo têm 17% cada uma.

O Wii vai na contramão de seus dois concorrentes, o Xbox 360 da Microsoft e o PlayStation 3 da Sony. Ambos são destinados a games com imagens com grande sofisticação gráfica e desafios mais complexos. O videogame da Microsoft foi o primeiro da nova geração a chegar às lojas, em novembro do ano passado, e já vendeu mais de 3 milhões de unidades. A meta de Bill Gates é vender 10 milhões de consoles até novembro próximo, quando a nova máquina da rival Sony será lançada. Para enfrentá-la, a Microsoft anunciou uma nova safra de games, com recursos gráficos ainda mais impressionantes. Os planos de Bill Gates incluem o lançamento de um leitor de HD-DVD para ser conectado ao aparelho. O dispositivo permitirá ao Xbox utilizar a nova geração de DVDs, que oferece imagens de alta definição.


Xbox 360
O aparelho da Microsoft, que já vendeu 3 milhões de unidades, recebeu um leitor de HD-DVD como acessório. O dispositivo permite ler DVDs de última geração. Para enfrentar os aparelhos concorrentes, a empresa anunciou o lançamento de uma safra de jogos com recursos inéditos

Os jogos do PlayStation 3 causaram igualmente furor nos visitantes da feira de Los Angeles. O PS3, como também é chamado o console da Sony, é um dos lançamentos mais aguardados desde que começaram as primeiras especulações sobre a nova geração de videogames, há cinco anos. Seu antecessor, o PlayStation 2, vendeu mais de 103 milhões de unidades e garantiu à Sony o domínio do mercado. Diante da responsabilidade de substituir um produto de sucesso, a empresa investiu pesado no desenvolvimento de seu novo aparelho. O PS3 foi projetado para ser a Ferrari dos videogames. Seu chip central, chamado Cell, foi criado em parceria com a IBM e a Toshiba e é 35 vezes mais potente do que o processador do PlayStation 2. O novo console usa discos do tipo Blu-ray, com capacidade para armazenar até 50 gigabytes. O Blu-ray é rival do DVD de alta definição – utilizado pelo Xbox 360 – na disputa para ser o formato-padrão da próxima geração de DVDs. A placa de vídeo Nvidia também possui um chip exclusivo, o RSX, que processa gráficos com qualidade de cinema.

"A próxima geração dos videogames só começará quando nós dissermos que ela deve começar", disparou Kaz Hirai, presidente da Sony Entretenimento para a América, ao apresentar o novo aparelho. A pedra que pode surgir no caminho da companhia é o preço elevado do PS3. O aparelho virá em duas versões: uma básica, que custará 500 dólares, e outra mais completa, ao preço de 600 dólares. A versão completa será o videogame mais caro já vendido – o Xbox 360 custa 100 dólares a menos. A Nintendo ainda não definiu o preço de seu Wii. Mas a Sony tem um trunfo na manga: uma versão do controle do PS3 com sensor de movimentos semelhante ao que equipa o joystick do Wii. Resta saber qual das máquinas conquistará mais jogadores.

 
 
 
 
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